19 setembro 2006

Uma Verdade Inquietante

O furacão Gordon vai passar, hoje 3ª Feira, pelos Açores. Não tenho grandes memórias, nem, tão-pouco, dados concretos, que me permitam afirmar que este é o 1º furacão a passar pelos Açores, mas se não o é, deve ser um dos primeiros.

A razão que faz com que s Açores estejam, de repente, na rota dos furacões está nas alterações climáticas que o nosso planeta está a sofrer. Al Gore tem um filme que se chama ‘Uma Verdade Inconveniente’ e que trata, exactamente, dessa temática. A principal causa para essas alterações está no aquecimento global, que se deve, por sua vez, às emissões de CO2 e à queima de combustíveis fosseis.

Não sou nenhum perito em Meteorologia, mas parece-me claro e, aliás, é do conhecimento popular, que os furacões, que ocasionalmente se aproximam dos Açores, perdem rapidamente a sua força, porque encontram águas frias. Ora, é óbvio que este não perdeu a sua força, e é também óbvio que as temperaturas estão, anormalmente altas, para esta altura do ano, aqui nos Açores. Aliás, este deve ter sido dos Verões mais quentes.

Este é um problema que ultrapassa tudo o que nós estamos habituados a discutir. Não estamos a tratar aqui de quem domina o Médio Oriente ou se devemos ter políticas de inspiração de direita ou de esquerda, não este é um problema muito maior, e serão os nossos filhos e nós próprios a sentir as consequências. É inquietante.

5 comentários:

PP disse...

Meu caro Rui o teu post, além de vir muito a propósito, levanta a questão que deve(ria) preocupar tada a Humanidade: As mudanças climáticas que se sentem a um ritmo assustador.

Esse assunto é-nos muito caro, na medida em que esta região que habitamos se situa no meio do oceano Atlântico, sujeita às subidas das águas do mar e à violência, cada vez maior, das tempestades que nos assolam.

Sigo a evolução do Gordon com natural preocupação de quem vai sentir um furacão pela primeira vez. Segundo ouvi nas, muitissímas, noticias que se têm dado à volta deste furacão, o último registo da passagem de uma tempestade com estatuto de furacão nos Açores, deu-se há 40 anos.
Já vivi e senti, no entanto, outras tempestades dignas de registo e de causar alguma ansiedade e muita destruição. Se nenhuma destas teve a intensidade deste Gordon, é claro que me sinto especialmente ansioso e alerta, pois o que por aí vem é, seguramente mais violento do que qualquer intempérie que por cá tenha passado.

Ainda há pouco, no jornal das 10 na SIC noticias, ouvi um metereologista de referência (foi assim apresentado), afirmando que os fenómenos climatéricos mais violentos, tais como furacões, para além de estarem a ficar mais destruídores, estão também a dar-se/ aparecerem em locais onde não existiam e com rotas diferentes das habituais. Acrescentou ainda, chamando "monstro" ao Gordon, que a sua rota pode sofrer alterações e não atingir com o "pára choques" as nossas ilhas. Daqui a uma horas veremos!?!? Mas a atenção deste prestigiado metereologista já se sentra no furacão Helena que sobe pelo Golfo do México, e ele teme que a rota seja idêntica à do Gordon, o que significa que daqui a alguns dias poderemos estar a sofrer semelhante inquietação. Mas a chegar aos Açores, O Helena virá com o triplo da força deste "pequeno" Gordon, a avaliar pelas palavras do dito metereologista, que afirma que o furacão Helena tem 3 vezes mais área do que o Gordon, e que será(seria, esperemos) devastador se apanhar no seu caminho estes nossos Açores.

Aguardo com muita preocupação as mudanças e novas rotas destes Mostros.

Um Abraço, e boa sorte nas próximas horas

PP disse...

Afinal, e ainda bem, que o "tal" metereologista da SIC Noticias, tinha razão. O Gordon não passou de um estágio para o Inverno que se avizinha.

Quanto ao "Helene", parece que continua rumo a Norte, longe da nossa rota. Ainda bem, pois seria um péssimo prenúncio para o futuro.

No entanto a Humanidade tem agora uma excelente oportunidade para se focar num problema que não tem "nós" nem "eles", tem somente um "todos", pois todos sofreremos, por igual, o peso da saturação da nossa atmosfera com a crescente emissão de gázes poluentes. Tem de ser uma "guerra" verdadeiramente Global, pois de que vale desenvolvimento e altas tecnologias, se não for possível usufruírmos delas com saúde e qualidade, vivendo as 4-estações que a Natureza dita.

Deixémo-nos de lutar pelo petróleo e contra religiões, que temo bem, partilhem o mesmo Deus, e centrémo-nos em evitar que a Terra, tal qual a conhecemos, deixe de existir, assolada por continuas calamidades climáticas.

Ciao Helena....furacões, só os quero na TV

PP disse...

A propósito deste tema, e para dar razão a Al Gore, já há estudos cientificos que apontam para, em média, o facto da primavera já estar a chegar mais cedo e o verão acabar mais tarde. Os estudos recaíram sobre plantas a animais (que ao contrário de nós, vivem somente segundo as "regras" da natureza), nomeadamente dos ursos polares e das suas migrações e hibernações. Concluem que as plantas iniciam a floração mais cedo e que a seca as afecta cada vez mais.
Claro que quem vive em harmonia com a natureza, plantas e animais (não racionais), são quem primeiro sente as consequências dos ataques á atmosfera. Para animais racionais estamos mais burros do que os burros, pois continuamos sem parar (pra pensar).

Com as incompatências dos nossos governantes, ainda vamos (sobre)vivendo.....agora com a "revolta" da Natureza, estamos f...tramados.

...depressão pós Gordon.

PP disse...

P.S.- dizem, os supra referidos estudos, que a primavera anda a chegar, em média, 7 dias mais cedo e o verão a acabar 5 dias mais tarde.
Alarmante, não!!!

Rui Gamboa disse...

A verdade é de, facto, essa, mas na generalidade, porque o que se passou com o Gordon e mesmo com o Helene, pareceu-me ser, nada mais, que uma alarmismo criado e usado pelos media continentais. A verdade é que a NASA tinha um vai-vem no espaço que ia aterrar na semana do Gordon e que, por isso, teve que o atrasar. Acho que os media portugeuses ouviram isso e também, devido ao facto, de estarem sem notícias "frescas", fez com que alimentassem disso.

A verdade é que o Gordon e o Helene foram tempestades fortes, mas nós estamos habituados àquilo e a muito mais.

Mas nada disso invalida o facto de estrrmos perante mudanças na natureza que vão ter (já têm) implicações com um alcance para além daquilo que podemos imaginar.