24 setembro 2006

Um Compromisso, descomprometido

O título deste post, remete para a II Convenção de um movimento denominado "Compromisso Portugal".
Parece-me óbvio, que a escolha deste nome, por parte dos seus promotores, quer tornar claro o facto das pessoas a ele associadas não terem outra intenção ou vontade, senão a de fazer com que Portugal não continue na cauda da Europa, mesmo agora que já somos 25 Estados Membro. Seguramente, que o futuro pessoal, familiar e profissional de cada associado, também os fazem "pensar no colectivo", para, assim, terem mais alcance na apresentação das suas ideias e propostas. Também partilho destas preocupações.
Fazem-no, pois a coragem de quem nos tem governado, tem estado espartilhada pela constante busca de votos, levando-nos a uma política baseada no populismo, na promessa fácil e no compadrio, para continuarem os "boys nos jobs". Que compromisso tem, quem ocupa cargos de governação, eleitos pelo Voto?
Portugal perdeu uma oportunidade, que considero histórica, para nivelar a sua economia e educação, pela dos membros da, então designada, CEE. Refiro-me aos Fundos Comunitários, aos vários quadros de apoio comunitário, que têm injectado no nosso país uma alarvidade de dinheiro, em diversas áreas, e que, quem de direito, não soube administrar, distribuir e fiscalizar.
Refiro-me a esta "idade de ouro" vivida no nosso país desde 1986, e que tem os dias contados, pois creio que, algumas das propostas do "Compromisso Portugal", deveriam ter surgido, pelo menos, há 15 anos. Refiro-me, concretamente, ás propostas apresentadas para áreas como a Justiça, em que o movimento propõe uma mais eficaz gestão destes orgões, com qualidade e sem corporações, e com uma maior divisão processual, á Educação, em que a ideia passaria por dividir o Ministério em dois (um trataria de assuntos do ensino básico, enquanto o outro ficaria com o secundário) incentivando uma oferta educativa privada e, claro, uma melhor educação, ao Ambiente e Ordenamento do Território, em que a proposta passa por promover eficiência energética e sustentabilidade, a par de melhor ambiente e ordenamento do território, e, para último, guardo a que considero mais falta nos tem feito, a aposta na Competitividade e no derrube de seis barreiras ideológicas que o "Compromisso Portugal" identifica. A saber: ineficiência do serviço público; economia paralela; excesso de burocracia e falta de transparência do Estado; mercados mal regulados; os maus estímulos associados às leis laborais e ao sistema de segurança social; e uma herança industrial medíocre. Para os mais atentos, creio não ser novidade.

Daí a pergunta: Estará este movimento, ainda a tempo de descomprometer os nossos políticos, rendidos ao marketing que os conserva nos lugares, e os aconselham a não serem impopulares?

Só a incerteza da resposta levaria 600 empresários, gestores e académicos a darem a cara pelo futuro dos portugueses.

P.S.- Ficaram aqui quatro, das seis áreas que mereceram a atenção do "Compromisso Portugal" nesta sua II Convenção. As outras duas tiveram suficiente eco nos média.

5 comentários:

Rui Gamboa disse...

A 'esquerda' apressou-se a chamar a chamar a esta Convenção como a Convenção da Direita. A 'esquerda está presa a um imobilsmo que faz parte da herança 'esquerdista' da nossa Constituição, do pós 25 de Abril. O acordo que foi conseguido então para evitar a implantação de um estado comunista pró sovietico foi esta mescla.

É preciso mudar. Virar o rumo de governação e de gestão de fundos, como dizes e bem. É óbvio que os fundos comunitários não vão continuar tão gordos, pensar mais à frente, não olhar só para o imediato.

Mas qual o preço? Este tipo de medidas não são populares e custam, de facto, votos. Uma oposição irresponsável e sem ideias, apressa-se a expor, através de demagogia, esses efeitos.

Com o tempo a passar, eu cada vez mais acredito em Socrates. Não concordo com algumas das suas políticas (poucas), mas aprecio a sua determinação e acho que o seu governo está a tratar desses assuntos.

Um exemplo: as empresas estrangeiras que estão a fechar fabricas. O que quer dizer é que Portugal tem que começara ainvestir nos serviços e não na industria (essa vai para o Oriente - mão de obra mais barata) Parece-me que este é um exemplo de cair na realidade, que é o que falta.

PP disse...

Rui, ten stoda a razão quando dizes que é nos serviços que se deve apostar, nunca conseguiremos competir com países asiáticos ou da américa latina, por exemplo, no que toca a mão de obra fabril.

Quanto a Sócrates, também partilho desse teu óptimismo. Desde que chegou ao poder tem, sem perder tempo, implementados medidas impopulares e que eram/são imprescindiveis para "desafogar" a nossa economia e, muito importante, dar um sinal de firmeza e credibilidade, de Portugal na CE. Mais, tem mantido e apoioado, embora por vezes pouco, os seus ministros com tarefas mais difícceis, tais como educação, finanças e obras públicas, e não cede (aparentemente) a pressões de lobbys e sindicatos, por mais voz que tenham, por mais votos que perca. Cá estatremos para ver até onde quer ir, ou a té onde lhe deixam ir.

PP disse...

Quanto ao post do "Compromisso", devo dizer que depois de ouvir e ler algumas opiniões, quase unânimes em afirmar que o movimento é positivo e tem boas ideias, mas que peca por lento e por ser pouco empreendedor.
Concordo que apresentar ideias e propopstas, que, para os mais atentos/ interessados não eram novidade, é muito mais fácil do que realizar e aplicar o que se teoriza.

Gostava que dois anos volvidos da primeira convenção, o "Compromisso" seja mais célere e pró-activo na ajuda na implementação de medidas para resolver tantas maleitas.

Como com Sócrates, resta-nos aguardar.

Inté

Rui Gamboa disse...

É um movimento de cidadania extra-partidário? Temuma inclinação ideológica clara.

PP disse...

Sim, é um movimento extra-partidário. Pacheco Pereira defende que este movimento, constituído há 2 anos, deveria intervir civicamente e económicamente, pois o diagnóstico está bem feito, mas a implementação da cura para esse males é, sem dúvida. masis difícil.
EStes empresários e académicos, deveriam investir, gastar do seu dinheiro, para estimularem o mercado e darem um sentido ás suas reivindicações.
O mesmo Pacheco Pereira diz que se não forem por essa via - dos próprios investirem - devem apoiar um partido ou político que possa, no governo ou na assembleia da républica, propor Leis que sejam um remédio para os males diagnosticados.

No entanto não vejo, no movimento CP, uma ideologia clara. Se forem os próprios a intervir, então não têm de se posicionar. Mas se quiserem que sejam os políticos a resolver esses "males", então devem posicionar-se, assumindo o risco.