28 dezembro 2006

CDS ou PP

O CDS está dividido há muito tempo e isso já foi amplamente discutido neste blog e noutros. A liderança de Ribeiro e Castro incomoda muita gente que decidiram seguir uma linha de ataques duros e vis, que têm contribuído, definitivamente, para a divisão do único partido – com alguma representação – de direita em Portugal.

Para quem vê de fora, assiste-se a uma destruição do partido e a uma total descredibilização dos seus dirigentes, de ambos os lados. A linha tomada pelos ‘portistas’ é algo que me custa muito a compreender, se querem tanto a liderança do CDS, têm que apresentar uma candidatura já e não andar nas televisões diariamente, a falar mal do seu líder.

Por outro lado, a posição do próprio Ribeiro e Castro é igualmente, incompreensível. Neste momento não tem qualquer credibilidade política perante o país, é necessário um Congresso extraordinário e ponto final, mesmo que tenha havido um há pouco tempo, para que tudo fique decidido de uma vez por todas.

No PSD vê-se algo semelhante, com Luís Filipe Menezes a contestar a liderança de Marques Mendes constantemente. Com isso tudo, o PS e Sócrates lá vão governando com um à vontade incrível. Com tantas medidas impopulares (estejam elas correctas, ou não), com tanta contestação social, era de prever que o papel da oposição estivesse facilitado, no entanto...

8 comentários:

PP disse...

Pois é, meu caro, a vida de Ribeiro e Castro enquanto lider do CDS-PP, não tem sido nada fácil.
O culminar daquilo que já era conhecido, aconteceu com o episódio do discurso num jantar, e da alusão ao regresso "daquele" que elevaria, novamente, o partido às vitórias e á sua dignidade.

A recusa em demitir-se, por parte do líder da bancada (o que proferiu tal discurso), enfraquece, ainda mais, Ribeiro e Castro. É um partido aos pedaços. E, como dizes, eu só vejo uma alternativa para resolver esta crise: convocar Novo Congresso, para, possívelmente, poder Nuno Melo avançar, se o seu "querido Líder" (PP-PAulo Portas) não der o passo.
O que não acredito é que Ribeiro e Castro resista a um terceiro congresso...a não ser que não se perfile ninguém da "outra" ala.
(Recordar que adversário de RC no último congresso era um rapazote- com um ar de super beto- não me recordo do nome, logo do mal o menor.

PP disse...

Já o PSD tem uma liderança (um pouco) mais sólida.
Claro que Luís Filipe Menezes (LFM) é uma pedra no sapato de Marques Mendes (MM). Tem-no sido para outros líderes. È o eterno candidato a candidato, que de tanto esitar perdeu a credibilidade. Pelo menos a minha.

Já aqui disse que MM é um excelente politico, mas de bastidor, de comissões politicas e afins, um homem de trabalho e empenho. Pelo menos é a opinião que dele tenho.
Mas não tem perfil de líder.
A situação no PSD não se avizinha fácil. Nem a nível Nacional nem a nível Regional.
Faltam homens/mulheres de carisma e de concenso. O que eu vejo são facções que apoiam este ou aquele, sempre contra a outra facção, e raramente em favor do partido.
O que é feito da lealdade partidária, e da obediência à posição do partido? Tem de haver um Partido e não sub-partidos dentro do PSD.

Nos Açores temos agora o mito "Berta Cabral". Depois da Glória em "Roma", talvez, e sublinho o talvez, avançe para a "nação".
Embora já tenha assumido que não saí da CMPDL para se candidatar em 2008, continua sem se colar ao "Partido" de Costa Neves, o que não a favorece e enfraquece o seu PSD, pois enfraquece o actual líder, e até ofusca as suas iniciativas de oposição.

Diga-se em nome da verdade que Costa Neves não tem feito o suficiente. Talvez por não ter apoios, mesmo de pessoas do Partido que nele votaram para líder. Um líder de transição?
Quem virá a seguir?

Para terminar, pergunto se quem vetou este líder ao abandono se recordou que um partido adormecido perde vitalidade, perde apoiantes, perde visibilidade, em suma fica enfermo, que que tal maleita pode levar tempo a curar.

Quanto tempo vamos ter de esperar para ter um PSD à altura dos seus pergaminhos, forte e coeso, para fazer um combate politico feroz e se perfilar para ser Governo?

Rui Gamboa disse...

Quem se candidatou contra RC foi um tal de Paulo Miranda mas perdeu por 465 a 56.

Está aqui, nesta notícia antiga:

http://comumonline.net/noticia.asp?id=815

Se , Paulo Portas não se candidatar num eventual próximo Congresso, será um acto de cobardia política inaceitável, e não pode ser nem Nuno Melo nem mais ningué, tem que ser ele mesmo. Temos que pedir ao foguetabraze para dissertar sobre este assunto...

O PSD, tanto a nível nacional como regional, precisa de sangue novo, uma injecção forte de novas ideias e projectos que combata a política de centro-direita do PS, o PS tomou o espaço político que era do PSD, daí haver agora este marasmo dentro do PSD.

Eu acredito na social-democracia, é a melhor forma de governar... é preciso o PSD tomar o espaço que é seu por direito e por constituição...

claudio almeida disse...

Ora nem mais Gamboa. O PSD tem um defeito, não aproveita os seus quadros, ou seja, nota-se que existe um "fosso" entre a geração dos 40 e a dos 20. Não existe os 30.
Mas há algo muito pior, existe uma série de senhores que estão colados á cadeira e têm medo que os tirem de lá. Eu estou a dizer isso porque lido com eles práticamente todos os dias.
A JSD cada dia está mais forte, e para muitos deles, somos uma ameaça.

Foi o que aconteceu com o vitor cruz, não lhe convinha uma JSD forte. Agora com o costa neves, ele suporta-se em nós, porque não tem grande margem de manobra.

O PSD enquanto não se deixar de mesquenhice, e de enredos internos, nunca chegará ao poder.

Eu escrevi aqui isso, e não tenho problema nenhum em dize-lo em qualquer parte.

Bem haja aos meus amigos, e estou de braços abertos para os receber no ceio do meu partido,

claudio almeida disse...

Tomem isso mais como um desabafo, mas é a realidade.

Quanto ao CDS/PP, penso que o futuro passará pelo Nuno Melo

Rui Gamboa disse...

Caro Claudio,

Deixa-me felicitar-te pela frontalidade com que tratas esse assunto que te diz respeito directamente.

Devo acrescentar que, na minha opinião, a forma de combater essa inércia e "colagem" às cadeiras do poder por certas pessoas, é essa que usaste: tratar esses assuntos com frontalidade, expôr e mostrar e revelar, prinicpalmente por alguém como tu que está por dentro.

Ainda bem que o líder se apoia na Jota, mesmo que seja por necessidade, porque permite que voces mostrem o que valem. Aproveitem!

PP disse...

Comungo da opinião do Rui, em relação ao comentário do Claúdio Almeida.
Esta atitude de frontalidade e de assumir que dentro do PSD há quem esteja "colado à cadeira", temendo o sangue novo, indispensável à evolução e renovação de um partido, de uma sociedade, é de salutar.
É de frente que se resolvem os problemas.

Agradeço o convite do Cláudio, e só não o aceito, de imediato, pois não tenho estômago para lidar com "agarrados às cadeiras".

Cumprimentos

Diogo disse...

Como já foi aqui feito, gostaria também de "salutar" o meu colega Cláudio Almeida da forma como encara um dos problemas do PSD. Para se executar boa politica há que ter sobretudo uma consciência politica. Há que encarar os problemas do próprio partido como uma realidade.

Quando às desavenças que se criam dentro do partido, na minha opinião, é uma coisa que se deveria evitar ao máximo! Um partido tem de cativar a população, tem que se identificar com as pessoas, é muito importante que mostre estabilidade. Com que imagem ficam as pessoas quando olham para um partido e conseguem perceber que se encontra dividido? Basta de partidos internos... e não ser que o objectivo seja desnutrir o partido...