30 dezembro 2006

II Cimeira Euro-Àfrica

Portugal, bem como a União Europeia (UE), encontram-se empenhados na promoção da realização da II Cimeira UE – África, por alturas da presidência de Portugal da UE, no segundo semestre de 2007.
A primeira Cimeira realizou-se no Cairo (Egipto) em Abril de 2000, e coincidiu com a anterior presidência de Portugal dos países da zona euro, tendo então, ficado agendado, novo encontro para Lisboa no ano de 2003. Tal encontro não se concretizou, por divergências entre países Europeus e Africanos, quanto à presença, nessa reunião, do presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe.
Este ditador continua a governar a seu bel-prazer essa ex-colónia Britânica, continuando, portanto, a constituir um possível entrave à realização, em clima de amizade e cooperação, desta importante reunião.
O nosso primeiro-ministro, que chefiará a presidência da UE, já asseverou que Mugabe não será um problema, pois será convidado, mas que para isso será necessário “alterar uma posição comum da UE”, que proíbe que o referido ditador pise solo Europeu.

É caso para perguntar; serão os benefícios da sua (Mugabe) presença, e consequente viabilização desta Cimeira, superiores à “posição” assumida pela União Europeia relativamente a este ditador e às suas politicas, contrárias ao Direito Internacional e aos Direitos Humanos?

Admito que a minha primeira resposta, dada por impulso, foi a de um claro NÂO.
Depois de reflectir um pouco sobre a questão, dei por mim a ponderar um SIM, pois pensei, entre outras coisas, que a não realização de tal encontro seria mais uma “pequena” vitória de Robert Mugabe, dando-lhe uma importância que ele não deve ter.

Existem assuntos como a imigração, a SIDA, a fome e, até, as ditaduras que ainda persistem naquele continente, além das guerras civis e entre países vizinhos (como esta semana entre a Etiópia e a Somália), que não podem ficar à espera que Mugabe “caía” ou morra, pois cada dia que passa verifica-se mais uma hecatombe.

Se o preço a pagar para travar essa hemorragia, é convidar um ditador sanguinário e racista para se sentar à nossa mesa, pois assim seja, em nome de um bem maior, digo eu.

11 comentários:

Rui Gamboa disse...

Sem dúvida nenhuma, será um preço bem pequeno a pagar...

Agora, acho que o principal problema que a UE quer ver resolvido - num clima de cooperação com a África - nã é tanto os problemas internos africanos, como as guerras, etc. mas sim a imigração ilegal. É certo que tudo o resto é importante, pois no nosso mundo globalizado, os problemas que afectam directamente qualquer país, acabam por afectar os outros.

Veja-se a China, a abertura da economia chinesa benefeciou em 1º lugar a China, mas acabou por benfeciar a UE, portanto melhorar as condições de vida de qualquer país, é sempre um bom investimento. Neste contexto o interesse de Portugal é enorme pois tem nas ex-colónias um enorme mercado a explorar e Portugal tem um grande avanço em relação aos demais, que é a lingua.

Mas como digo, o primeiro grande interesse da UE em geral, é um interesse egoísta, é parar esse problema que é a imigração ilegal.

PP disse...

Antes de mais, Bom Ano 2007 para ti, caro Rui, e prós teus, e para todos os que por aqui andam.

Sem dúvida que a questão da imigração é a que nos (Europa) preocupa mais. Temos de travar essas massas humanas que fogem de África.
È justamente na palavra "fugir" que reside o problema.
A imigração não se trava sem criar condições económicas e sociais nesse continente.
Só evitando os refugiados políticos e de guerra (que existem devido aos regimes ditatoriais e ás guerras) conseguimos reduzir o número de africanos que procuram na Europa uma oportunidade, por vezes só para sobreviver.

A imigração é uma causa de vários problemas que se encontram a montante. São essas causas que têm de ser melhoradas.

E Portugal, como dizes e bem, tem interesses estratégicos e previligiados com as suas ex-colónias. Há que aproveitar as vantagens.

Quanto à China, ganhou ela, mas a Europa tem-se visto à rasca para equilibrar o mercado com esta invasão, que vai dos téxteis aos brinquedos.

É o preço a pagar por um mercado Global.

Rui Gamboa disse...

Meu caro PP,

Renovo, via blog, os meus desejos de Bom Ano para ti e familia.

A Europa não está toda à rasca com a abertura da economia chinesa, está Portugal e os países que andam na cauda da UE, agora os países nórdicos como a Finlândia, anteciparam essa abertura e passaram as suas unidades de produção parea lá usando o baixo custo de maõ-de-obra, mas com os direitos humanos a serem observados, e desta forma ficou mais próxima de um novo e enorme mercado como é o chinês, não houve, como se poderia pensar desemprego na Finlândia, por via das unidades de produção terem saído do país, isso porque a Finlândia tem aquilo que o Banco Mundial identifica como uma socieade de conhecimento, isto é, na Finlândia está agora o desenvolvimento técnico dessas empresas. Como é evidente e conhecido o melhor exemplo finlandês é a Nokia, assim as unidades de produção (fábricas) passaram para a China e o desenvlovimento técncico fica na Finlândia.

Uma sociedade de conheciemnto
e a única forma que os países europeus têm de competir a nível global com novos mercados como o chinês. A forma como os responsáveis finlandeses abordam esse problema difere logo do ínicio dos seus congéneres portugueses: os finlandeses veêm a abertura do mercado chinês como um desafio às suas empresas e um oportunidade de melhorar, os portugueses veêm como um problema, para o qual a solução deve passar pelo Governo implementar taxas à entrada de produtos chineses, protegendo, desta forma o negócio português, que de outra foema não é capaz de competir a nível mundial, mas isso é apenas uma fuga para a frente, não é uma solução definitiva...

PP disse...

Rui, os exemplos que referes fazem todo o sentido.
Eu não defendo um Estado, ou uma UE, fechada aos produtos chineses ou outros, até porque sou (essencialmente) consumidor, e como tal só tenho a ganhar com mais escolha a melhores preços.
Claro que se pode questionar a qualidade, mas eu como consumidor tenho o direito de comprar produtos de menor qualidade ou até com defeitos. è uma escolha minha, não do Estado.

Os (alguns) países Europeus, ou Ocidentais, podem apostar no "esquema" de "exportar" as manufacturas, ficando com a parte tecnológica da empresa/negócio no país de origem.
Países como os que referes, têm o know-how para fazê-lo. Têm um ensino de alta qualidade e eficácia, que aposta e investe na inovação e na pesquisa tecnológica. Logo essa lógica de exportar as fábricas é de uma lógica de 2+2=4.

O nosso país, mesmo depois destas última duas entradas (os mais pobres do bloco de antigo leste), continua a ser o que piores números apresenta de licenciados e alfabetizados, perdendo em todas as frentes nessas àreas. Quase sou tentado a dizer: "Que falta nos faz um passado de comunismo!". Blasfémia?
Isso para dizer que não temos os conhecimentos (nem capital) que nos permitam o tal "esquema", nem, digo eu, temos capacidade de sacrifício para fazer face a uns anos de penúria e de investimento, sério e objectivo/direccionado, para que nos possámos aproximar do "pelotão da frente" e entrar numa época de prosperidade, preparados para todos os desafios de uma sociedade/economia, cada vez mais exigentes e competitivas.

Rui Gamboa disse...

Que ligação há entre as univ´s e a sociedade empresarial em Portugal? Que ligação há, já agora, entre as univ´s ee o Estado? Nenhuma.

Existem, em Portugal, pessoas capazes, em todas as áreas, para fazermos face às exigências do futuro, disso não tenho dúvidas, mas é preciso haver condições para os fazer produzir.

Nós vemos essas fábricas todas as fecharem e a sairem do país e ficámos todos chateados, mas o que fazer? Deixar que pagem menos impostos para ficarem? Não, nós não podemos competir com salários mais baixos.

O exemplo que dei, não tem um passado muito rico de ensino. Na Finlândia, em meados dos anos 90, o ensino não era como o actual, éra mau e nãofuncionava. A Finlândia entra na UE em 1995 e antes disso é feita uma refexão a nível nacional, com todos os membros da sociedade a contribuirem para encontrar a solução. A solução foi investir no ensino e melhorar o futuro, à custa do presente. Funcionou em menos de 10 anos. Foi feito um esforço nacional, o chamado "apertar o cinto". Utópico? Só para nós.

Por isso é que vejo em portugal, hoje algo parecido, Sócrates está a reformular toda a sociedade, mesmo sem haver consenso e a tal contribuição de todos. Mas parece haver uma tentativa, é preciso é dê os resultados.

Enfim, eu não sei, ao certo oque é preciso fazer para se atingir um nível tecnico para se poder competir no mundo globalizado. Sei que a actual situação não funciona, o proteccionismo que os empresários estão habituados, vai acabar por ser 'descoberto' aliás já está, com os chineses. Sei que a solução passa por uma reformulação da política portuguesa, que implica esforços, agora são precisos estudos de mercado (isentos) para encontrar as melhores áreas para investir, onde temos vantagens. É algo que atinge toda a sociedade, portanto não é fácil, é complexo.

Deixa-me só voltar à imigração. Com o problema demográfico actual na Europa toda, a imigração pode ser uma solução rápida, mas nunca será a final. Trará smepre conflitos sociais. A solução passa por investir no aumento da natalidade, mas não como a Alemanha quer agora (dá até €25.000 por nascimento), a solução passa por dar condições às pessoas para terem filhos. Como? As mães (ou pais) poderem ficar em casa mais tempo com os filhos sem ir trabalhar, creches perto de casa, com condições e acessíveis, etc. Enfim, acho qeu as pessoas querem ter filhos, se não os têm é porque não têm condições para isso, não têm com quem deixar para ir trabalhar, não têm dinheiro para a educação, etc. Se esses €25.000 forem investidos em dar essas condições, tenho a certeza que as pessoas vão ter os tais 2.1 filhos por casal necessários para renovar as gerações.

PP disse...

Pois é meu caro, exemplos em Portugal de cooperação entre Empresas e Universidades, conheço o programa "Estagiar", que fornece as empresas com recém licenciados, pagos pelo Estado, e que, depois do tempo referente ao programa, são convidados a sair ou a renovar contrato, nunca a entrar para os quadros das empresas.

Também existe, infelizmente, no empresariado, a ideia do excesso de licenciados, e daí a não valorização dos conhecimentos que adquiriu e da mais valia que este pode representar para o futuro da empresa, preferindo o esquema refrido atrás ou um curso técnico mais económico.

A imigração? Já aqui volto.

PP disse...

A imigração é, nesta questão, das deslocalizações, um problema acrescido, pois as fébricas eram alimentadas com essa mãe de obra. E agora?
A resposta é uma realidade cada vez mais pesada para os emigrantes na Europa. Mas, na baixa natalidade, pode residir o resposta para o problema. Há que manter uma sociedade, que decresce de geração para geração.

PP disse...

Se a opção é deslocalizar as fábricas dos países Europeus, porque não instalá-las em África, em especial no norte de àfrica, que, além de ser mais estável politicamente, fica a uma curta viagem de barco da Europa.
Assim, poderiamos evitar alguma da imigração de cidadãos deste continente para a europa.

Que esta Cimeira Euro-Àfrrica traga soluções para alguns dos males que provocam estes exodos em massa.

Rui Gamboa disse...

Essa será uma das grandes batalhas dessa cimeira, criar condições para investir em África.

Este fenómeno chines está a acontecer porque: em 1º lugar houve a abertura da economia, com Deng Xiao Ping, mas principalemente porque a UE (mais veemente) e os EUA, apadrinharam a entrada deles na OMC (Org. Mundial de Comércio) e, devido a isso, a China teve que cumprir uma série de exigencias, tanto a nível de Drts do Homem, como diminuição do peso estatal, como abertura de áreas vitais (como petróleo) a empresas estrangeiras, etc.

E, para fechar o ciclo deste post, para haver sucesso nessas medidas, não basta o interesse das super-potencias, é preciso que haja vontade política dos governates desses países, e assim voltamos ao Mugabe.

Foi um bom brain-storm, este. Eh eh.

Rui Gamboa disse...

E já agora, o nosso PR está na India, não à toa. Porque é um tipo que está alerta a essas questões, não fosse um dos melhores economistas da nossa praça. A abertura da economia indiana, aliada ao enorme mercado que ali começa a surgir, faz com que aquilo seja um mar de oportunidades a serem aproveitadas. E foi isso que ele foi lá fazer.

Se por altura da passagem de Macau para a China, o Jorge Sampaio tivesse tido a visão economicista do Cavaco, talvez os portugueses tivessem algum investimento na China, é que consultando o Eurostat vê-se que Portugal é dos poucos países europeus que não tem nada investido na China, é triste.

PP disse...

Meu caro Rui, o nosso primeiro ministro está na China, com empresários portugueses convidados.
Pode ser que daqui saiam investimentos em ambos os países.

Uma aproximação, áquela que será, daqui a 10 anos, a segunda maior economia do Mundo.

O nosso ministro da economia é que não se está a sair muito bem.!! Logo o da pasta da economia!?!?

Cumprimentos