27 abril 2007

E Agora, Lusitânia?

Como Açoreano, e como pessoa que aprecia desporto, foi com pesar que ouvi um destes dias, a notícia de que o Sport Club Lusitânia está, novamente, com dificuldade para pagar os ordenados aos jogadores da sua equipa de Basquetebol.

Não esqueço, no entanto, que este Club recebeu um subsídio de 100 mil euros do Governo Regional dos Açores, para “promoção de produtos agrícolas/ hortícolas”, pelo menos assim foi descrito. Eu, e outros, desconfiamos da atribuição de um subsídio desta natureza, ainda mais dado por uma Secretaria Regional que não a do Desporto, a um clube desportivo. Desconheço o destino dos tais 100 mil euros, mas uma auditoria às contas do Clube, retiraria a dúvida. Eu, enquanto contribuinte, sinto-me com autoridade para pedir um esclarecimento.

A pergunta agora é: e desta vez, como se vão pagar os ordenados aos jogadores?

Será que agora vai aparecer um subsídio para a produção dos produtos, que não podem ser promovidos sem antes serem produzidos!?!?

Gosto de desporto, mas os clubes têm de viver com os “pés assentes na terra”, têm de subsistir com os seus recursos, têm de construir equipas com jogadores que possam pagar com as recitas que produzem. Não podem estar sempre a recorrer à mama do Governo.

2 comentários:

Rui Gamboa disse...

O Lusitânia tem tido um percurso muito bom, inclusivamente ganhou um campeonato este ano (penso ser a final 4).

No entanto, não se podem dar passos maiores que a perna e parece ser essa a situação. Não conheço a equipe, mas vejo no jornal os nomes e nos 10 jogadores que vão para jogo 7/8 são norte-americanos, profissionais, que saíram das universidades, ou seja: não são, concerteza, jogadores baratos.

Dito isto, será legítimo ao Lusitânia reclamar apoios do Governo Regional, apoios suplementares, digo? A minha resposta é, como será evidente, não. Tudo tem um preço. E se levar o nome dos Açores (e dos produtos agrícolas açoreanos) a ganhar a Final 4 do campeonato nacional de basquete, quer dizer dispender mais dinheiro, então não vale a pena. Até porque, convenhamos, o basquete não tem (nem) metade da visibilidade que o futebol tem. Por isso cai por terra o recorrente argumento - que é de todas os praticantes de modalidades, ditas amadoras - de quererem mais dinheiro, porque é dado às equipes de futebol, mais. E não quero com isto, justificar, aquilo que também acho ser errado, que é dar dinehiro (ao desbarato) a clubes de futebol, sem se proceder a averiguações sobre onde ele é gasto. Agora, não tenho dúvidas que se deve investir no desporto, onde há mais interesse e parece-me evidente que o maior interesse está no futebol, desde as camadas mais novas, até aos séniores.

Resta saber, se o Secretário que deu o outro subsídio tem mais crédito, para dar outro. Senão pode sempre haver outro Secretário, que faça parte da equipe que gere o SC Lusitânia.

E já agora, parabéns ao Lusitânia pela tal conquista, até porque foi contra o FCP, o que é sempre bom.

Pedro Lopes disse...

Caro Rui, de facto a equipa de basquetebol do Lusitânia tem feito um época excelente, por isso está nos play-offs.

Tu dizes quase tudo.

Mas sabes que para jogarem o primeiro jogo dessa final a 4, teve de haver a intervenção da Federação de basquetebol, que accionou um fundo qualquer, para pagar parte dos ordenados em atraso. Caso contrário os melhores jogadores (Americanos, por sinal), recusavam entrar em campo.

Mas penso que o Lusitânia tem, depois, de pagar à Federação, isso, além de continuar com ordenados em atraso.

Ou seja, louvo a prestação da equipa de Basquetebol do Lusitânia, mas não posso tolerar que estes resultados sejam conseguido à custa de jogadores muito caros (caros de mais para as recitas do Lusitânia), e que os seus ordenados venham a ser pagos por mim, por nós, enquanto contribuintes para o Orçamento do nosso Governo. É daí que saem os apoios (que se não em excesso, e bem direccionados, não me oponho), e os subsídios da mais diversa ordem para as mais diversas entidades.....e nós a olhar.

Tem de haver controlo e contensão nesses apoios.

De resto, já que lá chegaram, que vençam a final e que tragam a taça para os Açores.