05 maio 2007

A Menina Inglesa

A menina Inglesa a que me refiro no título é, como podem calcular, a pequena Madeleine de 3 anos, que foi, segundo diz o responsável da PJ pela investigação, alegadamente raptada num empreendimento turístico em Lagos, onde passava férias na companhia dos pais e de dois irmãos, gémeos, de 2 anos de idade.

Noticias deste cariz, envolvendo crianças, deixam-nos a todos com um aperto no coração, com uma sensibilidade acrescida, na medida em que estas não se podem defender, e porque sentimos uma enorme revolta perante pessoas que são capazes de cometer crimes desta natureza.

Dito isto, e afirmando-me solidário perante a dor e desespero dos pais de Madeleine, não posso, no entanto, branquear ou deixar passar como um facto de somenos importância, a circunstância desta menina e dos seus dois irmãos, terem sido deixados numa situação de (semi) abandono, e que as coloca numa situação de negligência, a meu ver, grave.

E é tanto mais grave, na medida em que é praticada por um casal de médicos, o que por si só atesta uma formação superior, e uma, julgo eu, inerente responsabilidade acrescida e cuidados redobrados, pois a profissão assim o exige.

É inadmissível – e na Lei de Promoção e Protecção de Crianças e Jovens que vigora em Portugal, pode ser motivo (de negligência) suficiente para que uma criança seja retirada aos seus pais –, que se deixe, ainda que por breves minutos, bebés de tão pouca idade, vetados ao abandono, ainda mais tratando-se de três.
A palavra abandono justifica-se neste caso, na medida em que os pais destas crianças se ausentaram do espaço onde estas se encontravam, não havendo nenhuma possibilidade de ouvirem o seu choro ou de as socorrer caso fosse necessário. Foram jantar com os amigos, e prescindiram, inclusivamente, da supervisão de uma baby-sitter (incluída no pacote que compraram no aparthotel onde estavam instalados), alegando que se deslocavam ao quarto de meia em meia hora, alternadamente, para ver como estavam. Será suficiente? O que pode acontecer durante 30 minutos?

Seguramente que este peso de alguma responsabilidade, ainda torna a dor dos pais mais intensa. Mas “ a ocasião faz o ladrão”, e no caso em apreso o ladrão tem outro nome, raptor, e as mórbidas razões que o levaram a cometer tal crime, transformam este caso num drama que nos afecta a todos.

Talvez por isso, por me sentir tão afectado – pois também sou pai –, não tolere que pais conscientes, informados e com formação superior, deixem três bebés de 2 e 3 anos sozinhos naquelas circunstâncias.

3 comentários:

Rui Gamboa disse...

Não podia concordar mais. Por muito responsável que seja a pequena, para a idade que tem, a verdade é que não pode fugir à sua condição de ter, apenas, 3 anos. Falas no que pode acontecer em meia hora, eu pergunto o que pode acontecer em 5 minutos, ou num instante?

É totalmente inadmissível, que pais, com a tal formação superior, cometam tal imprundência. Se alguém os fosse dizer que, talvez não fosse boa ideia deixar os pequenos sózinhos, tenho a certeza que a reposta seria algo do género "vai nos dizer como educar os nossos filhos?" ou "ela está habituada, ela sabe muito bem o que deve, ou não, fazer"

Dito isto, falemos deste crime que é abominável. Não consigo conceber a frieza que é necessário a um ser humano para praticar tal acto. Se, de facto, se tratar de um rapto e parece que sim, pois a janela estava forçada, então espera-se um sinal do raptores. Senão trata-se de "roubo" (será esta a palavra?) da criança, para outro fins, que nem quero pensar quais, mas que sabemos que existem...´estes casos parecem-me, sem dúvida nenhuma, mais graves que o rapto, por muito difícil que seja cometer um crime mais grave, que raptar uma criança de 3 anos.

Entre as duas possibilidades, espero que seja a primeira, que se negoceie com os raptores e que a pequena volte para os pais, isso é, neste momento, o mais importante.

Qual a punição para alguém que, provadamente, leva uma criança, para fins desconhecidos, sem intenção de a "devovlver" aos pais?

Pedro Lopes disse...

Caro Rui, a angustia destes pais, é, seguramente, indescritivel, e ninguém deveria experimentar uma situação destas.
Como dizes, é de uma crueldade gritante, que alguém pense, e pior, seja capaz de executar um crime destes, rapto.

Ao contrário do que supões, este rapto (a subtração de qualquer pessoa, independentemente dos fins ou propósitos, é considerado rapto) não tem como fim um pedido de resgate - assim o diz a PJ de Faro -, o objectivo é, pensam eles, o rapto para fins de exploração sexual, o que o torna ainda mais macabro.

Sendo assim, poderemos estar na presença de vários crimes, sendo que o de rapto parece ser já uma certeza, infelizmente.

Daí, ser ainda impossivel prever qual a pena em que pode incorrer o possivel autor deste rapto, pois dependerá de se saber quais os fins que motivaram este crime bárbaro e hediondo.

Aguardamos por um final menos mau para este drama familiar....que será a entrega da menina sem sequelas destes dias de reclusão.

Diogo D. disse...

Segundo notícias de última hora o suspeito do rapto da menina é um cidadão inglês.
Em 90 ou 91 houve um rapto de uma menina, também no Algarve, que apareceu morta. O seu raptor e assassino era inglês e já se encontra em liberdade há alguns anos.
Não querendo ser muito negativo temo seriamente que esta criança seja mais um Rui Pedro.

Um outro assunto que diz respeito a este tema é o controlo que se está a fazer nas fronteiras, que na minha opinião não é nem será eficaz. Primeiro, porque nem todas as fronteiras estão a ser controladas, pois não é possivel. Segundo, porque as que estão a ser controladas foram divulgadas pelos meios de comunicação social, logo quem quiser escapar não é assim tão dificil. Em terceiro lugar, se o raptor quisesse abandonar Portugal por terra teve imenso tempo até à altura em que começou o controlo de algumas fronteiras.