12 janeiro 2009

Do Poder dos EUA

Nas palavras do ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros francês Hubert Vedrine, os EUA são actualmente a hyperpuissance, ou seja, com o fim da URSS e da Guerra Fria passaram da posição de uma das superpotências, para a posição da única hiperpotência.

Façamos, então, um pequeno exercício (desculpando as devidas diferenças): vamos transpor a actual realidade internacional para uma situação hipotética dentro de um país. O que teríamos era uma sociedade dividida em grupos, fossem famílias, ou outra coisa qualquer, que representariam os Estados no actual sistema internacional. Haveria um quadro legal, mas cada um desses grupos teria a sua própria força policial. Ora, haveria um grupo/família que teria uma força policial muito mais poderosa que as outras todas e, inclusivamente, era esse grupo que fornecia a sua polícia sempre que houvesse problemas que os outros não pudessem resolver. Evidentemente, esse grupo/família são os EUA no actual sistema internacional. Então, porque razão esse grupo não age como bem entende? Porque razão, sequer, se dão ao trabalho de encontrar justificações quando precisam de ir buscar a outro grupo qualquer bem que necessitam para a manutenção da sua superioridade? No actual sistema internacional, estamos a falar, por exemplo, da justificação que os EUA precisaram encontrar para invadir o Iraque. A resposta reside na Democracia que impera nos EUA. O escrutínio que todos os governos estão sujeitos nos EUA é que os faz agir (ou tentar agir) dentro dos limites do Direito Internacional. A opinião que a comunidade internacional tem, é pouco mais que um input de pouca importância.

Porque os EUA funcionam com valores democráticos, mas com o sentimento de superioridade em relação ao resto do mundo, acabam por dar o seu apoio à ONU, que representa a nível internacional o respeito pela Lei. No entanto, esse apoio vai só até certo ponto, a partir do momento em que a superioridade em relação aos outros Estados é colocada em causa, então o respeito pelo Direito Internacional passa para segundo plano, é a manutenção da posição de liderança que passa a ser a prioridade. E tal como no nosso país imaginário, haverá duas formas para os outros lidarem com essa situação: ou tentam colocar-se ao lado do grupo/família dominante, ou enfrentam-o.

2 comentários:

pedro lopes disse...

Rui, ao inicia a leitura do 2º parágrafo, pensei que ias fazer uma analogia entre as relações dos Estados vs Máfia. Convenhamos que não seria completamemte descabido....

...acrescentar que os bombistas suícidas e os "seus" aviões também condicionam um pouco esta super - ou hiper -, potência.

Rui Rebelo Gamboa disse...

Pois, esta seria uma teoria que teria de ser desenvolvida, porque nada é assim tão simples. Aliás, o actualmente está-se a forjar um novo paradigma internacional que não corresponde ao apresentado no texto, o Estado-nação, tal como o conhecemos, tende a desaparecer e a dar lugar a sistemas de integração, como a UE, que partem de um princípio de cooperação económica, mas depois, seguindo a linha funcionalista, rapidamente alastram a sua área de intervenção.

De qualquer das formas, parece-me ser possível fazer a tal analogia, onde o próprio terrorismo pode ser incluído, vejamos: no país imaginário que falo, organizado em grupos/famílias, o terrorismo seria uma espécie de grupos crimininosos que agem fora do contexto conhecido, agem utilizando meios diferentes, por forma a conseguirem os seus objectivos.

Em relação à tua proposta de uma analogia Estados vs. Máfia, pois seria uma questão de mudar os nomes, teríamos um país dividido em pequenos organismos, com forças diferentes.

A questão é transpor o actual sistema de relacionamento internacional para uma realidade estatal. O problema é que não há individualismo, só poderíamos agir em grupo, tal como no actual sistema internacional onde o individuo não tem lugar, só através dos Estados ou de Organizações (ONG's, empresas, etc.) é que se pode participar no relacionamento internacional.

Enfim, é o que dá ter muito tempo para devaneios ;)