14 junho 2009

Turisticamente falando...

A tradição e a experiência acumulada ao longo de centenas de anos fazem toda a diferença eu sei, afinal Winston Churchill passou lá férias, assim como muitos outros nomes sonantes, mas a diferença que separa o arquipélago dos Açores do arquipélago da Madeira, turisticamente falando, é abismal! Começa no profissionalismo dos recursos humanos, pessoas que dependem e fazem do Turismo uma carreira como outra qualquer, e acaba nas políticas orientadas e concertadas entre entidades públicas e privadas. Se queremos qualidade, os Açores têm um longo caminho a percorrer a partir daqui, e os desafios são mais que muitos. Exemplos: formação profissional, ao nível técnico e humano, investimento privado, inovação empresarial e empresários empreendedores, infra-estruturas adequadas à nossa dimensão e realidade, preservação da nossa identidade, entre tantas outras coisas.
O futuro começa já!

16 comentários:

Mestre disse...

"políticas consertadas"?!? tipo políticas que estavam avariadas e que tiveram de ser reparadas, qual carrito com mais de 150.000 kms.

Não seria "políticas concertadas" que queria dizer?

Isso está complicado. Está, está.

Pipocas e Caramelos disse...

Pronto o erro já foi emendado. Se calhar o que ele queria dizer era qualquer coisa do estlo de arranajar as políticas e ão congregá-as. Digo eu que de turismo não percebo nada. Mas posso dizer que aqui na Madeira as políticas de turismo precisam de ser consertadas, pois apesar de termos magnificas infraestruturas, estamos a ficar demasiado artificiais no contacto com o turista, perdendo-se aquilo que sempre foi apanágio madeirense: a genuinidade dos produtos regionais e preservação dos recursos naturais.

Anónimo disse...

Caro Luís,
Uma das melhores características do empresário da Madeira é o seu empreendedorismo e capacidade de risco, que falta nos Açores, é tudo subsidiado, e quem fica de fora adopta o discurso da revolta.
Gostei do teu post!

Pedro Lopes disse...

Caro Luís,

a Madeira não tem "centenas de anos" de Turismo. Segundo sei, o seu arranque deu-se na década de 40 do sec. XX. A 2ª grande guerra teve ai um papel importante, com algumas familias a mudarem-se para lá, construíndo grande casas e quintas. Algumas delas são actualmente Hóteis de luxo.

Quanto ao turismo nos Açores, essa aposta já vem de há uns anos a esta parte, por isso o fururo já deveria ter começado. O problema é que demos passos maiores do que as pernas, pelas razões que apontas e pelo investimento - que eu já aqui critiquei -, em grandes hóteis concentrados nos centros das cidades, quando o que de melhor temos é natureza e mar para o turista desfrutar.

Também nos faltam infraestruturas, e recursos hhumanos qualificados (como ben referes) mas não as que existem na Madeira, pois o turismo que ali se "prova" e vende, não pode ser transposto para a nossa realidade. (Por isso sou um grande critico do futuro Hotel Casino, por isso e pela sua localização e dimensão).
Desde logo porque somos 9 ilhas e temos muito mais para oferecer, daí ser importante as tais medidas concertadas...mas entre privados, e não sempre com a benção do Governo Regional. Doutro modo não será viável a longo prazo.

Um ex ministro das finanças disse há dias, em entrevista ao Açoriano Oriental, que em termos económicos os Açores devem aproveitar/ potenciar o seu mar e não os seus prados. É obvio que se referia à economia centrada na lavoura em oposição às pescas e outros recursos maritimos. Mas o turismo deve tb ir de encontro a esta premissa pois com 9 ilhas e a maior ZEE da UE, é com o mar que nos diferenciamos. Isto, para além das nossas lindas paisagens, que não podem ser só verdes prados com vacaria. Ainda mais numa altura em que as cotas leiteiras tendem a acabar e são os produtos lácteos de excelência que vingarão no mercado comunitário.

A Madeira - que conheço bem -, tem também magníficas zonas naturais, mas a sua orografia faz com que as construções fiquem demasiado empilhadas e os tuneis e viadutos são mais que muitos. Facilitam a mobilidade, mas ferem a paisagem.

Posso classifivcar a Madeira como um destino de massas, tal qual as Canárias. Mas os Açores, pelo seu clima e relativamente pouca oferta de divertimento, não poderão (ou deverão) ser. E ainda bem, pois temos de apostar num mercado de excelência, com turistas que cá venham para apreciar o descanço e comunhão com a natureza, e possa vivenciar experiências que jamais esquecerá, e que não possa ter noutra paragens.

Bem ,já vai longo o comentário.

Cumprs.

Anónimo disse...

E imperatriz Sissi, aquela maluca não ia passar férias para a madeira no século 19? Gente fina é outra merda.

Josefina esposa legítima de Napoleão Bonaparte, sem Silva disse...

Estão todos enganados!!! O turismo para a Madeira começou há milhares de anos. Com efeito, depois de há trinta e cinco milhões de anos uma erupção vulcânica, fazer nascer uma ilha no Oceano Atlântico e da lava erguerem-se espectaculares montanhas cobertas de densa floresta e luxuriante vegetação, os descobridores não tiveram dificuldade em escolher o seu nome, Ilha da Madeira.

Tem-se conjucturado, mas sem provas evidentes, que os Fenícios descobriram a Madeira num período muito remoto. As menções de Plínio de umas certas Ilhas de Púrpura, a posição que tinha como referência as Ilhas da Fortuna ou Canárias parecem indicar a Ilha da Madeira.
Plutarco(Sertorius,75 A.D.) refere que o Comandante militar Quintus Sertorius quando regressou a Cádiz, " ele conheceu um marinheiro que tinha chegado de ilhas atlânticas, em número de duas, divididas uma da outra por um canal e estavam distantes da costa de África 10,000 milhas. Eles chamaram-lhe Ilhas Bem-Aventuradas." A distância estimada de África, e a próximidade das duas ilhas, parecem indicar as Ilhas da Madeira e Porto Santo.


É hoje opinião geral que em 1419, a mando do Glorioso Infante D. Henrique "O Navegador", o Arquipélago da Madeira, que já era citado em 1350 no Libro del Conoscimento e representado em mapas italianos e catalães do século XIV, foi redescoberto por João Gonçalves Zarco e Tristão Vaz Teixeira, com o fim de suprir as crónicas deficiências do Reino em cereais e também para que servisse de apoio à expansão marítima de Portugal.

Assim, desde o século XV, a Madeira desempenhou um importante papel nas grandes descobertas portuguesas, tornando-se também famosas as ricas rotas comerciais que ligavam o porto do Funchal a todo o Mundo Atlântico.

Desde essa altura, há TURISMO na Madeira, embora nao conste na lista de turistas qualquer SISSI, talvez algum pseudónimo, por se andarem a ver muitos filmes de czares. Aliás, isso seria uma coisa que eu saberia pois, como ainda ando no reino dos vivos, certamente a família teria comentado.

Luís Almeida disse...

Anónimo das 16:11,

Concordo em absoluto que o empresário da Madeira, salvo as excepções, é mais empreendedor e afoito do que o empresário açoriano e não está à espera que os organismos governamentais o financiem.

Pedro Lopes,

Quando se apoiou a construção de hotéis na malha urbana de PDL achavam que seria o mais correcto, depois os autocarros fariam deslocar os turistas aos locais de maior interesse, se calhar agora faz todo o sentido em distinguir o que é turismo de cidade do turismo de campo, no entanto não sendo eu um especialista, contribuo com a minha modesta opinião.

Não acho a Madeira ainda um destino de massas, é certo que tem muito turismo (aliás em decréscimo este ano), mas comparativamente às Canárias...

Eu também sou totalmente contra o casino em PDL... No resto do mundo este é um sector em decadência, e nos Açores não há indicador nenhum que possa confirmar o sucesso. Bom, se o CRonaldo vier cá passar férias poderá arrastar algumas meninas, como se viu agora em Las Vegas, quem sabe?

Anónimo disse...

Para madeirense, a sra não sabe muito sobre a sua ilha, pois todos os madeirenses orgulham-se do facto da Imperatriz Isabel da Áustria, mais conhecida como Sissi, ter tido, pelo menos, duas longas passagens pela Madeira, de forma a tratar os seus crónicos problemas de saúde. Aliás, há uma estátua da nobre senhora na pérola do atlântico, da autoria do grande Lagoa Henriques. Moi, que não sou da Madeira nem nunca lá estive, não sei em que localidade ao certo se encontra a estátua, mas aqui pode-se ver uma foto.

http://dizedores.blogspot.com/2009/02/lagoa-henriques-1923-2009.html

Att.
Francisco Fernando

Josefina esposa legítima de Napoleão Bonaparte, sem Silva disse...

senhor anónimo luis Fernando

Eu não sou madeirense. Quem é madeirense, pelo que vi acima, é Pipocas e Caramelos. De qualque maneira agradeço a informação que você já deveria ter prestado, uma vez que não consta dos livros da família essa tal Sissi (embora conste uma Isabel da Austria), cujo nome só sei, por existir um desses filmes delico-doces para os plebeus com esse título.

Josefina esposa legítima de Napoleão Bonaparte, sem Silva disse...

Senhor anónimo Luis Fernando
A prima Isabel de Austria, casada com FRANCISCO JOSÉ I, passou o inverno de 1860 na ilha da Madeira, segundo informação da minha dama de companhia e secretária particural, a quem ordenei que fosse confirmar a precisão dos factos. Temos mesmo cá em casa uma pequena pintura onde se vê a prima a desembarcar. Correcção feita.

Pedro lopes disse...

Caro Luís,

tu não o referes, mas, de facto, na segunda metade do séc. XIX, médicos alemães e ingleses sugerem que a ilha da Madeira, pela amenidade do seu clima, era um bom local para tratar de doenças pulmonares, tais como a tuberculose. Mas era uma mão cheia de aristocratas os que ali se deslocavam na esperança de recuperar de males respiratórios. Não se tratava de turismo. Quanto muito, de uma estância terapêutica.

Ainda antes, no séc. XVII, a ilha já era conhecida pelo seu belo vinho e pela produção de açucar, o que fez com que muitos ingleses ali se instalassem por motivos puramente comerciais. Nessa altura também surgiram magnificos palacetes e quintas.

O turismo própriamente dito, inicia-se em meados do séc. XX, tendo por base o seu bom clima e localização geográfica, bem como a fama dos seus bordados, móveis e cestos de vimes, e claro, das suas belas paisagens.

Não é por acaso, que a escola Hoteleira da ilha só surge em 1967, de modo a formar gente qualificada para servir o cada vez maior número de visitantes.

Dizes tu que a Madeira não tem turismo de massas.! Eu digo o contrário, e tomo em consideração as mais de 35 mil camas disponíveis para turistas. Mais, segundo sei (de cabeça) a ilha da Madeira é a região do mundo com mais hóteis de 5 estrelas por Km2.

Se o arquipélago da Madeira tivesse mais ilhas e mais praias (só tem o areal de Porto Santo), digo-te que ombreava com as Canárias no que toca a número de dormidas.

cumprs.

Luís Almeida disse...

Caríssima Josefina,

penso que os seus reparos dirigem-se ao comentador Francisco Fernando ???

Além de Winston Churchill em 1950, acompanhado da mulher, Clementine, ter passado uns dias na
Madeira, ficando instalado Reid’s
Palace Hotel, fundado por uma família escocesa no século XIX, consta que seu filho Winston Churchill Junior passou por lá a sua lua de mel. A Madeira foi desde longa data ancoradouro de navios britânicos a caminho das Índias, onde também se abasteciam do afamado vinho. William Shakespeare refere-se numa das suas obras à ilha.

Luís Almeida disse...

Pedro,

Revelas factos que eu desconhecia. Falar em turismo com centenas de anos é uma forma genérica e quiçá pouco rigorosa, eu sei, mas a intenção é acentuar a longevidade do bem receber madeirense, que não apenas simpatia e sorriso no canto da boca.

Quando comparado com o turismo nas Canárias, as estatísticas são díspares. A Madeira tem 35 mil camas... as Canárias têm aproximadamente 75 mil camas, 12 milhões de turistas/ano com tendência para crescer, logo a Madeira dista ainda um pouco destes valores insuportáveis.

Quanto a escolas hoteleiras, devido à exigência do mercado turístico, já devíamos estar mais avançados com um local condigno onde a escola pudesse funcionar... os anos passam, mas as oportunidades perdem-se.

Josefina esposa legítima de Napoleão Bonaparte, sem Silva disse...

senhor Luis
Obviamente que me referia ao Francisco Fernando que na sua pressa trocou o nome do tio Francisco José, o que me levou ao erro. Por isso, penitencio-me.
Eu já sabia do Querido Winston, até porque tal consta do álbum de família e a prima Mary, mãe da prima Isabel, actual rainha de Inglaterra, tinha informado em carta manuscrita tal facto. Açliás, consta nos circulos familiares que o dear Winston, num daqueles seus banhos prolongados disse, de charuto numa mão e brandy na outra algo sobre os "mother f..." dos madeirenses um dia irem ter por causa daquela baía uma qualquer festa com fogo de artifício. Premonitório, como sempre, aquele querido!

Kik disse...

É um facto que temos um longo caminho a percorrer na construção do Destino Açores e aproveitar alguns dos ensinamentos que existem aqui tão perto, creio que a Madeira não pode ser uma meta, eles têm especificidades próprias e construiram o seu caminho, os Açores exigem outro tipo de intervenção mais não seja pelas caracetrísticas geográficas do próprio arquipélago, mas não é só.
Infelizmente a política de Turismo dos Açores continua a ser uma miragem, na prática zero, vejam os exemplos do Casino e da grande aposta no segmento de Golfe. Aos solavancos não vamos lá!

Anónimo disse...

o turismo tá decadente em todo o mundo, não há monim, as pessoas preferem ficar nos campings do que ir para os risorts