29 julho 2009

Na Pré

Dois apontamentos sobre cada um dos dois vindouros actos eleitorais (por enquanto apenas no âmbito do continente).

Autárquicas e o debate António Costa-Pedro Santana Lopes. Fresquinhos da guerra dos vídeos na net, os dois candidatos à maior Câmara Municipal do país esgrimiram ideias com clara vitória para o candidato social-democrata. António Costa tentou usar e abusar da táctica “você está nervoso, acalme-se”, não acautelando, porém, que Santana poderia usar isso a seu favor, como o fez. De facto, o eterno Santana assumiu-se como um homem com o sangue na guelra, mais hands on approach, ao contrário de uma abordagem passiva, de cadeira de gabinete. No entanto, o elemento vital terá sido as discrepâncias evidentes que encerra a candidatura de Costa. Santana percebeu que aquela coligação colada à cuspo está pejada de contradições e encontrou ali um filão que aproveitou até se lhe acabar o tempo. Helena Roseta pensa duma forma sobre um assunto, Sá Fernandes doutra forma sobre outro assunto, etc. Uma trapalhada. De resto, goste-se ou não do estilo (confesso que não aprecio), a verdade é que Pedro Santana Lopes tem a escola toda e se ganhar, estará novamente relançado politicamente. Até onde, é a questão.

Legislativas: Numa medida claramente eleitoralista e demagógica, Sócrates anunciou contas poupança no valor de 200€ para bebés nascidos a partir de Setembro. O truque está na impossibilidade de se tocar nesse dinheiro até se atingir a maioridade. Ou seja, ninguém beneficia, as crianças, porque daqui a 18 anos, o valor de 200€ ou 500€ será outro. Os contribuintes, os pais? … A banca? Apenas a certeza que estes governantes pensam que os eleitores são estúpidos, como alguém já disse claramente, pode explicar a aprovação duma medida destas. Se era para brincar, antes prometessem mais 150 mil postos de trabalho.

3 comentários:

Caseiro da Herdade do Tio Zé disse...

Caro Rui,
Meter o MPT, o PPM, Margarida Rebelo Pinto ( http://dn.sapo.pt/inicio/interior.aspx?content_id=604951 ) e Joana Lemos no Parlamento é uma contradição?
Foi o que o denunciador-mor de contradições Santana tentou fazer em 2004.
Cuidado com os esquecimentos selectivos.

Rui disse...

Meu caro, o problema não são as pessoas per se, o problema é o que cada pessoa pensa sobre cada assunto.

Quer comparar a ideia que a Joana Lemos ou a Margarida Rebelo Pinto têm para o país (se é que têm algumas), com as ideias que a Helena Roseta ou o Sá Fernandes têm para Lisboa? Não me parece comprarável. Estes dois últimos vivem e compreendem a organização pública e têm ideias próprias, que diferem, para cada assunto em questão, seja o Governo do país seja a Câmara de Lisboa.

Me caro, "personalidades" como a Joana Lemos ou a Margarida Rebelo Pinto fazem sempre parte de todas as listas. Olhe, na lista do António Costa está o Raúl Solnado e o Carlos do Carmo (julgo eu).

Não, o importante aqui são os políticos de verdade, os que decidem e pensam os assuntos e não esses bibelots que servem para encher lista e vista.

Latifundiário Patrão do Caseiro da Herdade do Tio Zé disse...

E aqueles 120 "intelectuais" que apoiam o Costa para a CML? Hã?! Quantos deles é que não estão à espera e sob a dependência total dos subsídios estatais? Estás quase despedido, Caseiro!