11 julho 2011

Dividocracia

O documentário "Dividocracia", transmitido ontem na SIC Notícias, sugere que os países sobre-endividados, como é o caso de Portugal ou da Grécia devem simplesmente não pagar. A tese é sustentada pelo conceito de "dívida odiosa", que data de 1927 e é da autoria do russo Alexander Nahum Sack e que se baseia no seguinte: "Quando um regime déspota contrai uma dívida, não para as necessidades ou interesses dum estado, mas em vez disso para reforço pessoal, para suprimir a inssureição popular, etc, esta dívida é odiosa para o povo e todo o estado. Esta dívida não obriga a nação... Os emprestadores cometeram um acto hostil contra o povo, e não podem esperar que a nação que se libertou de um regime déspota assuma tais dívidas odiosas, que são dívidas pessoais do antigo governante."
O documentário refere casos de outros países que usaram esse conceito e não pagaram a sua dívida externa: o Iraque, após a ditadura de Saddam Hussein e após sugestão e respectivo trabalho diplomático dos EUA e o Equador, que, como se sabe, tem reservas de petróleo.
Ora, na remota hipótese de nós conseguirmos "limpar" a dívida, não conseguimos, mesmo assim, resolver o problema estrutural do nosso país. O modelo que está implementado em Portugal, de saúde, de educação, etc., custa mais do que a riqueza que se produz. Um déficit constante. Logo, teríamos que recorrer novamente aos "mercados", mas desta vez certamente não nos emprestariam nada.
Fomos "convidados" a deixar de produzir bens de consumo. Caímos no engodo de receber fundos para não produzir. E remetemos a nossa economia para o sector terciário. Os nossos políticos têm que ser responsabilizados por isso.

5 comentários:

Flic Flac disse...

Subscrevo, até porque aquela brincadeira da "Noddy", apesar de especulativa, mais não fez do que alertar para esse problema que o Rui muito bem retratou. E, além disso, mostrou-nos que não deveremos seguir o caminho que o anterior Governo trilhou, sob pena de sermos efectivamente lixo.

Anónimo disse...

Caro Rui
Parece que a crise tem dado resultados, em termos de revolução no seu entendimento.
Quem diria que agora até o PSD, já defenda o não pagamento da divida, quando nem da reestruturação queria ouvir falar.
Não tardará, que até queiram uma revolução popular.

Rui disse...

1. Eu sou eu. O que eu escrevo é minha opinião, ponto.
2. Eu defendo o não pagamento da dívida?!?
Olhe que não!

Anónimo disse...

Caro Rui
hoje, todos(quase) são meninos bem comportados que querem pagar tudo(mesmo quando começa a ser irrealista).
Mas é interessante que a 6 meses do pagamento do imposto extraordinário(digo roubo)já começa a surgir vozes discordantes como as do PS e até do PSD e outros, embora, ainda obedientes e apesar dos milhões que ganham, já lhes salta o animal sovina que habita dentro deles, e já se começam a queixar( fará depois do pagamento)para o ano se vê a maioria PSD/CDS em que fica...
Continuar a bater no Estado social, como responsável desta crise, é não compreender(que para além do caso de Policia que foram os governos PSD/PS, com o PR Cavaco no saco...)que esta crise é antes de mais crise das politicas(ou da falta dela) da comunidade Europeia.
Sem mudança de politica as abarrotaras são em carrossel e o Euro e a CE já era...
Sem falar que os gastos com parcerias público privadas, ordenados e mordomias dos gestores, são muito mais gritantes e ao contrário do Estado Social, são socialmente criminosas e contraproducentes.
Mas já é meritório que entenda que com esta politica, levantar o país é uma quimera.

Anónimo disse...

Caímos no engodo de receber fundos para não produzir. E remetemos a nossa economia para o sector terciário. Os nossos políticos têm que ser responsabilizados por isso.


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Concordo inteiramente e sem reservas. Não obstante as evidências (acima) há por aí economistas que persistem em falar da subsidiodependência, mesmo quando os fundos destinados a tal coisa são escassos (e dentro de pouco tempo, inexistentes)