13 julho 2011

SATA Rally Açores. Que Futuro?


Esta semana corre-se na ilha de São Miguel mais uma edição do SATA Rally Açores, trazendo novamente até nós muitos dos melhores pilotos e máquinas da actualidade.

Como adepto incondicional desta modalidade, mas também como cidadão contribuinte, é com um misto de emoções que olho para o SATA. A minha veia de adepto dos rallys, constata que temos uma boa lista de inscritos, com muitos S2000 que garantem espectacularidade e, espero, portanto, competitividade e luta pelos primeiros lugares. No entanto, também do ponto de vista do adepto que há em mim, é com preocupação que vejo o constante decair da modalidade entre nós. Já lá vão os tempos em que tínhamos 60 ou mais concorrentes à partida da maior prova automobilística dos Açores. Sem dúvida que é um desporto extremamente dispendioso, pelo que não deve ser nada fácil montar toda a equipa necessária para se fazer o SATA. Acredito, aliás, que a larguíssima maioria das equipas açorianas perde muito dinheiro só para estar à partida.

Por outro lado, é também com muita preocupação que constato a total ausência de competitividade na modalidade nos Açores. Com efeito, e sem querer retirar qualquer mérito a ninguém, a verdade é que temos neste momento, nos Açores, o primeiro e os restantes. Eu, por exemplo, já raramente vou ver rallyes do regional, porque têm sempre um vencedor antecipado. Penso que era altura de se tomar alguma atitude para remediar esta situação, senão corre-se o real risco da modalidade simplesmente desaparecer entre nós. Como contribuinte, posso dizer que discordo do apoio de 85 mil euros que é concedido ao campeão regional de rallyes, com o intuito deste representar a região no nacional. Seria talvez mais justo repartir esse valor por mais equipas. Porque, o fundamental mesmo , neste momento, é reduzir o cada vez maior fosso entre o primeiro e os outros.

Sem qualquer tipo de saudosismo bacoco, diria que aqui há dez ou vinte anos atrás os rallys nos Açores eram verdadeiramente espectaculares. Além do facto que havia sempre, pelo menos, uma mão cheia de candidatos à vitória final, tínhamos também troços que se tornaram míticos. Todos nos lembramos da adrenalina ao ouvir os motores a descerem as Sete Cidades até chegarem até nós. Ou do fantástico troço do Faial da Terra. E mesmo o troço de Remédios, que apesar de ainda fazer parte do itinerário, já não é o que era. E, de facto, esta questão do desaparecimento dos nossos famosos troços de terra é algo que se deve pensar muito seriamente. Queremos, ou não, ter um bom e único rally em terra? Se sim, temos que proteger os nossos troços. Se não queremos, alcatroamos as estradas. Neste momento temos um “nim”. Ou seja, sim queremos um rally, mas não, não queremos manter os troços. É uma incoerência que não durará muito mais tempo. Mais tarde ou mais cedo, ou ficamos sem rally, ou passamos a proteger os troços.

Agora entra o lado frio de contribuinte. Coloco-me na pele dum cidadão açoriano que não tem qualquer interesse nesta modalidade. Será viável, neste momento de enorme crise em que vivemos, manter uma estrutura desta natureza? Sabemos que nós, contribuintes, através do governo regional, vamos entrar com um milhão de euros. Além disso há que contabilizar todo o apoio logístico que é dado pelo governo. E acima de tudo, o principal patrocinador da prova é a empresa de serviço público: SATA. Actualmente, a SATA está a praticar os preços mais caros que tenho memória para fora dos Açores. Regra geral, paga-se cerca de 320 euros para ir de Ponta Delgada a Lisboa e voltar. E vamos financiar uma corrida de carros durante 3 dias? Que retorno tem o SATA rally para a economia dos Açores? É esta a questão que queremos ver respondida.

O SATA rally é sintomático do problema estrutural que se vive nos Açores e em Portugal. Fomos habituados a ter um nível de vida que não corresponde à riqueza que produzimos. Daí que tenhamos que recorrer sempre ao empréstimo externo. Se demonstrarem cabalmente que, feitas as contas, o SATA dá lucro à região, sou o primeiro a apostar na sua manutenção. Mas, infelizmente, parece que neste momento o SATA é apenas mais uma megalomania de quem nos governa. E o buraco vai ficando cada vez mais fundo.

18 comentários:

Ricardo disse...

Bom Rui, se estás preocupado com os contribuintes que não são adeptos deste desporto, devido ao milhão que é disponibilizado para um grande evento a nível regional e nacional que promove e bem a nossa região, eu também fico preocupado com outras coisas.
O dinheiro que vai para o futebol neste país, desporto este que não me diz nada, o dinheiro que é gasto nas festas religiosas do Santo Cristo e a mais recente do Espirito Santo, também não me dizem nada, entre outras coisas.
O Rally dos Açores também já é uma tradição pois, já vai na sua 46ª edição e conseguiu chegar ao topo da modalidade em 2009 pois, acima do IRC, só mesmo o WRC.
O contribuinte que gosta de ver o seu futebol que muitas vezes é suportado pelo estado e do contribuinte que gosta de ir para as grandes festas religiosas que nem imagina quanto custaram à autarquia, não se lembram que também existem muitas pessoas que não querem saber dessas coisas que eles tanto gostam.

Rui disse...

A diferença é que os ralis são efectivamente para uma elite. O futebol e as festas de que falaste não.
No entanto, esse é um argumento sempre problemático porque uma coisa mal nunca pode servir para justificar outra também ela mal.
Eu reconheço o absurdo que é os apoios para clubes de futebol regionais contratarem uma data de estrangeiros. Para andarem a arrastarem-se nas divisões secundárias? Para ficarem todos endividados e depois saldar-se-lhes as dívidas? Não, uma coisa má não justifica outra má. Já as festas não servem sequer de comparação aqui: são o resultado do esforço de imensas entidades privadas e públicas e se o rally vai na 46ª edição, o santo cristo e o espírito santo fazem parte da identidade açoriana.

Não é viável o SATA? É isso? Porque se comparas com outras situações, como o futebol, que não são viáveis, é reconhecer que não é viável economicamente. Então não me venham com a conversa do eurosport e de toda a mediatização que daí virá e de toda a gente que nos visitará por isso.

Como sabes, sou adepto, adoro os rallys. Mas acima de tudo, estou muito mas muito preocupado com a situação de endividamento em que estamos metidos. Já nos começam a tirar subsídios de natal, vai-se aumentar IVA, etc. Porque fomos geridos até agora como se fosse possível viver para sempre acima das nossas capacidades. O crédito haveria de resolver sempre tudo. Não resolve. Mais tarde ou mais cedo teríamos que pagar as dívidas. E quando chegar esse momento, temos que ver o essencial do assessório e responsabilizar aqueles os políticos, todos os que tiveram responsabilidades, e que nos levaram a acreditar que podíamos ter este nível de vida.

E a SATA, Ricardo? Com quanto entra a SATA para este rally? Desde que César anunciou as passagens abaixo de 100 euros, que elas dispararam. 320 euros para ir a LX??? Mas, claro, alguém tem que pagar esses desvairos todos. Quem? O contribuinte.

Para mais, os rallis nos Açores actualmente são como o eucalipto que seca tudo à volta. Infelizmente.

Anónimo disse...

Enquanto não expulsaram o dentista dos rallys regionais não descansaram. Era sempre o mesmo a ganhar diziam. Acredito que muitos dos que vibraram com a vitoria do mourinha em 2008 agora falam mal do rapaz.

Eu também gosto destas corridas mas sei despir a indumentária afecta à condição incondicional de adepto (momento rui ferreiriano) quando é preciso. As verbas atribuidas nos tempos que correm são uma imoralidade como são imorais também os apoios ao futebol e outras modalidades que não contam com um único atleta regional.

Eventos desportivos devem ser suportados pela iniciativa privada. Não há iniciativa privada não há eventos, simples.

Anónimo disse...

Eis que alguém toca no problema em cheio. São sempre as pessoas, os nomes das pessoas. Inacreditável como as pessoas são provincianas nestes Açores. Este incapaz atrás não compreende que a questão não tem mesmo nada que ver com os nomes das pessoas. O dentista estava mal. E a vitória do outro na altura foi boa. Agora esse tal mourinha está na posição em que estava o dentista na altura. E ele tanto que falava mal do preparo do carro do dentista na altura. Que assim não dava. Que assim era impossível. E agora lá está ele. O problema não é ele nem o dentista. O problema é mesmo que um tem um carro e o uma equipa que custa mais que os outros todos juntos!!!
Aposto que qualquer um dos que andam nos ralis, o vale, o maciel, o sergio silva, quem for, pega no carro e na equipa do moura e faz o que ele está a fazer. Coloquem mas é um tecto ao que se pode gastar nos carros e nas equipas. nivelem isso. Ou têm medo de que????
Eventos desportivos devem ser suportados pela iniciativa privada? Este tipo passa-se. Cabe á ao governo com dinheiros públicos organizar desporto para manter os jovens com corpos sãos e para os afastar de outras coisas. Mas nunca na vida dar dinheiro para irem buscar brasileiros e para se ter equipas de futebol, como o operário e outras, que diz que são dos Açores, mas que treinam e fazem a vida toda no cotninente, porque acaba por sair muito mais barato trazer a equipa aos Açores de 15 em 15 dias para jogar, do que arranjar casa para esses marmanjos todos e na mesma leva-los ao continente todos 15 dias. Em todo o lado se protege os da casa. Era por um limite de 2 ou 3 jogadores formados fora dos Açores por equipa e pronto! De resto só açorianos. Não compreendem que é só coisas boas que daí viriam?!? Andaremos na nossa série Açores e não se conseguirá se manter nos nacionais? Pois pacieência. Mas com tempo há-de se chegar lá. Não é estando os nossos jogadores açorianos a verem da bancada que se vai a lado nenhum.
O post toca na ferida em imensos aspectos. Devia chegar a mais gente.

Anónimo disse...

Os eventos desportivos têm de estar intrinsecamente ligados ao associativismos, seja qual fôr o desporto, quando estamos a falar de competição claro. Uma competição acontece porque há um grupo de pessoas, de uma organização, sócios que têm gosto e empenho e investem, por isso surgem os clubes. são iniciativas privadas. é uam coisa que dá gozo a um grupo de pessoas, eles têm lá as suas razões e nós n temos nada com isso. E são estas pessoas que têm que investir naquele seu interesse em particular. Fundar um clube, dizer vamos competir, e depois pedir a todos os contribuintes, vá lá financiem aqui o nosso entretenimento, isto não faz sentido nenhum, nem com massas sem massas e ah o futebol e a identidade nacional, ou seja lá que desporto fôr! é inadmissivel pedir aos contribuintes para pagaraem interesses particulares e individuais que é o que se passa na maioria dos desportos de competição nos Açores. Todos os argumentos de levar os Açores e o nome dos Açores mais longe desvanecem-se nestes dias dificeis em as famílias fazem contas ao dinheiro como nunca fizeram.

Anónimo disse...

eu quero é rallys pra ire bêbêr à fartazana. concordo que o geverne dê dinheiro prá gente ir bêbêr para o rallye. Assim como a diz o atoleimado do anônino das 14H19 o geverne deve dare dinheiro pra os jovens sâns de curpe. A minha fêma também tem um corpo sân como o milho.

Anónimo disse...

« organizar desporto para manter os jovens com corpos sãos e para os afastar de outras coisas»

Pelos vistos você não há maneira de se afastar daquilo que cá sei.

Jovens com corpos sãos...tá iasno!!!

Anónimo disse...

http://candilhes.blogspot.com/2011/07/mao-de-beicas.html

Anónimo disse...

Chegada a hora de mais um Rallye Sata e lá temos de gramar com as críticas ao mesmo por parte dos pseudo comentadores cibernéticos.

Este diz-se adepto mas ao mesmo tempo dá para baixo. Outro também se diz adepto e que se despe todo (isto anda mesmo muito calor...) e que é tudo um escândalo e mais não sei o quê. Ora bem, chegados a mais um inicio dos pontapés na bola não se lê nada a criticar os gastos do erário público para a bola. Curioso ou talvez não...

Anónimo disse...

este mourinha nao tem onde cair morto onde vai buscar o guito para ter a garagem cheia de carros e comprar palacios?

Anónimo disse...

O Horácio já passou?

Anónimo disse...

Quando o Nandim dos Dentes andava a limpar a cárie ao Horácio, ao genro e ao trintão moura que nada faz na vida falavam mal. Agora está melhor assim.

Anónimo disse...

Não esta mal começar a pensar nos gastos, mas que se englobem todos, até os com a religião e depois que se chegue a uma conclusão, quais são os que são benéficos para o desenvolvimento económico e cultural dos Açores?
Que o governo possa apoiar aqueles que tiverem uma mais valia para a região tudo bem, mas isto tem que ser feito com peso e medida.
Ser fundamentalista nestas questões é o principal caminho para não fazer nada, mas lá que se tem que repensar os apoios tem.

Licas Pimentel disse...

Sata Rally investimento ou não?!?!

O Rui ao dizer que é um desporto para elites confundiu-me. Eu andei a ver o Rally e não paguei nem um cêntimo para me divertir, para ver futebol de graça só mesmo na TV.

Quanto ao investimento acho que já se começa a ver o retorno do investimento. Uma volta nos bares das Portas do Mar basta para perceber o movimento gerado pelo evento. Claro que alguns só estão autorizados a ir às festas do Colisue e ao campo de São Francisco.

Mais interessante é ver a incongruência de uma líder de um partido que num dia se cola ao evento IRC Sata Rally a falar no esforço que a CMPD faz para apoiar o Rally e depois no dia seguinte vai dar uma volta de barco com a sua comitiva (Berta, Bolieiro, Andrade e Cláudio Almeida) a ver baleias e vem falar que o governo nada faz para incentivar o turismo e etc. Talvez a tia só ande pelo campo de São Francisco... há mais vida na cidade... Há um rally que traz vida e gente a esta terra, há imagens que vão correr o mundo, até ao Japão inclusive... há barcos que vem de outras ilhas e atracam no porto de cruzeiros, que tão contestado foi, com gente para ver o rally...

Formula 1 para os Açores! disse...

Com o César ainda vamos ter a Formula 1 nos Açores!

Anónimo disse...

Quanto ganha o Coelhão com este Raly? Agora que as coisas estão dificeis na universidade ha que aproveitar... Pq razão a agencia de viagens oficial é a do compadre e ex-presidente do Comercial? Pq razao é o genro do Coelhão responsavel pelo transporte? Come tudo do mesmo e nós é que pagamos!

etresendes disse...

300 pessoas de imprensa, grande parte de não locais, fazendo as contas cerca de 200/250 quartos de Hotel/Pensões; 13 concorrentes estrangeiros mais os co-pilotos, 9/10 continentais, mais os co-pilotos, 6/7 regionais do grupo central, suas equipas com mecânicos, que deve de dar cerca de 60/70, ora bem, dá cerca de 130 quartos, fazendo a soma, são cerca de 380 quartos; alimentação para essa gente toda, carros de aluguer; fora os que cá vieram para ir ver o rally e posso dizer que foram muitos, pois tive "in loco" nos troços e em Ponta Delgada e vi com os meus próprios olhos... Durante essa semana tivemos cerca de 3000 pessoas em São Miguel devido a um rally, a dormir nos nossos hotéis, a comer nos nossos restaurantes, a alugar viaturas nas nossas rent-a-car´s, a gastar dinheiro nas nossas lojas, a passear na nossa ilha e não só em Ponta Delgada (como acontece nos cruzeiros de passageiros que apenas ficam concentrados em passear pela Cidade); exportamos imagens lindas das nossas paisagens para todo o Mundo e ainda dizem que não é um investimento positivo???
Imaginemos agora que essas cerca de 3000 pessoas gastou em média 700 euros na semana toda (hotel, aluguer de viatura e alimentação)são cerca de 2100000 euros que ficam na Região...
Não era uma equipa de futebol dos principais clubes, que conseguia obter este saldo...
Quanto às festas, só mesmo o Senhor Santo Cristo que consegue ter maior retorno económico/turístico do que o Sata Rally. Sei que o Sata é um investimento caríssimo e "qui sá" poderia-se estudar melhor, para se gastar menos e fazer o mesmo, mas dizer que o Sata não traz retorno, acho a ideia um bocado exagerada...

Anónimo disse...

300 jornalistas é já um clichet por parte do GDC. Eram tantos os coletes laranja que mais parecia um comissio do Passos.

Destes 300 jornalistas (?????) contam-se meia dúzia realmente jornalistas.

Uma centena são fotografos pé de chinelo nas horas vagas. Mais uma centena são amigos de pessoas ligadas a jornais e radios.

Os restantes são pseudo entendidos na materia que passaram o rally a dizer: kopechiqui e gui wilkes. Ainda esperei que alguem dissesse gay wilkes mas não calhou. Fica para o ano.