07 fevereiro 2012

Antecipar as Eleições de Outubro

É com extrema preocupação que constatamos que o PS está já em plena campanha eleitoral. Estamos ainda no começo do mês de Fevereiro, as eleições são apenas em Outubro e o que vemos diariamente nas notícias é o candidato socialista Vasco Cordeiro em jantares-comício a fazer promessas eleitorais. Assistimos incrédulos ao que se está a passar. A crise já nos entrou pela casa dentro e a situação é para piorar e muito. Basta ver as notícias, o desemprego continua a escalar com dimensões atómicas. E em vez nos concentrarmos no essencial, continuamos com a lógica das festanças.

Como se esperava, o erro histórico que foi concessionar a maior obra pública a uma empresa externa aos Açores, está a multiplicar vezes sem conta os efeitos da crise nos Açores. A consequência directa dessa adjudicação a uma empresa estrangeira foi, como se sabe, e numa primeira fase, o estrangulamento do sector da construção civil, que teve como resultado a duplicação da taxa de desemprego: que era de 6.6% no 3º trimestre de 2010, sendo de 11.6% no 3º trimestre de 2011.



Mas o efeitos indirectos prosseguem, como um efeito de dominó, com quebras em todas as restantes áreas da Economia, com a redução do consumo e a incapacidade das pessoas pagarem os seus encargos. Resultado, estamos agora numa fase em que outros sectores económicos começam a despedir em massa, como é o caso da Marques a retalho, que esta semana vai mandar 150 trabalhadores para a rua. Para além disso, diz-se à boca pequena, que não há uma empresa nos Açores com saúde financeira, que todas terão de recorrer aos despedimentos. A frase mais ouvida entre os empresários é que não sabem se chegam a Outubro. Outubro, o mês das eleições, é visto neste momento como o ponto de viragem nos destinos dos Açores. E com alguma razão, digo eu. Porque, na verdade, os Açores sem governo neste momento. Carlos César já está a pensar no seu futuro fora dos Açores, como se vê nas consecutivas entrevistas que dá aos canais nacionais, e o candidato barra secretário da Economia, limita-se a fazer promessas e dar jantaradas, demonstrando que é totalmente incapaz de mudar os destinos dos Açores.

É que, senhor Vasco Cordeiro, se você quisesse podia tomar medidas concretas para inverter este ciclo de crise económica, de aumento exponencial do desemprego, de problemas trágicos para a maioria das famílias açorianas. Porque está no governo neste momento. Tem uma pasta fundamental, como é da Economia e é o candidato do partido que tem a maioria na Assembleia Legislativa dos Açores. Mas se calhar não pode. E não pode porque, por um lado, não é o líder do seu partido e, por outro lado, porque não tem a capacidade de mudar o que quer que seja. Porque o senhor Vasco Cordeiro fez e faz parte do governo que nos trouxe a este momento de crise em que estamos. Aliás, a prova que Vasco Cordeiro não tem qualquer capacidade para mudar alguma coisa é os jantares-comício. Que se traduz numa espécie de tentativa de conquistar as pessoas pelo estômago, pagando-lhes um jantar.

Então o que fazer? Vamos todos esperar até ao milagroso mês de Outubro, a assobiarmos todos alegremente para o lado e a vermos os Açores a serem lentamente destruídos? Vamos passar 9 meses de gastos supérfluos em jantaradas e campanha eleitoral, com um governo de gestão, que neste momento já não tem qualquer capacidade de governar os Açores? Não podemos. Não nos podemos dar ao luxo de esperar 9 meses por uma mudança. Precisamos das soluções e das medidas concretas de combate à crise já. Para ontem! Se todos os candidatos às próximas eleições falam em mudança e em novas pessoas, novas ideias, novas gerações para conduzir os destinos dos Açores, então estão todos de acordo sobre a necessidade de mudar, Partido Socialista incluído. Então, a solução apresentada por Natalino Viveiros no editorial do CA faz todo sentido: vamos tratar de antecipar as eleições, em vez de termos de esperar até Outubro.

Para concluir, reforçar a ideia que estamos efectivamente num momento muito grave e que a tendência é para piorar, caso não se faça nada. Todos os candidatos a liderar o futuro projecto político dos Açores reconhecem-no e todos Açorianos sentem na pele diariamente que dificilmente conseguirão aguentar mais um mês. Portanto, e em nome duma forma pró-activa e responsável de estarmos na vida, temos que arregaçar as mangas e começar a fazer alguma coisa já. Antecipem-se as eleições!

11 comentários:

Primo Bazílio disse...

É com imensa expectativa que assistimos à degradação do mamarracho que está incompleto na Avenida mesmo em frente dasorvedouro do Regime. Vai cair por si? Vai ser demolido? Vai cair quando o governo for demolido? O que aguarda Cesar para retirar a concessão aos autores de tão infesta obra?

Anónimo disse...

gosto de ver os que criticam a adjudicação das scut. iuminado rui explica lá como concessionavas a uma empresa dos açores? fazias "marosca" como a berta fez com os autocarros?

Anónimo disse...

Caro José Gonçalves
Que fez o PSD contra as Scuts?
Não foi Cavaco do PSD que começou as parcerias público Privadas?
Como quer que este governo de César, combata o desemprego se não existem politicas de desenvolvimento Económico no Governo do PSD/CDS e o Governo Regional tem autonomia limitada nas politicas de criação de emprego?
Se césar não consegui lutar com o desemprego nos Açores como quer que um seu delfim consiga?
E a Berta Cabral que ideias tem para os Açores?
Ou vá esperar pelas eleições para "inventar" a solução?
Não se preocupem com as eleições e comecem por arrumar a vossa casa e depois criem ideias válidas que mobilizem as pessoas e não continuem com esta dança da caça ao voto.

Bandeira Açores disse...

Primo Bazilio posso adiantar-lhe desde já que o dito mamarracho que iria ser um dia Casino nunca será debatido durante a próxima campanha e passo a explicar porquê.
O governo de Carlos César apadrinhou a obra quando concedeu a autorização para exploração dos jogos de casino na região. Do lado do PSD uma senhora que hoje é líder na altura fazia parte de uma entidade que aconselhou e ajudou a planear o acesso aos fundos necessários para iniciar tal obra, portanto, o silêncio sobre este assunto será benéfico a ambos.

Anónimo disse...

Anónimo das 02:20 horas

A sua fixação já atinge a psicose.
Não fui eu o autor de tão brilhante artigo que, naturalmente, subscrevo.

Das suas palavras, destaco esta frase:
"Se César não consegui(u) lutar com o desemprego nos Açores como quer que o seu defim consiga?"

Estou plenamente de acordo (finalmente, hem!). César é incapaz de combater o desemprego nos Açores e o seu delfim (não sei se se refere ao filho natural ou ao político, mas julgo que será este último) tambem não. Eis uma verdade que deverá apregoar aos quatro ventos, grite-a bem alto na praia, nas portas do mar, no avião, em todo o lugar onde haja gente: VASCO CORDEIRO É INCAPAZ DE COMBATER O DESEMPREGO NOS AÇORES!

É pois preciso confiar na única alternativa credível e acreditar que Berta Cabral tem ideias e capacidade para fazer dos Açores uma região melhor para todos. Vá e anuncie a boa nova.
Apareça sempre
J.G.

Anónimo disse...

Caro José Gonçalves
Infelizmente poucos lhe levam a sério, ou pelo menos, nada dizem no blogue...
Nesta conformidade devia ficar satisfeito por alguém(neste caso eu)ter paciência por debater os seus post.(a não ser que o seu blogue seja uma confraria tipo maçonaria?).
Seja como for é sempre bom que tenha um alter ego à sua altura, se os outros não nos consideram, que sejamos nós...
No que diz respeito à politica, estou farto de lhe dizer, não a veja com a paixão clubista e racionalize(que apesar de não concordar consigo) julgo que é capaz.
Berta Cabral é juntamente com Passos Coelho um caso de estudo como alguém totalmente inábil, para um cargo, pode vir a desempenha-lo.
Não se engane, a governabilidade dos Açores, está intimamente ligada ao governo da republica e nesta crise económica não é só Os Açores que criarão desemprego.
Não foi por falta de habilidade Politica que César falhou!
Se assim fosse era óbvio que Berta Cabral também falhava, pois é abissal a diferença qualitativa(em termos de habilidade de estadista). entre eles.
César falhou,como falhou Mota Amaral(igualmente bom estadista)mas ambos ficarão muito tempo no governo e se comprometeram com politicas erradas e compromissos comprometedores, para além de serem comprometidos com as politicas Nacionais dos seus respectivos Partidos, um com Cavaco Silva, outro com Sócrates.
O caso do desemprego tem que se olhar para a janela da Europa e os ventos que orientarão a comunidade, sem resolver a Europa de nada serve que os indivíduos se esforcem que o problema continuará a ser o mesmo.
Tudo o Resto é eleitoralismo para enganar o Povo.

Anónimo disse...

Berta Cabral vai criar «empregos»...

Claro!

Para a boyada que está aflita para pagar a casa e os cartões de crédito!

Anónimo disse...

Não sei, mas será possível que este Vitalino Viveiros seja o mesmo que foi secretário do Mota Amaral?
Talvez, pois não há azar, o tempo já passou e se ninguém mexeu nos "responsáveis" pela falcatrua do BPN, não será agora que um PSD será apanhado nas malhas da justiça!
Seja como for, será que alguém minimamente esclarecido, pensa que em tempo de Troika é uma eleição que irá resolver os problemas dos Açores?
Não sei se a razoável democracia do autor será suficiente para não fazer censura, se o fizer é mais um tiro no pé de quem não percebe que a verdade vem sempre ao de cima.

Anónimo disse...

Berta não consegue governar Ponta Delgada,como conseguira governar os Açores?
Não é Ponta Delgada uma das Câmaras insolvente?
A resolução do problema dos Açores passa ou por independência ou por resolução de Portugal no quadro da C.E(e para isso é necessário ajudar a mudar as politicas Europeias)ou fora da Comunidade.
Não ver isso é querer meter a cabeça na areia e fingir que vai tudo bem...

Anónimo disse...

Caro José Gonçalves
Muito pior do que fingir acreditar nas(pseudo) capacidades de Berta Cabral(e com isso tentar enganar o Povo)é perder a melhor qualidade, que era(embora a custo)o aceitar a democracia e as opiniões contrárias.
Agora caída a mascara, outra coisa não lhe resta do que ser um simplório, censor, sem qualquer rasto de dignidade, originalidade ou aceitação...
Que viva na Paz dos tristes.

Rui disse...

José, companheiro, obrigado por tão amáveis palavras em relação ao meu artigo ;-)