04 abril 2012

Os Carreristas Políticos do PS/Açores

De há uns tempos para cá criou-se um certo sentimento de incómodo da sociedade em relação aos políticos. As razões são várias e têm origem, evidentemente, nos abusos que vão sendo cometidos por alguns indivíduos que usam o poder para benefício próprio. Não é raro ouvirmos dizer que os políticos são todos iguais e que só pensam neles próprios. Mas, como em tudo, não se pode tomar o todo pela parte. Existem, efectivamente, muitos que têm agendas próprias escondidas. Mas, tenho a certeza que um largo número de pessoas está na política por razões altruístas e com um sentimento de dever público, de criar condições para melhorar as vidas dos nossos concidadãos.

Churchill dizia que a Democracia é o menos mau de todos os regimes políticos. E, de facto, a Democracia está longe de ser um regime perfeito. Tem muitas falhas por onde almas mal-intencionadas podem penetrar. Por essa razão, criaram-se uma série de mecanismos e organismos com o intuito de se controlar cada um dos poderes democráticos. Ainda assim, é virtualmente impossível estancar completamente o poder democrático de interesses perturbadores. Mas nós somos humanos e, no final do dia, sabemos sempre distinguir, através das atitudes, palavras e olhares, as intenções de cada um.

Os partidos são essenciais para as democracias. Por definição, os partidos são agremiações de pessoas que detêm visões comuns para a organização da sociedade e as respectivas formas para melhorar as condições de vida dos seus concidadãos. Por essa razão, os partidos têm essa marca distintiva ideológica que os separa uns dos outros. Também por aqui, não são todos iguais. Uns defendem mais intervenção do Estado, outros defendem mais liberdade para a pessoa. Uns estão à esquerda e outros à direita. Todos têm, porém, uma visão, um sonho de tornar a sociedade melhor, mais justa. Diferem apenas é na forma e no caminho a tomar.

Na génese, portanto, a militância num partido deve partir de um sentimento de partilha ideológica. Aderir a um partido por outra qualquer razão, que não essa, é desvirtuar o sistema democrático. É favorecer o interesse pessoal, em vez do interesse comum. É o egoísmo a prevalecer sobre o altruísmo. E aqui nos Açores torna-se fácil perceber quem é quem e o que cada um pretende da vida pública. Não podemos deixar de estranhar, por exemplo, que o PS-Açores tivesse aumentado exponencialmente o seu número de militantes desde 1996. Ou seja, desde que está no poder. Das duas, uma, ou súbita e estranhamente todos começaram a partilhar da doutrina socialista, ou aderiram foi ao partido do poder, movidos por interesse pessoais. Por outro lado, não podemos deixar de admirar a militância nos restantes partidos, em particular o PCP, o Bloco de Esquerda, o CDS e mesmo o PSD (apesar dos 2o anos de poder entre 76 e 96). Em qualquer um desses casos, a militância nesses partidos tem que ser considerada virtuosa. Ser-se de um partido da oposição, nos dias que correm, e dizê-lo abertamente, com tudo que isso implica, tem que ser um acto a ser reconhecido.

Por estas razões é legítimo desconfiar de alguns militantes socialistas. E falemos abertamente: como é possível que os principais líderes do PS Açores da actualidade nunca tenham trabalhado na vida? Seja Vasco Cordeiro, seja Francisco César, seja Berto Messias, seja aquele rol de assessores, admiradores, escribas e afins. Todos eles saíram directamente das cadeiras das faculdades (alguns nem acabaram os cursos) para a condição de governantes, ultrapassando muitos outros, verdadeiros militantes anónimos ou conhecidos, mas com provas dadas na vida real. Isto não é uma militância saudável. Isto não é uma sociedade em que o mérito é reconhecido. Isto dá um mau exemplo. Isto incita a não trabalhar. Mas, novamente, não podemos por os políticos todo no mesmo saco, porque nos outros partidos, a militância é apenas isso, militância. Com boa fé.

Mas isto, no fundo, é apenas normal. Muitos anos de poder leva a que os partidos no poder se apoderem da coisa pública. Por isso é que é essencial a alternância democrática. Porque os Açores precisam urgentemente de se higienizar destes carreiristas partidários que habitam nos locais de poder e decidem sobre as nossas vidas.

14 comentários:

Anónimo disse...

o primeiro ministro é o exemplo máximo desse carreirismo político.

Militante Verdadeiro disse...

Não vai haver higienização. Estes senhores serão reconduzidos como deputados, uma vez que os eleitores votam no partido e não nos nomes. E todos sabemos porque é que Francisco César é deputado...
Aliás, o povo açoriano também gostaria de ver renovação no PSD. Há deputados no PSD que não têm qualidade. Há deputados no PSD que já lá estão há tanto tempo que julgam ter o direito divino ao lugar. O PSD também se deverá acautelar quanto aos nomes que irá escolher. Vê-se que há por aí muita gente que se aproximou com cheiro de poder e alguns também já entendem que têm direito a um lugar. Onde andavam esses quando os militantes combatiam César e o PS? Agora os militantes capazes do PSD são afastados e vêm estes novos cheiradores de poder reclamar o seu lugar. Não se percebe esta ideia de que estes pseudo independentes são melhores do que os militantes mas o que vai acontecer é que serão preferidos. Um dia o tiro acerta no pé. Não se diga que não houve aviso.

Anónimo disse...

não há crarreiristas no psd que também sairam das universidades para os lugares? não rui. se queres ser verdadeiro critica os do ps e os do psd porque também os há!

Anónimo disse...

Esqueceu-se de incluir no rol de carreiristas políticos a Berta Cabral. Isso também é mau serviço! Assobiar para o lado sem olhar para o seu umbigo! Telhados de vidro... Enfim.

Anónimo disse...

O PPD/PSD nunca se renovou.
A própria Berta Cabral é sinónimo da decadencia de Mota Amaral e da agonia laranja nos Açores.
Na Terceira começaram todos à batatada. A gritar nos jornais.
A lider, que os quer domados é que vai escolher.

Rui disse...

Evidentemente já estava a espera de comentários do género. Mas eu preferia que, do conforto do v. anonimato, me dissessem em concreto quem. Como disse no post, falemos abertamente. Quem no PSD?

Anónimo disse...

No PSD os carreiristas são às centenas.

Alguns nunca fizeram nada na vida senão isto! ou seja, viver à custa dos contribuintes.

Claro que nos outros partidos a coisa é bastante semelhante, mas o carreirismo no PAS é já lendário.

Olhem para a Câmara de Ponta Delgada e para a Assembleia e depois digam-me qualquer coisa, pois tenho muito que revelar!

Bandeira Açores disse...

Para mencionar exemplos de carreirismo do PSD.

José Maria de Sousa (ex-presidente da Junta de Freguesia dos Arrifes)perdeu as eleições, mas arranjaram-lhe um tacho.
Reinaldo Arruda, ex-presidente da Junta de Freguesia das Capelas, agora trabalha por conta de uma empresa municipal.
Pedro Furtado, no mandato anterior foi vereador municipal, como não havia lugar para ele no mandato actual, lá arranjaram um lugar numa empresa municipal para o dito cujo.

Para mim isto também é carreirismo.

José Alves Silveira dos Santos disse...

Berta Cabral, Duarte Freitas, Humberto Melo, Costa Neves, Joaquim Ponte, Mário Fortuna, Claudio Lopes, Clélio Menezes, José Andrade,José Manuel Bolieiro, Mark Marques, Rui Melo quer mais?

Bandeira Açores disse...

Outro carreirista,
Miguel Brilhante, sociólogo, também foi docente e segundo consta um excelente docente. Primeiro chegou-se ao PS, mas ficou célebre pelo episódio da gravação da chamada telefónica de César, depois chegou-se ao PSD e desde então relançou a sua carreira a escrever discursos e crónicas.

Bandeira Açores disse...

Já esperava que o Rui não quisesse publicar o comentário que deixei onde enumero alguns colegas de partido que também considero carreiristas políticos.
Claro que o Rui sabe que o comentário não anda longe da verdade, mas por vezes é mais fácil ignorá-la e fazer de conta que os problemas só existem na casa dos outros.

Bandeira Açores disse...

Rui ainda não entendi se é por não teres tempo ou se a verdade te deixou com alguma indisposição, mas pelo andar das coisas duvido que publiques os meus comentários. E o certo é que tens poder para tal, no entanto, aceitei o desafio e do conforto do meu anonimato, sim porque sou um sacana de um anónimo, mandei uns bitaites tal como pediste. Toma e embrulha!

Rui disse...

Caro "Sacana de Anónimo",
Foi mesmo por falta de tempo que nao publiquei os comentarios. Eu so me reservei o direito de fazer aprovar os comentários, depois de ter sido alvo de insultos pessoais. Senão ficava aberto, como sempre esteve, aliás.
Quanto aos nomes que referiu, nenhum ou poucos podem ser considerados carreiristas partidários porque demonstraram qualidades nalgum lado antes de irem para onde foram. Além disso, nenhum deles é governante. Nenhum deles saiu directamente das cadeiras da faculdade directamente para nos governar, sem demostração de qualidades na vida real.
Alem do mais quem esta no poder e nos trouxe a esta situação de desastre que nos encontramos foram os socialistas, mais ninguem. Ou seja, eles ate podiam ter saido das faculdades directamente para nos governar, se tivessem feito um bom trabalho, eu n tinha nada dizer. Agora, como n fizeram, a minha leitura é que a razao pela qual estamos nesta situaçao é porque não foram escolhidos o melhores, foram escolhidos os carreiristas.
Tomei, mas n embrulhei e sempre com a minha cara a descoberto. Isso sim, é caso para lhe dizer a si, embrulhe!

Anónimo disse...

Caro Rui
Os carreiristas não são no "inimigo" e deixam de ser na nossa casa, quando assumem os mesmos vícios.
O Bandeira referiu e você não o desmentiu, que alguém perdeu as eleições e o PSD, para que ele não ficasse desempregado, lhe arranjou um lugar nas empresas públicas regionais ou em outro lugar.
Este comportamento independente da qualidade das pessoas(que se pode questionar) é favor politico que o PSD ataca quando convém como os boys do PS.
Enquanto não se tiver a mesma posição para dentro de portas que se tem com a prática dos outros partidos, não passa de demagogia e tentativa de manter tudo como até aqui, quando o PS está no governo é o que se vê, quando é o PSD, é um tal se aprontar para ultrapassar as trafulhices que o PS fez.