28 Maio 2012

86-60-86

São 86, mas 60 anos são mais actuais e popularmente demonstrativos de que as coisas não mudaram tanto quanto desejável. Faz hoje 60 anos que Salazar e um dos dois clubes do regime (o outro também é às riscas) foram humilhados na inaguração de mais uma obra regimental, escolha subserviente por causa da militância e do apoio incondicional do presidente do tal clube ao Estado Novo. 8-2 para a História e para o ódio visceral a que os derrotados votaram, desde então, os vencedores.   
Hoje, o regime, mesmo quando afrontado nas suas instituições, aceita as práticas e almoça com as pretensões do actual presidente do tal clube. Uma vez clube do regime, sempre clube de qualquer regime, com toda a tolerância que se possa imaginar. 86-60-86 é o padrão do modelo perfeito. Infelizmente, por cá, apenas ilustra a cauda da Europa.


  * Aquele senhor de bigode atrás do cavalheiro irado chama-se Abel.

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16 Maio 2012

A Queda do Turismo


Em todo o mundo, o sector do turismo está em ascensão. A organização mundial de turismo fala numa subida de mais de 5% no começo de 2012. No entanto, pelo contrário, e segundo os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística, o turismo nos Açores está em queda livre. No mês de Março registou-se uma quebra de 13.7% em relação ao ano passado. Uma autêntica desgraça, mas nada que quem ande no meio, não saiba e não sinta na pele.
É mais um sinal, no fundo, daquilo que temos vindo aqui a alertar há muitos meses. A situação económica açoriana é grave, muito grave e é necessário urgentemente uma mudança que sirva, desde logo, como elemento catalisador para unir os açorianos em torno de um projecto de salvação regional e, a médio e a longo prazo, que sirva para inverter a forma desastrosa como temos vindo a ser governados nos últimos anos.

Esta revelação sobre o forte decréscimo em termos de dormidas nos Açores vem demonstrar que a estratégia do governo socialista em relação ao turismo, se é que alguma vez existiu, falhou. A ideia no turismo e não só sempre foi a de esconder os problemas com dinheiro. Nunca se investiu verdadeiramente numa estratégia, mas sim mascarou-se a ineficácia com gastos abusivos. A este propósito, por exemplo, apenas este ano, o governo já gastou mais de 20 milhões em promoção e outras coisas que tais. Mas não se esperem resultados, nem turistas a visitar os Açores, porque gastar dinheiro desta forma é o que se tem vindo a ser feito, com os resultados que agora constatamos.

O governo socialista falhou porque não teve estratégia. Incentivou a construção e multiplicação de hotéis que estão agora ao abandono. Vendeu passagens aos nórdicos a preço de saldo, que vieram, viram, comeram e não voltaram. Fez-se um porto para cruzeiros em Ponta Delgada e querem fazer outro em Angra. E gasta, por esse mundo fora, milhões em promoção, não se sabe bem como.
As razões para este insucesso são várias e começam desde logo pelo preço absurdo das passagens aéreas. Num momento de crise que todo o mundo vive, evidentemente que um destino caro como os Açores, é dos primeiros a ser afectado. Porque, na verdade, nós andamos a vender gato por lebre. Somos vendidos no exterior como um destino de natureza intacta, que é verdade, com muitas belezas naturais, que também é verdade. Mas, chegados cá, a verdade é que os turistas têm muito pouco que fazer. Além do whale watching e das obrigatórias visitas às lagoas, pouco mais se pode fazer cá. 

Nunca se devia ter avançado para a construção em massa e massificada dos hotéis nos Açores, sem antes se resolver o preço das passagens. Nunca se devia ter avançado para a formação profissional em massa e massificada de jovens na área do turismo, seja na restauração, seja no atendimento, seja na gestão hoteleira. Claro que em ambos os casos, na construção dos hotéis e na formação profissional na área do turismo, o governo não pensou no desenvolvimento da região, mas sim no seu próprio interesse. Com os hotéis mostrou obra feita e vendeu imagem de progresso. Com a formação profissional, escondeu os números do desemprego. Como se isso não bastasse, o governo decidiu também fazer portos para navios de cruzeiro, ou seja, tirando directamente clientela aos hotéis, pois como se sabe o turista de cruzeiro não dorme nos hotéis. É a prova acabada que não há estratégia no turismo nos Açores, há apenas o fazer por fazer.

Agora, há que repensar toda a industria do turismo e minimizar os danos deixados pela governação socialista. Desde logo, e como sempre, a prioridade é baixar os preços das passagens aéreas para os Açores e depois reorientar os fundos comunitários que ainda restam, neste quadro de apoio e no próximo, para a criação de uma verdadeira industria de turismo. Ouçam-se os peritos na área e aproveitemos a nossa unicidade a nosso favor. Com uma estratégia, para onde todos remem para o mesmo lado, sob o auspício de uma liderança nova, forte e revigorada.

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09 Maio 2012

O mix dos Açores de 1996 e do Portugal de 2011


Uma instituição bancária que opera nos Açores, levou a cabo um estudo sobre a actual situação económica da região e o resultado é, simultaneamente, assustador, mas previsível. O estudo revela que, a já de si frágil economia açoriana poderá estar em risco de colapso em 7 das 9 ilhas. Apenas São Miguel e Terceira poderão apresentar condições credíveis para uma recuperação económica, mas desde que se conjuguem dois factores: uma recuperação económica no continente e a entrada de dinheiro da União Europeia na economia regional.

Assustador, de facto, mas previsível, porque há muito que vimos alertando aqui, neste espaço, sobre a forma pouco responsável como o governo regional tem vindo a gerir a coisa pública. Estamos a reviver nos Açores, precisamente o mesmo que se viveu no continente há um ano, quando cada dia a mais que Sócrates ficava no poder, representava um novo corte na riqueza das pessoas e, por outro lado, o que se viveu nos Açores em 1996.

As semelhanças entre aquilo que Sócrates fez no continente e aquilo que a dupla César e Cordeiro estão a fazer nos Açores são por demais evidentes. Senão vejamos; tal como Sócrates no continente, aqui nos Açores César e Vasco não têm uma verdadeira estratégia de desenvolvimento para a região. Têm apenas objectivos eleitoralistas e tentam constantemente passar uma imagem de paraíso, ao mesmo tempo que tentam adiar os problemas.

É impossível não fazer o paralelismo constante entre a desgovernação que Sócrates fez e que trouxe o país a esta situação e a desgovernação de César e Vasco Cordeiro que estão a levar os Açores a uma situação em tudo similar, agravada, como sempre acontece, pelos custos da insularidade.

Mas vamos a factos. Onde estão as falhas, em concreto, da desgovernação socialista de César e de Vasco Cordeiro?

Desde logo, no objectivo principal para o qual governam: em vez de governarem para o bem estar e desenvolvimento sustentado da população açoriana, governaram com o objectivo primeiro de serem reeleitos, de se eternizarem no poder. E esse objectivo reflecte-se na estratégia e nas acções que o governo realiza.

 A construção em série e em massa de equipamentos e infraestruturas à base de cimento e betão, que ultrapassam, em muito as reais necessidades da população, que demonstram laivos de megalomania, mas que são essenciais para o objectivo da reeleição dos socialistas, porque dão espaço na comunicação social para o devido corte da fitinha na inauguração. Aliás, fiquemos atentos às notícias regionais para vermos como até Outubro serão muitas as inaugurações que o governo vai fazer.

Depois há o erro crasso que foi alimentar a cultura do RSI também na lógica eleitoralista. Em vez de se seguir o programa na sua origem, tentando reinserir os indivíduos no mercado de trabalho, o governo decidiu continuar a dar e a dar ordenados a pessoas que não dão nada de volta à sociedade. O governo fez isso com receio que, se obrigasse os beneficiários do RSI a trabalharem, perderia os seus votos e das suas numerosas famílias. O governo preferiu manter e alimentar o mostro que hoje é o RSI.

E finalmente a asfixia do sector privado. O governo preferiu ser, ele próprio, o principal interlocutor da Economia açoriana, garantindo, deste modo, que todo e qualquer grupo empresarial tivesse que depender do próprio governo para se manter operacional no mercado.

Ou seja, o governo socialista de César Vasco Cordeiro conseguiu o que queria, fazer com que praticamente toda a população açoriana dependa directa ou indirectamente da sua continuidade no poder.

Mas, como facilmente se compreende, isto é uma total subversão daquilo que deve ser governação virtuosa a pensar nas pessoas. E o resultado está, pois, à vista, temos uma economia à beira do colapso, com um desemprego galopante, com famílias em incumprimento bancário e a devolverem as casas à banca, com as empresas a fecharem e uma crise sem precedentes na Autonomia Açoriana.

O mal está feito e é o resultado de 16 longos anos de poder.  Mas nem tudo são más notícias. Porque é efectivamente possível alterar o rumo das coisas e implementar um modelo de desenvolvimento nos Açores. Para tal é simplesmente necessário fazer a sempre saudável alternância democrática. É que, tal como aconteceu com César em 1996, os novos actores políticos chegam sempre com uma verdadeira vontade de mudar e trabalham realmente com o objectivo de melhorar a vida das pessoas. Tal como uma mudança política foi necessária em 1996, é necessária também uma mudança política em 2012.

O destino tem destas pequenas ironias. Carlos César tinha razão em 1996 quando dizia que muito tempo no poder é nefasto para os interesses da população. César é o Mota Amaral dos nossos tempos.

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07 Maio 2012

A Máquina de Lavar e os tempos políticos

Perguntaram-me hoje, em plena rua, qual a razão que me tem impedido de escrever assiduamente aqui na Máquina. Respondi com a habitual sinceridade.

E disse que, entre outras razões, o trabalho (sou funcionário público da administração central, numa área de ritmo 200 à hora) me tem impedido de acompanhar “em cima” os acontecimentos, de forma a, oportunamente, escrever sobre qualquer tema que me interesse, antes que alguém o faça e que mereça o meu acordo.
Depois, a isso ou por causa disso, alia-se alguma fadiga, sobretudo quando se descobre que não há nada de extraordinariamente novo por este recanto.
Com efeito, durante os últimos anos, aqui na Máquina fomos lançando a discussão e a opinião sobre um conjunto de temas que nos pareceram pertinentes para o futuro, antevendo que mais tarde ou mais cedo os mesmos iriam começar a escaldar no momento político.
Como demonstração disto, verifica-se que nos últimos dias, por exemplo, o deputado Artur Lima, líder do CDS-Açores, descobriu que a SATA era uma empresa low-cost fora dos Açores. Quantas vezes aqui na Máquina foi abordado o tema SATA, em diversas vertentes, incluindo o tratamento iníquo prestado aos açorianos e a sua atitude em mercado concorrencial?! Os nossos textos estão aí!
Afinal, os açorianos e o respectivo bem-estar devem ser lembrados sempre ou apenas na conveniência do tempo eleitoral?
A Máquina de Lavar nunca teve agenda política. A política da Máquina de Lavar é estar ao serviço dos açorianos sempre e em todo o tempo. E muito a Máquina lavou em tempos que eram de silêncio medroso, para uns, de silêncio cúmplice, para outros, ou de silêncio oportunístico, para mais uns tantos.
A Máquina de Lavar sempre emitiu opinião sem tabus nem medo. Opusemo-nos ao actual governo regional, naquilo em que dele discordávamos (quase tudo), da mesma maneira que denunciávamos, por exemplo, situações pouco claras no desporto português, boa montra do estado da Nação. Nada se deixou aqui de tratar.
Fomos pioneiros no combate directo e frontal contra o actual estudante José Sócrates, de triste memória para o País, alertando tudo e todos, quase panfletariamente, sobre as suas diatribes governativas, esperando que os nossos ínfimos e insignificantes textos contribuíssem para pôr termo à “chavização” do País, num momento em que a “omertà” era geral, políticos incluídos (Foi até engraçado alguns desses virem a terreiro após a derrota daquele clamar por vitória). Humildade de parte, a vitória também foi nossa e não apenas no segredo da urna.
A Máquina de Lavar tem, pois, cumprido o seu papel. Hoje, os seus escribas podem dar-se ao luxo de estarem tempos indefinidos sem escrever uma linha ou de escolherem temas menos mediáticos para reflexão. Eu optei pelo primeiro, o meu companheiro de jornada oferece-nos brilhantes textos semanais para ganharmos o futuro.
E é disso que se trata: hoje, é tempo de construir; hoje, é tempo de oferecer alternativas; hoje, é tempo de um melhor amanhã.
Venham, então, as ideias e propostas dos bravos homens bons da terra, já que nós estamos, e aqui continuaremos, sequiosos para reflectirmos sobre elas.
A Máquina de Lavar estará sempre ao serviço dos Açores.


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02 Maio 2012

O Exilado - Parte II

Ficamos a saber esta semana que os subsídios de natal e de férias vão voltar a ser pagos, progressivamente, a partir de 2015. Isto significa uma luz ao fundo do túnel. Significa que os esforços que temos vindo a ser obrigados a fazer, vão valer a pena e vamos, enfim, poder olhar para o futuro com alguma esperança. No entanto, 2015 ainda está longe e o caminho ainda será muito duro. 

Mas a história deve ser bem esclarecida e explicada, de modo a nunca mais cairmos neste tipo de desvario político que nos conduziu a esta crise. Temos que recuar ao Estado Novo e a Salazar e ver que, durante os 41 anos de ditadura, a dívida pública portuguesa era residual e as contas públicas exemplares e controladas. Só que com um enorme esforço para a população portuguesa, que vivia na mais profunda pobreza. 

Com a revolução de Abril, foi necessário trazer o país para o século XX e isso exigiu investimento público e o consequente agravar da dívida pública. Assim, os governos de Portugal nos anos 80, com Cavaco Silva, e nos anos 90, com António Guterres, governaram o país com o intuito de dar melhores condições de vida à população. Todos seguiram as suas agendas, de acordo com aquilo que acreditavam. Muitos exageros foram cometidos por todos os governos, sem excepção, é certo. Mas acho que ninguém pode por em causa que esses governantes conduziram a política portuguesa com o objectivo de melhorar as nossas vidas. Foram honestos do ponto de vista da governação, pensaram no país global e não nos próprios. 

A melhoria das condições de vida em Portugal teve, no entanto, um custo e a dívida pública subiu bastante. Basta dizer que em 1974 a dívida pública rondava os 15% do PIB nacional e que em 2005, 30 anos depois, já rondava os 70%. Mas não há comparação possível entre o Portugal de 1974 e o Portugal de 2005. Estamos a falar de realidades completamente diferentes, de um país pobre e escuro em 74, para um país com boas condições de vida e, de certa forma, feliz em 2005. De um país em que apenas uma minoria tinha acesso à Educação, para um país onde qualquer pessoa pode, se quiser, tirar um curso superior. Aliás, este crescimento foi, muitas vezes, descontrolado. Mas foi necessário e teve resultados. 

O problema do descontrolo das contas públicas acontece a partir de 2005, com a dívida a passar dos tais 75% para mais de 100% em pouco mais de 5 anos. E sem grandes benefícios visíveis para a população, que hoje em dia mantém, essencialmente, o mesmo nível de vida que tinha em 2005 – aliás hoje somos mais pobres. Então o que aconteceu a partir de 2005 e que nos trouxe a esta situação de crise que nos obriga a esforços monumentais e problemas gravíssimos na nossa economia? O que aconteceu foi a eleição de José Sócrates. 

Sócrates assumiu a governação de Portugal não para defender o interesse da população em geral, mas sim os interesses de pequenos grupos económicos. Ele alimentou clientelas à conta do erário público e ao mesmo tempo viu que Portugal se aproximava perigosamente do abismo. Em vez de recuar, não, continuou em frente. Sócrates não foi inconsciente. Não se pode dizer que destruiu a economia de Portugal de forma irresponsável. Não, Sócrates sabia muito bem o que estava a fazer e fê-lo em nome do seu próprio interesse e daqueles que o colocaram no poder. 

Hoje vive como um pequeno rei em Paris de França. Diz-se que vive num dos bairros mais luxuosos da capital francesa, que come nos melhores restaurantes. Como é que isto é possível? Se fizermos as contas, sobre aquilo que se sabe, e somarmos tudo o que Sócrates ganhou na sua vida profissional, não dá para fazer a vida que faz em Paris. Então de onde vem tanto dinheiro para viver assim? Pior que isso, ele deixou o país nesta terrível condição, em que os portugueses estão a pagar impostos altíssimos, estão sem dinheiro, estão sem emprego e ele foge para Paris?? É, no mínimo, uma falta de respeito por aquilo que nós estamos aqui a passar por sua culpa. No máximo, daria direito a uma investigação criminal séria para se apurar a sua responsabilidade.  E é inevitável não estabelecer uma comparação entre ele e o outrora também exilado em Paris Mário Soares que Rui Mateus descreve nos seus Contos Proibidos.

Que nos sirva de lição para o futuro e que percebamos bem que Passos Coelho é, no fundo, mais um português como todos nós, que aqui está a pagar a conta deixada por Sócrates e a tentar tirar o país deste buraco. Passos Coelho e o seu governo, tal como cada português, está a pagar a pesadíssima herança que Sócrates nos deixou.

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01 Maio 2012

Perigo e beleza

 
No meio do canal, a atracção da calmaria enfeitiça o espírito de tempestades.

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27 Abril 2012

SATA e RTP .... Açores

Nesta semana estão na actualidade duas das principais empresas públicas dos Açores e cujos futuros têm que ser necessariamente debatidos em nome da nossa própria identidade Açoriana: a SATA e a RTP/A 

Comecemos pela SATA. Hoje, não temos dúvidas, uma das principais razões para o atraso crónico dos Açores em relação ao resto do país e da Europa, é a distância física que nos separa do continente e o preço que custa percorrer essa distância. Os preços que a SATA e a TAP praticam para levar e trazer passageiros de e para os Açores são um absurdo. É um absurdo, por exemplo, que uma passagem de Lisboa para Moscovo, ou outra qualquer capital da Europa, seja mais barata que Lisboa para Ponta Delgada.

Assim, e porque as eleições regionais estão aí à porta, o preço das passagens aéreas será o tema chave para a vitória em Outubro. O governo regional do PS é o responsável pela actual situação da SATA, nomeadamente a Secretaria regional da Economia, que tutela a área. Ou seja, mesmo apesar da sua estranha saída de secretário de Economia, o preço das passagens aéreas é uma herança de Vasco Cordeiro. A SATA foi mal gerida politicamente ao longo destes últimos anos. Tem servido como albergue de emprego e como instrumento para o PS se manter no poder, em vez de fazer serviço público. A SATA precisa, por isso, ser reorganizada e mantida, tendo em vista um objectivo apenas: baixar os preços para servir convenientemente os interesses dos Açorianos e continuar a ser este elo de ligação entre nós. 

Que soluções apresentam os candidatos? 

O PSD já apresentou a solução que pretende implementar: segundo Berta Cabral, com apenas 1% do nosso orçamento anual, consegue baixar os preços das passagens para valores aceitáveis. Uma solução que garante a continuidade da empresa, mas que exige, de qualquer forma, uma reestruturação. Já quanto ao PS, a ideia parece ser a vinda das low cost. Não devemos nunca colocar nenhuma hipótese de parte e as low cost são uma solução a pensar, sem dúvida. No entanto, estranha-se muito que só agora o PS fale no assunto, 16 anos depois de estar no poder e a 6 meses do fim ciclo. Só podemos interpretar esta hipótese low cost como um trunfo eleitoralista, atabalhoadamente atirado, para dar resposta à solução concreta do PSD. É que, pensemos bem, a abertura das rotas entre o continente e os Açores assim de repente, representaria garantidamente a morte da SATA com tudo que isso representa em termos de desemprego e perda de uma empresa que existe e serve os Açores há mais de 50 anos. 

Outra empresa que faz parte da marca da identidade da região é a RTP-Açores que, soube-se esta semana por portas travessas, vai mesmo avançar para a redução da transmissão já a partir de Maio. Não se percebe, antes demais, a falta de informação sobre o que se está a passar na RTP/A. A nova direcção entrou e ainda nada fez. Ou melhor, vai fazendo, mas sabe-se apenas porque ouve-se falar. A nova direcção ainda não teve uma intervenção pública que se saiba a explicar aos Açorianos o projecto que têm para a nossa televisão. E devem-nos isso. Custa muito, também, ver a RTP-Açores ser deixada ao abandono, principalmente por parte do governo regional. Se o governo de Lisboa decidiu vender a RTP casa mãe e reduzir os canais regionais a 4 horas, cabe-nos a nós defender os nossos interesses e a nossa televisão. E não custa muito. É que segundo os dados oficiais, o custo anual da RTP/Açores são 13 milhões. Lisboa deverá estar disposta a financiar pelo menos dois terços desse valor. 

A pergunta que devemos fazer ao governo regional é se não pode financiar o resto? Cerca de 4 milhões de euros por ano. Se pensarmos que o Orçamento anual dos Açores são 1.4 mil milhões de euros, 4 milhões representa cerca de 0.3%. A RTP/Açores não é importante ao ponto de merecer 0.3% do dinheiro que o governo regional gasta anualmente? Já agora, em vez de 0.3%, porque não dizer 1% e aumentar o financiamento da RTP Açores, permitindo melhorar o serviço? Claro que a RTP/Açores merece ter esse financiamento. 

Que tipo de Autonomia é esta que depende que Lisboa nos pague tudo? Nós podemos assegurar a continuidade da nossa RTP. É tudo uma questão de prioridades. Em vez de se gastar, por exemplo, milhões em obras de cimento e betão, que tal dotar um mísero por cento do nosso orçamento para garantir o futuro do nosso canal? É tudo uma questão de prioridades e objectivos, e das respectivas estratégias para as por em prática.

A prioridade deve ser sempre o interesse dos Açorianos e o objectivo o nosso desenvolvimento económico. Neste contexto, é do interesse termos a SATA a praticar preços baixos e manter bem viva a RTP/Açores a dar-nos informação independente diariamente. Estas duas empresas devem estar acima de qualquer luta política-partidária.

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25 Abril 2012

É só fumaça

Num regime autoritário, a regra é impor silêncio aos cidadãos e é também regra impor o festejo das datas que o mesmo entenda como convenientes para a prossecução dos seus fins.

Num regime democrático, há liberdade responsável de pensamento, de escolha e de participação e existem valores que são de todos e, por isso, inapropriáveis por um qualquer grupo de cidadãos que se julgue acima dos demais, o que por si só os colocará no mesmo patamar das práticas de um regime autoritário.

No entanto, em qualquer um destes regimes, as pessoas de bem cumprem as obrigações resultantes dos contratos celebrados com outrem, jamais se escudando na falta de interpelação pelo credor ou em qualquer lacuna legal para se furtarem ao respectivo cumprimento.

A ética pratica-se, não se invoca para os outros. O resto é só fumaça.

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19 Abril 2012

Congresso do PSD/A - O melhor elogio veio do PS

A semana política fica marcada por dois factos de capital importância para o futuro dos Açores. Com o aproximar das eleições regionais, os principais actores vão se movimentando de acordo com aquilo que são as suas estratégias, valorizando qualidades e mais-valias, e minimizando ou escondendo defeitos e falhas.

Comecemos por Vasco Cordeiro. Para todos os efeitos, a impressão das pessoas oscila entre a indiferença, o desconhecimento do seu percurso, a ideia que é uma pessoa bem formada e a certeza de que pertence ao atual governo. Como sempre, o juízo das pessoas é o correcto e efectivamente, se tivéssemos que descrever o candidato socialista em duas palavras, seria isso mesmo: alguém que, apesar de transparecer boa impressão, é-nos indiferente, mas é do governo. E o próprio Vasco sabe, porque tem estudos de opinião, que as coisas são, de facto, assim. Por isso, e na linha de valorizar qualidades e minimizar defeitos, protagonizou um dos tais episódios da semana: a sua demissão de Secretário da Economia.

Vasco, ao demitir-se, tenta demarcar-se dos fiascos da responsabilidade da Secretaria da Economia. O processo do transporte marítimo inter-ilhas, que, passados todos estes anos, mantém-nos dependentes do aluguer anual e caríssimo de navios. A encomenda dos navios Atlantida e Anti-Ciclone. O processo da ASTA e o casino que está ali parado na Calheta em Ponta Delgada. E acima de tudo a SATA. Os preços elevadíssimos das passagens que nos castram qualquer capacidade de desenvolvimento. Nós estamos nesta situação dramática de desemprego e empresas a fechar em catadupa, por falhas do governo regional. O governo e em particular César dizem que a culpa é da crise internacional ou do governo de Lisboa, mas a verdade é que o desemprego nos Açores é, pela primeira vez na História, mais alto que a média nacional. Isto significa que as políticas nos Açores foram piores que no resto do país. Vasco Cordeiro quis sair do governo, quis cortar com esse seu passado. Mas, é impossível. É uma herança e uma responsabilidade que será, também, sempre sua.

O outro dado político da semana foi sem qualquer dúvida o Congresso Regional do PSD Açores. Também na lógica de se realçar qualidades, Berta Cabral apresentou-se como uma líder forte, democraticamente eleita pelos seus pares, deixando clara a distinção entre si e a liderança debilitada de Vasco, que foi escolhido por César e não pelos militantes socialistas em Congresso, como devia. Mas o Congresso do PSD Açores mostrou muito mais que isso. Berta Cabral fez dois discursos em que demonstrou ter uma estratégia e um caminho planeado para a governação dos Açores. Uma estratégia que já está bastante elaborada e bem argumentada, com os objectivos de criação de riqueza e emprego nos Açores, com base na criação do mercado interno. Os transportes são uma forte aposta da candidata do PSD Açores com a promessa, desde já feita, que irá baixar o preço das tarifas áereas. Cá estaremos para comprovar se a cumpre.

No rescaldo do Congresso, as reacções dos principais líderes do partido socialista demonstram o sucesso da reunião social democrata. Basta dizer que César, em visita ao Brasil, teve tempo para assistir a todo o discurso de Berta e dizer que foi o pior da Democracia. Vindo do partido que não faz Congressos que escolhe os seus candidatos a líder entre 2 ou 3 pessoas, falar em Democracia, roça o caricato. E pior que isso, César também nessa reacção ao discurso de Berta traçou o cenário de possível vitória do PSD e fez um grave aviso, sobre a situação que o PSD poderá encontrar nas contas do governo regional. Tal e qual Sócrates deixou o país.
O fim de semana foi importante, mas não decisivo. Existe efectivamente um ar de mudança nos Açores. Os próximos capítulos seguem já a seguir.

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17 Abril 2012

Afinal Carlos César é candidato

Segundo afiança o filho (priviligiado na informação primária) num escrito que assinou nas páginas do AO, Carlos César é candidato nas próximas eleições:

"Assim sendo, fica claro que, nas próximas eleições, a escolha vai recair entre Berta Cabral, que acha que está certo o que Pedro Passos Coelho está a fazer ao país e aos açorianos, e Vasco Cordeiro e Carlos César, que já demonstraram que defendem os Açores, que tomam medidas de proteção das famílias e de apoio às empresas. Esta é a base dos dois projetos políticos que serão sufragados em Outubro pelos açorianos."

Na verdade, e sem necessidade de grande esforço intelectual, o que a frase quer dizer é que não acreditam na vitória de Vasco Cordeiro e que, por isso, há que começar a "compor" o caminho da sucessão interna. Perder agora para (tentar) ganhar depois, algures no tempo indefinido mas num intervalo máximo de até 12 anos, resulta aqui e agora mais evidente. Não parece, mas é.


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12 Abril 2012

A demissão de Vasco Cordeiro

Vasco Cordeiro abandonou o Titanic, saltando para uma balsa fictícia, porque sabe que daqui a dois dias este se afundará. O tempo político não podia ser mais perfeito: aquele que o nomeou sucessor está longe, sob o sol brasileiro, a propósito de uma comemoração sobre a chegada de açorianos (eu teria escolhido o mais distante Hawai, bem mais simbólico, pela precocidade); o congresso do PSD-Açores é já este fim-de-semana e o calendário eleitoral aperta-se para aqueles que preferem uma votação maciça do eleitorado nas eleições regionais.

Vasco Cordeiro sabe que não lhe é confortável a forma como foi nomeado sucessor de Carlos César. Injusto ou não, o facto é que a forma como o “politburo” determinou a sucessão na liderança socialista caiu mal entre os militantes socialistas e é vista pelos açorianos em geral mais ou menos como o Teatro D. Roberto: há sempre um bonecreiro a agitar as marionetes. É disto que Vasco Cordeiro se quer afastar. Por isso, escolheu, tardiamente, o momento brasileiro (pessoalmente creio que em consonância e sob o apadrinhamento do actual líder socialista).

Além disso, Vasco Cordeiro tem-se dedicado a prometer a realização de façanhas que onerarão o próximo Governo Regional, algumas das quais já poderiam ter sido realizadas nestes últimos 16 anos e outras que são impossíveis de concretizar a curto prazo. Se não for quimera, no mínimo serão obras de Santa Engrácia, porque hoje até o mais distraído dos cidadãos sabe qual é a situação económico-financeira nacional e, por arrastamento, regional, ainda que as contas não lhes sejam facultadas. Os votos actualmente já não se caçam com umas quantas promessas, nem, apesar do aumento assustador, com o perverso (no uso) rendimento social de inserção. A realidade social nua e crua será o tema real da campanha eleitoral e, para isto, os genes socialistas não estão preparados.

Com a demissão de Vasco Cordeiro, o congresso do PSD-Açores ganha um novo interesse, não por causa daquela mas porque permitirá que a líder incontestada, e escolhida por todos os militantes, demonstre a sua força, a clareza das suas ideias e, acima de tudo, a sua compreensão da realidade, a sua proximidade aos problemas dos cidadãos e as respectivas respostas, sem artifícios. Se a intenção era lançar fel, a demissão de Vasco Cordeiro é mel no congresso do PSD-Açores.

Finalmente, coloca-se o problema da antecipação das eleições regionais. Ordinariamente, as eleições regionais deverão realizar-se entre 28 de Setembro e 28 de Outubro. Contudo, num cenário de demissão ou dissolução, as mesmas deverão ser marcadas no prazo de 60 ou 55 dias após estes factos. Admitindo-se a hipótese de eleições antecipadas, por qualquer razão, estas ocorrerão, na melhor das hipóteses em finais de Junho ou mais certeiramente em Julho, caindo dentro das férias laborais de muitos eleitores.

É do interesse dos açorianos, enquanto eleitores e no uso do direito de escolha supremo, que este cenário seja o real?

Obviamente que não! Um cenário destes apenas aproveitará a quem tenha interesse e proveito com uma elevada abstenção. Tanto quanto é possível afirmar, este seria um cenário do interesse particular e exclusivo do Partido Socialista, como primeira e, possivelmente, única maneira de se manter no poder. Quanta menor for a abstenção, maior é a possibilidade de o PSD ser o vencedor das eleições regionais e, interesse geral acima de tudo, com forte possibilidade de obter maioria absoluta, factor primordial para a estabilidade governativa. A não ser que se queira continuar a afastar os eleitores açorianos da decisão do seu destino, não tem qualquer sentido a antecipação das eleições regionais. Porém, prevendo-se a turbulência governativa nos estertores que se avizinham, será de todo o interesse que estas se realizem no mais curto tempo possível, dentro do calendário ordinariamente previsto pela lei eleitoral da ALRA, pelo que a data ideal será o próximo dia 30 de Setembro. A quem de Direito!

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09 Abril 2012

Título entregue






50 segundos! 50 segundos foi o tempo que durou o cumprimento das leis do futebol. A partir daí, dediquei-me a assistir a uma tragicomédia com a bonomia de quem está habituado a estes momentos de glória.

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04 Abril 2012

Os Carreristas Políticos do PS/Açores

De há uns tempos para cá criou-se um certo sentimento de incómodo da sociedade em relação aos políticos. As razões são várias e têm origem, evidentemente, nos abusos que vão sendo cometidos por alguns indivíduos que usam o poder para benefício próprio. Não é raro ouvirmos dizer que os políticos são todos iguais e que só pensam neles próprios. Mas, como em tudo, não se pode tomar o todo pela parte. Existem, efectivamente, muitos que têm agendas próprias escondidas. Mas, tenho a certeza que um largo número de pessoas está na política por razões altruístas e com um sentimento de dever público, de criar condições para melhorar as vidas dos nossos concidadãos.

Churchill dizia que a Democracia é o menos mau de todos os regimes políticos. E, de facto, a Democracia está longe de ser um regime perfeito. Tem muitas falhas por onde almas mal-intencionadas podem penetrar. Por essa razão, criaram-se uma série de mecanismos e organismos com o intuito de se controlar cada um dos poderes democráticos. Ainda assim, é virtualmente impossível estancar completamente o poder democrático de interesses perturbadores. Mas nós somos humanos e, no final do dia, sabemos sempre distinguir, através das atitudes, palavras e olhares, as intenções de cada um.

Os partidos são essenciais para as democracias. Por definição, os partidos são agremiações de pessoas que detêm visões comuns para a organização da sociedade e as respectivas formas para melhorar as condições de vida dos seus concidadãos. Por essa razão, os partidos têm essa marca distintiva ideológica que os separa uns dos outros. Também por aqui, não são todos iguais. Uns defendem mais intervenção do Estado, outros defendem mais liberdade para a pessoa. Uns estão à esquerda e outros à direita. Todos têm, porém, uma visão, um sonho de tornar a sociedade melhor, mais justa. Diferem apenas é na forma e no caminho a tomar.

Na génese, portanto, a militância num partido deve partir de um sentimento de partilha ideológica. Aderir a um partido por outra qualquer razão, que não essa, é desvirtuar o sistema democrático. É favorecer o interesse pessoal, em vez do interesse comum. É o egoísmo a prevalecer sobre o altruísmo. E aqui nos Açores torna-se fácil perceber quem é quem e o que cada um pretende da vida pública. Não podemos deixar de estranhar, por exemplo, que o PS-Açores tivesse aumentado exponencialmente o seu número de militantes desde 1996. Ou seja, desde que está no poder. Das duas, uma, ou súbita e estranhamente todos começaram a partilhar da doutrina socialista, ou aderiram foi ao partido do poder, movidos por interesse pessoais. Por outro lado, não podemos deixar de admirar a militância nos restantes partidos, em particular o PCP, o Bloco de Esquerda, o CDS e mesmo o PSD (apesar dos 2o anos de poder entre 76 e 96). Em qualquer um desses casos, a militância nesses partidos tem que ser considerada virtuosa. Ser-se de um partido da oposição, nos dias que correm, e dizê-lo abertamente, com tudo que isso implica, tem que ser um acto a ser reconhecido.

Por estas razões é legítimo desconfiar de alguns militantes socialistas. E falemos abertamente: como é possível que os principais líderes do PS Açores da actualidade nunca tenham trabalhado na vida? Seja Vasco Cordeiro, seja Francisco César, seja Berto Messias, seja aquele rol de assessores, admiradores, escribas e afins. Todos eles saíram directamente das cadeiras das faculdades (alguns nem acabaram os cursos) para a condição de governantes, ultrapassando muitos outros, verdadeiros militantes anónimos ou conhecidos, mas com provas dadas na vida real. Isto não é uma militância saudável. Isto não é uma sociedade em que o mérito é reconhecido. Isto dá um mau exemplo. Isto incita a não trabalhar. Mas, novamente, não podemos por os políticos todo no mesmo saco, porque nos outros partidos, a militância é apenas isso, militância. Com boa fé.

Mas isto, no fundo, é apenas normal. Muitos anos de poder leva a que os partidos no poder se apoderem da coisa pública. Por isso é que é essencial a alternância democrática. Porque os Açores precisam urgentemente de se higienizar destes carreiristas partidários que habitam nos locais de poder e decidem sobre as nossas vidas.

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03 Abril 2012

Quando não havia bloqueios era assim!


O fugitivo quer seguro

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28 Março 2012

O Novo Hospital de Angra - A 8ª Maravilha do Mundo

Foi inaugurado o novo Hospital de Angra do Heroísmo. A nova unidade estende-se por uns impressionantes 50 mil metros quadrados, tem 240 camas e 46 gabinetes que permitirão realizar mais de 130 mil consultas por ano. O Hospital, que foi construído através duma parceria público-privada, estava inicialmente orçado em 65 milhões de euros, mas a verdade é que vai custar muito mais. O Presidente do Governo, Carlos César, disse na inauguração, que o custo final seria afinal de 139 milhões de euros. Mas o Tribunal de Contas diz que o Hospital vai custar nada mais nada menos que 378 milhões de euros. É uma derrapagem muito grande, uma derrapagem de mais de 580%.

Mas estamos a falar dum Hospital, uma valência que é essencial para qualquer sociedade. Certamente, Angra precisava dum Hospital novo, não sei, acredito que sim. A questão que se coloca aqui é se havia necessidade de um hospital destas dimensões. A resposta a esta questão deve ser dada de acordo com o momento em que vivemos. O momento de crise profunda em que os cidadãos andam a pagar, com os seus impostos, os exageros, desmandos e equívocos que foram cometidos por anteriores governos, que sempre se preocuparam mais em fazer obra para poderem aparecer na televisão a cortarem a fitinha da inauguração. Neste contexto, a resposta a esta questão é não. Não, não havia necessidade, nem sequer tínhamos capacidade financeira para fazer um hospital desta dimensão e com este custo. São 378 milhões de euros que devem ser somados aos 1.2 mil milhões de euros que custaram as SCUT e a tantas outras dívidas que este governo nos deixa e que vamos ter que pagar nos próximos 30 anos.

E isto não se trata apenas de uma opinião pessoal. O Tribunal de Contas, essa entidade equidistante que chumbou, por exemplo, o concurso das mini-bus em Ponta Delgada, chumbou também a intenção do governo regional fazer um centro de radioterapia nos Açores, dizendo simplesmente que não temos dinheiro para isso. Mesmo assim, o secretário da Saúde garantiu que vai avançar com o centro em Ponta Delgada e, pior ainda, o novo hospital de angra está também preparado para ter um centro de radioterapia. Ou seja, o Tribunal de Contas diz que não temos sequer dinheiro para um centro de radioterapia, mas ainda assim o governo, naquela ânsia eleitoralista de agradar a todos, micaelenses e terceirenses neste caso, diz que vai fazer dois duma vez. Uma irresponsabilidade. Mais uma para depois termos que pagar com juros e com os nossos impostos.

O novo Hospital de Angra tem condições de excelência, disse a directora clínica, acrescentando depois que só faltam agora os profissionais. Isto diz tudo. Gastaram-se centenas de milhões de euros apenas para se ter um edifício gigantesco e agora não temos como o equipar porque não temos meios para isso. É perfeitamente inacreditável como já toda a gente percebeu que não temos dinheiro para este tipo de megalomania, que depois serão todas pagas com muito esforço no futuro por todos nós, e o governo socialista insiste em as fazer! É o pesadelo José Sócrates revisitado aqui nos Açores.

Confrontado com a questão de se fazer uma obra desta dimensão num quadro de enorme endividamento do sector e em que os hospitais da região estão todos em falência técnica, vem o Secretário Regional da Saúde afiançar-nos que tudo vai correr bem a partir de agora porque o governo vai passar a gastar menos nos custos hospitalares. Como é possível acreditarmos nisso, se este novo hospital é muito maior e tem muito mais valências e equipamentos que o anterior? Isto é matemática simples, um hospital muito maior, exige também gastos muito maiores.

O problema deste governo socialista nos Açores e de outros, como o de Sócrates no continente, é que governa para as aparências e tendo apenas como objectivo a reeleição. Por isso não são verdadeiros e não governam de acordo com as reais necessidades das pessoas, mas sim para alimentar sonhos e vender ilusões. E se isso funcionou durante anos, agora, que o momento de se pagar chegou, as pessoas perceberam que são precisos outros actores e outras soluções. No continente, por exemplo, e apesar de todas as medidas impopulares, Passos Coelho está com a popularidade em alta, porque já se percebeu que está a seguir um caminho de responsabilidade. Aqui nos Açores, a tendência é também a mesma: uma mudança para a responsabilidade.

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21 Março 2012

Diminuir Políticos a Tempo Inteiro

A Direcção Geral da Administração Interna publicou o mapa do recenseamento eleitoral para 2012, onde revela que os eleitores recenseados nos Açores aumentaram em cerca de 31 mil quando comparado com as últimas regionais de 2008. Isto significa que, perante o actual quadro legal, nas próximas eleições de Outubro para a Assembleia Legislativa regional, os Açorianos não vão eleger os actuais 57 deputados mas sim 62. Ou seja, o número de deputados, com tudo o que isso significa em termos de custos para o erário público, vai aumentar. A pergunta que se impõe é: os açorianos querem que se aumente o número de deputados?

O senso comum diz-nos que não, que os Açorianos não só não querem um aumento de deputados, como querem é que se diminua. Apesar deste aumento ser legal, a verdade é que podemos vir a assistir a um claro caso de sobre-representação nos Açores. Só a título de exemplo, basta dizer que se a nossa Assembleia vier a ter os tais 62 deputados, passaríamos a ter 1 deputado por cada 3980 açorianos. Na Alemanha, por outro lado, há um deputado por cada 131.934 alemães. É uma disparidade muito grande, mesmo considerando as diferenças entre as duas realidades.

A razão deste aumento súbito explica-se, no campo administrativo, pelo recenseamento eleitoral automático. Como sabemos, de há uns tempos para cá, os jovens quando chegam aos 18 anos ficam automaticamente recenseados. No entanto, subsistem dúvidas sobre a veracidade dos cadernos eleitorais, que importam esclarecer. Os números não batem certo com a realidade que se nos apresenta. E duvida-se se as pessoas que vão falecendo fazem parte ou não dos cadernos eleitorais. Aliás, há uma clara contradição entre os dados dos Censos 2011 e os cadernos eleitorais.

A desactualização dos cadernos eleitorais leva a que, desde logo, os resultados nas eleições possam ser falseados e contribui para os elevados níveis de abstenção a que estamos habituados. O que é que falta para se actualizarem os cadernos eleitorais? É que se não sabem, sequer, quantos somos para votar, como é que podem pensar em gerir os destinos da região? Porque todas as estratégias políticas precisam antes demais dum conhecimento da realidade sobre a qual se vai trabalhar, através de levantamentos demográficos precisos. É sempre essencial saber quantas somos, para depois se pensar nas políticas a aplicar.

E depois há outra questão também fundamental que tem a ver com o actual sistema eleitoral dos Açores. Este possível aumento do número de deputados só acontece porque temos um modelo estranho, complexo e ultrapassado que acaba por onerar em muito o erário público. Numa altura em que estamos todos a passar por dificuldades para podermos pagar a conta da região, esta é uma área em que devemos intervir, de forma a termos um modelo mais simples.

Temos que pensar numa forma de governar a região que responda a duas questões, por um lado reduzir o peso no Orçamento, ou seja cortar nas despesas dos políticos e por outro lado ter um modelo mais funcional e próximo das populações.

Metade do Orçamento dos Açores é consumido pela Administração, ou seja pelo sistema. É muito dinheiro. É um peso muito grande. Por isso, este possível aumento de deputados vai contra aquilo que desejamos para os Açores. Queremos menos deputados e menos políticos a tempo inteiro. Exige-se uma tomada de posição dos responsáveis governativos dos Açores em relação a esta matéria. As eleições de Outubro próximo terão de marcar a passagem para um novo ciclo de governação nos Açores, um ciclo virado para os cidadãos, com mais participação cívica e menos intervenção do governo e dos governantes como aconteceu nos últimos 16 anos. Não se pode permitir este aumento de deputados.

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16 Março 2012

O hábito é uma grande surdina



Finished
with my woman 'cause she couldn't help me with my mind
People think I'm insane because I am frowning all the time
All day
long I think of things but nothing seems to satisfy
Think I'll lose my mind if I don't find something to pacify
Can you
help me? Occupy my brain?
Oh yeah
I need
someone to show me the things in life that I can't find
I can't see the things that make true happiness, I must be blind

(Solo)

Make a joke
and I will sigh and you will laugh and I will cry
Happiness I cannot feel like love to me is so unreal
And so as
you hear these words telling you now of my state
I tell you to enjoy life I wish I could but it's too late

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14 Março 2012

O Projecto Político do PSD/A

A semana política nos Açores fica marcada pelo anúncio da recandidatura de Berta Cabral a líder do PSD-Açores. O dado digno de análise não é tanto a recandidatura em si, uma vez que já se sabia que a recondução da actual Presidente da Câmara de Ponta Delgada será apenas uma formalidade. O que é motivo de uma análise mais aprofundada é a Moção Global de Estratégia que Berta vai levar à votação. Numa altura em que estamos a cerca de 6 meses das eleições regionais, a Moção Global de Estratégia de Berta Cabral deve ser entendida como a estratégia que o PSD irá implementar, quando for governo regional nos Açores.

O documento começa por destacar a importância das lideranças, aludindo claramente à diferença entre a liderança do PS de Vasco Cordeiro, que não foi escolhido e votado pelos militantes socialistas e a liderança de Berta Cabral, que, pelo contrário, terá de ser legitimada democraticamente pelos seus pares. É, desde logo, um ponto fundamental que joga a favor do PSD. O momento de crise que vivemos em Portugal e nos Açores exige tomadas de posição corajosas e assertivas. Exige-se, por isso, um líder forte e devidamente legitimado democraticamente. Neste contexto, o facto da cúpula do PS ter decidido unilateralmente Vasco Cordeiro como o candidato, sem ter ouvido os militantes, conta claramente contra o PS/Açores e a favor do PSD/Açores. Um trunfo que os sociais-democratas irão utilizar, como se vê nesta Moção.

Em relação a medidas concretas para retirar os Açores do momento de grave crise e de aumento de desemprego em que vivemos, a Moção de Estratégia de Berta Cabral segue a linha daquilo que tem sido o seu discurso nos últimos tempos, com a criação duma região económica dentro dos Açores como principal prioridade. Com efeito, os Açores estão hoje dependentes da importação de um enorme número de bens de consumo que poderiam ser produzidos internamente. Para tal, os sociais-democratas apostam numa revitalização do sector primário, com especial enfoque para a agricultura, utilizando, para o efeito, novas tecnologias, onde a Universidade dos Açores terá um papel preponderante. A região económica proposta pelo PSD não se limita à produção de matéria prima. Sempre na óptica de criação de riqueza e emprego, os Açores devem ter capacidade de transformar o que produzem num bem final e embalado pronto a ser consumido.

O destino dos produtos açorianos deve ser, antes demais, o próprio mercado interno açoriano, funcionando como exportações na balança comercial, ao substituírem-se às importações desses mesmos bens. Mas deve-se também procurar outros destinos, através de parcerias como a Macaronésia, que até hoje de nada serviu. Neste contexto, o reforço da marca Açores, associada a um produto de excelência é igualmente proposto pelos sociais-democratas.

A região económica é uma boa base de trabalho apresentada pelo PSD/Açores. Mas para isso tudo funcionar, os transportes são absolutamente essenciais. O PSD/ promete, desde já, baixar consideravelmente as tarifas para o continente e reavaliar os transportes marítimos inter-ilhas. Este será, talvez, o maior desafio que se coloca aos sociais-democratas. Como baixar o preço dos transportes? Berta Cabral, na visita que fez a Bruxelas há uns meses, sugeriu a reorientação dos fundos comunitários para esse fim. A ver vamos se consegue. A chave do sucesso da próxima governação nos Açores está no preço das passagens aéreas. Não haja dúvida.

A Moção Global de estratégia com que Berta Cabral se apresenta aos militantes do PSD/Açores é, desde já, uma vantagem em relação a Vasco Cordeiro na corrida às regionais de 2012. Neste momento, os açorianos já podem saber o que contar do PSD. Já têm um documento onde podem aferir sobre as intenções dos sociais-democratas. Pelo contrário, o que os Açorianos sabem sobre as intenções do Partido Socialista é a realidade actual. Foi o PS de Vasco Cordeiro que nos conduziu a este quadro negro onde o desemprego está mais alto que nunca e onde as dificuldades económicas devassam todas as famílias e empresas nos Açores. E pouco mais poderá Vasco Cordeiro fazer. Ele está numa posição incómoda e inédita. É candidato sem ser líder. Qualquer promessa que faça, será logo rebatida pelos Açorianos com um rápido “não prometa, Vasco, faça-o já, uma vez que está no poder”.

Aos poucos vamos sabendo o que cada um dos candidatos irá fazer pelo futuro dos Açores. Os Açorianos precisam de respostas e o PSD, numa jogada de antecipação, apresentou o seu projecto político para a região.

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12 Março 2012

O hábito é uma grande surdina



All Tomorrow's Parties

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
A hand-me-down dress from who knows where
To all tomorrow's parties
And where will she go, and what shall she do
When midnight comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
Why silks and linens of yesterday's gowns
To all tomorrow's parties
And what will she do with Thursday's rags
When Monday comes around
She'll turn once more to Sunday's clown and cry behind the door

And what costume shall the poor girl wear
To all tomorrow's parties
For Thursday's child is Sunday's clown
For whom none will go mourning

A blackened shroud
A hand-me-down gown
Of rags and silks - a costume
Fit for one who sits and cries
For all tomorrow's parties

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07 Março 2012

A Renegociação do Acordo Bilateral

A localização geográfica dos Açores, entre a Europa e o continente americano, confere-nos elevada importância no âmbito das relações geopolíticas. Com efeito, nas duas guerras mundiais que se disputaram no séc XX, os Açores assumiram um papel de relevo para o resultado final. Aliás, na segunda guerra mundial, tanto os alemães, por um lado, como ingleses e americanos, por outro, negociaram com Salazar a ocupação dos Açores, na certeza que para o desfecho muito dependeria a chamada “Batalha do Atlântico” e a preponderância sobre os Açores. Com a sua reconhecida sagacidade e enorme capacidade de negociação, Salazar soube, na devida altura, chegar a acordo com os Aliados. Assim, e apesar de ter sido oficialmente um país neutro na II guerra mundial, Portugal acabou por ser fundamental para os interesses dos Aliados, devido à cedência da base das Lajes. Com o fim da II Guerra Mundial, abriu-se a Guerra Fria entre o Ocidente e o bloco comunista. Não obstante Portugal ser à época um regime ditatorial e de não ter sido directamente atingido pela guerra, passou a fazer parte da Aliança Atlântica e beneficiou do plano de ajuda à Europa pós Guerra. A razão única por que Portugal entrou nesse lote de países, que beneficiaram de um enorme desenvolvimento, foi os Açores e a base das Lajes. Ou seja, os Açores, com a sua importância geoestratégica, contribuíram activamente para aquilo que acabou por ser a realidade política nacional do séc. XX e tiveram, igualmente, um efeito inquestionável na II Guerra Mundial e, consequentemente, sobre o quadro político internacional que se seguiu.

A guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética colocou os Açores exactamente no meio do conflito. Por esta razão, a base das Lajes era considerada essencial para a política externa norte-americana assente na dissuasão, o que fez com que os Estados Unidos se empenhassem para a manter. O General Calvet de Magalhães afirma, num dos seus artigos de investigação sobre esta matéria, que o acordo de 1983, por exemplo, previa uma contribuição financeira de 400 milhões de dólares em dádiva e mais 255 milhões na forma de crédito a longo prazo, por parte dos EUA a Portugal. Assim se vê quantitativamente a importância que os Açores tinha à época para os norte-americanos.

No entanto, essa importância foi-se esvaindo. Assim, a última versão do acordo, que data de 1995, prevê apenas, no seu artº 6º, a necessidade de se criarem programas que visassem o desenvolvimento económico e social dos Açores. Mas, na verdade, a partir daquela data a única mais-valia que os Açores têm, pelo facto dos americanos estarem na base das Lajes, é o acordo laboral para os trabalhadores portugueses na base.

Actualmente estamos num momento de renegociação do Acordo, por iniciativa do lado americano, no âmbito dos cortes na despesa militar dos EUA, da administração Obama. E para nós, Açorianos, este é um momento que deve ser encarado com grande coragem na defesa dos nossos interesses. No fundo, estamos a falar da cedência do nosso território para que os Estados Unidos possam projectar o seu poderio militar no mundo, factor que lhes é essencial para o seu desenvolvimento económico. Apesar de ser um facto que o centro das relações geopolíticas se deslocou para Oriente, esvaziando, assim, alguma importância geoestratégica dos Açores, a verdade é que o arquipélago mantém ainda espaço na política externa dos EUA, como se vê. Mas temos que ser realistas e perceber que além do mundo ter mudado, em termos das relações internacionais, a própria tecnologia militar desenvolveu-se. Hoje em dia, é possível comandar aviões em combate no Afeganistão a partir dos EUA. Ou seja, é apenas natural que os EUA pretendam reduzir o contingente de pessoal efectivo fora dos EUA. É algo que decorre da própria evolução das coisas.

Os Açores não são um Estado soberano, portanto a nossa presença e a nossa capacidade de influenciar as negociações estão dependentes da posição do governo de Lisboa. Desta forma, é necessário, antes de mais, os Açores acertarem a posição com Lisboa. E é em ocasiões como esta que se afirma uma Autonomia adulta. O que desejam os Açores desta cedência da Base? Manter o actual quadro dos trabalhadores portugueses? Sim, claro. Estamos a falar dum enorme peso para a Economia terceirense. Mas, perante a intenção norte-americana de baixar o contingente militar, perante a certeza da perda de importância geopolítica dos Açores, será expectável alguma quebra no que respeita à força laboral associada aos norte-americanos na ilha Terceira, com tudo o que isso significa para a Economia local.

Por estas razões, e voltando ao prévio entendimento necessário com Lisboa, os Açores devem tentar reorientar as contrapartidas dadas pelos EUA, retirando do apoio militar a ceder a Portugal para dar ao real problema actual dos Açores: desenvolvimento económico e de desemprego. Por isso, devemos procurar que o próximo acordo salvaguarde a criação efectiva de programas que contribuam para o desenvolvimento económico da região. Podemos e devemos procurar outras formas de cooperação. Mas para isso, há que ter uma estratégia interna de combate ao desemprego e de criação de riqueza, que não há como se sabe e como se vê. Só com essa estratégia bem delineada é que poderíamos reclamar objectivos concretos. De resto, a tão badalada incapacidade diplomática portuguesa não passa de uma consequência de não haver estratégias internas. Salazar, apesar de tudo, tinha a sua estratégia, pelo que sabia o que pedir e exigir nas mesas das negociações, em prol dos seus interesses. Por isso a diplomacia portuguesa do Estado Novo tinha sucesso.

Existem outras formas de se beneficiar do acordo bilateral. Os Açores são a parte essencial deste acordo, pelo que não podemos ficar passivos nesta questão. A redução anunciada pelos EUA não é apenas ameaça para ganhar argumento na mesa das negociações. Vai certamente acontecer, piorando ainda mais a situação de desemprego nos Açores. Portanto, é com a prioridade de combater o desemprego e dinamizar a nossa Economia que devemos encarar esta renegociação. No fundo, estamos novamente a falar de mudança. Há que mudar a forma como olhamos até agora este Acordo e saber usar a nossa Autonomia para aquilo que ela efectivamente existe: defender os interesses dos Açorianos.

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05 Março 2012

Goodfellas



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02 Março 2012

Entre um jogo e a educação para a vida

A criança assistia ao jogo de futebol, juntamente com o pai. Perto do final, corta o silêncio e pergunta:

- Pai, o árbitro é amigo deles?
- Deles?!
- Sim, dos jogadores do Porto.
- Porquê?
- Está sempre a marcar faltas e mostrar cartões aos jogadores do Benfica e contra eles não.

O silêncio regressou à sala. Desarmado pela infantil constatação, o dilema instalou-se: mereceria, naquele preciso momento, aquela carinha já abalada pelo resultado ser-lhe confirmado que o homem não é naturalmente bom? Rapidamente, quase em surdina, o pai disse-lhe que constava que o árbitro até seria adepto do Benfica e que o erro é humano, pelo que as pessoas podem errar, mesmo sem querer, e que até o treinador do Benfica erra.

Olhou de soslaio para a descendência e, aliviado, notou a não reacção.

Eventualmente, na cabeça daquele pai terá passado a ideia de que, atenta a idade da criança, uma mentira piedosa seria a melhor saída e que talvez fosse boa ideia deixar o mundo dos adultos para mais tarde. O futuro ditará se a opção foi a melhor. E isso inquietou o pai mais do que o resultado. Porém, se é que alguma vez duvidou, o pai teve a certeza de que o mundo das crianças não é tão aparte da crua realidade como alguns teóricos da pedagogia gostam de fazer crer. Perante essa diferença, ficou mais descansado. O seu trabalho não estava a ser mau de todo.

A criança, depois do jogo, regressou às actividades próprias da idade e, após, foi-se deitar, chamando o pai para lhe aconchegar os lençóis.

Na quietude da casa, era agora tempo de o pai invectivar Rousseau. Em silêncio.

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29 Fevereiro 2012

Só me faltava esta!

Depois de um dia em corropio constante, depois de tentar honrar todos os compromissos assumidos para o mesmo e não o ter conseguido, depois de mais um dia a trabalhar exclusivamente para pagar impostos, só me faltava mesmo uma amigdalite para o arruinar. Ainda bem que este dia apenas acontece de quatro em quatro anos. Ufa!





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26 Fevereiro 2012

De igreja!



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25 Fevereiro 2012

22 Fevereiro 2012

Mãos à Obra pelo Trabalho

A notícia veio apenas comprovar aquilo que todos já sabíamos. 15.1% de taxa de desemprego. Mais de 18 mil desempregados nos Açores no final de 2011. Hoje, no final do mês de Fevereiro, são mais, de certeza. Um número que encerra uma realidade dramática para muitos açorianos. Uma situação que urge alterar.

Este governo regional do PS é directamente responsável por esta trágica situação a que se chegou. Durante anos gabaram o facto que os Açores não tinham um problema de desemprego. Mas os mais atentos sempre disseram que a situação estava era encapotada e escondida, como agora se comprova. O governo açoriano não foi capaz de gerar as condições necessárias para o crescimento económico nos Açores. E teve todas as condições para isso. Senão vejamos, o PS chega ao poder em 1996, altura em que na União Europeia começa a vingar a política de coesão regional, que se traduziu em muitos milhões de euros transferidos para os Açores. Na mesma altura, o governo da república criou a Lei de Finanças Regionais, que assegurou também muito milhões, transferidos anualmente, para os cofres da região. Ao todo, os governos do Partido Socialista tiveram ao seu dispor 25 mil milhões de euros, que deveriam ter sido usados para dinamizar a nossa economia, de modo a que a nossa economia se tornasse autosuficiente e capaz de assegurar emprego e prosperidade para os açorianos quando chegasse um momento de crise. Ora, este momento de crise chegou agora e o que se comprova é que o governo açoriano falhou.

Penso que é, pois, uma evidência e uma certeza que os Açores precisam de novos actores políticos. Precisamos de mudança. E não é, de certeza, Vasco Cordeiro que representa essa mudança. Porque quando Vasco Cordeiro nos diz que vai inverter a actual situação de crise e desemprego se ganhar as eleições de Outubro, sinto que só pode estar a brincar connosco. É que Vasco Cordeiro está no governo! Se tem alguma capacidade de mudar alguma coisa, que o tivesse feito nos últimos 16 anos em que esteve no governo. Ou, pelo menos, que o faça já.

Tal e qual o que se passou no continente, como Sócrates deixou o país, os Açores precisam também de uma mudança de verdade. Uma mudança que deve ser feita em duas fases. Para já, precisamos de liquidez. De dinheiro. Novamente como Sócrates, a política socialista açoriana fez-nos totalmente dependentes de transferências de dinheiro externas. É uma dependência que importa terminar, mas para já, precisamos mesmo de ver liquidez injectada na nossa economia, de modo a podermos continuar a funcionar. Para tal, temos que reorientar os fundos comunitários para a ajuda as empresas e para a criação de emprego. O governo socialista prefere, como sabemos, ter os fundos para a construção de infra-estruturas, que lhes permite fazer grandes festas com inaugurações para inglês ver. Os Açorianos precisam, portanto, de renegociar com Bruxelas a finalidade dos fundos comunitários. Os trágicos números do desemprego são argumento suficiente para fazer essa reorientação de fundos.

E depois, a médio e longo prazo, temos que usar esses fundos, com responsabilidade. Não podemos seguir a lógica socialista de os usar para o imediato. Temos que os usar pensando no futuro, na certeza que quando acabarem as ajudas externas, seremos capazes de ser auto-suficientes. Só conseguiremos ser uma região economicamente sustentável, quando formos uma região económica. Para tal, há que baixar os preços dos transportes e dar espaço e condições ao sector privado para produzirem bens para o nosso consumo. Se uma empresa açoriana for capaz, por exemplo, de produzir os produtos hortícolas que os açorianos consomem, já não teremos que os importar de fora, como acontece actualmente. E assim, dinamiza-se a nossa economia, faz-se toda uma linha de criação riqueza interna, que cria postos de trabalho.

Temos que rejeitar o actual modelo económico que o partido socialista nos deixou. Temos que mitigar a nossa dependência do exterior, tanto ao nível de bens de consumo, como de fundos. Temos que incentivar uma cultura de valorização da açorianidade, dos bens e produtos açorianos. Estes 15.1% de taxa desemprego tem que nos servir como despertador, como uma toca a reunir. É a prova que o governo PS chegou ao fim. Temos que mudar. Temos que sair deste buraco em que nos meteram.

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21 Fevereiro 2012

O homem e o elefante

Naquele tempo, algures na savana africana, CCC estava de férias sabáticas de um curso interminável, pensando no rumo que daria à vida.

Durante uma caminhada, ele cruzou-se com um jovem elefante que estava com uma pata levantada. O elefante parecia muito stressado. Devagar, CCC aproximou-se dele. Pôs-se de joelhos, examinou-lhe a pata e encontrou um grande pedaço de madeira espetado nela. Cuidadosa e gentilmente, CCC removeu com uma faca o pedaço de madeira e o elefante, cauteloso, colocou a pata no chão.

O elefante virou-se e encarou CCC com grande curiosidade, olhando para o seu rosto por tensos e longos momentos. CCC ficou petrificado, convencido que seria pisado pelo animal.

Após algum tempo, o elefante tocou com a tromba no ombro de CCC e bramiu bem alto. Após, virou-se e foi-se embora. CCC nunca esqueceu o elefante e tudo o que aconteceu naquele dia.

Uns anos depois, CCC passeava no jardim zoológico com o seu filho adolescente. Quando se aproximaram da jaula dos elefantes, uma das criaturas virou-se e caminhou para a zona mais próxima do local onde CCC e o seu filho CCC Junior estavam. O grande elefante encarou CCC e levantou a pata do chão e baixou-a, repetindo o gesto várias vezes, emitindo em simultâneo sonoros bramidos, enquanto encarava CCC.

Lembrando-se do acontecido nas sabáticas férias, CCC ficou a pensar se aquele era o mesmo elefante.

CCC, reunindo toda a sua coragem e querendo transmitir o bondoso legado ao filho adolescente, escalou a grade e entrou na jaula. Foi directo até ao elefante e encarou-o.

O elefante emitiu outro bramido e enrolou a tromba na perna de CCC. Este, embevecido, olhou para o filho. Foi a última imagem que teve. O elefante atirou-o contra a parede e esmagou-o sob o peso da sua enorme pata, matando-o.

CCC não chegou a descobrir que provavelmente não era o mesmo elefante.

Moral da história: para um elefante enjaulado todos são carcereiros.

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