Não sei quem foi o praticante de sofá do Ministério da Educação que teve a ideia. No entanto, ela é mais um absurdo do sistema educativo português. Refiro-me, concretamente, à inclusão da disciplina de Educação Física no computo geral para a definição da média valorativa anual do ensino secundário.
Com efeito, sob o pretexto da promoção da saúde, alguém resolveu "igualizar" Educação Física e as restantes disciplinas, como se elas tivessem todas a mesma e primordial importância no acesso ao ensino superior.
Imagine-se alguém que quer entrar em Medicina, tem vocação para para médico, mas é incapaz de andar mais depressa do que uma tartaruga, quanto mais fazer um flique-flaque. Tem média de 19 valores em todas as disciplinas, com excepção dos míseros 10 ou 11 valores na essencial Educação Física. O que é que lhe vai acontecer? Pois!...
O que se está a criar é a possibilidade de alunos brilhantes não entrarem nos cursos universitários para os quais estão vocacionados porque a tal disciplina essencial lhes vem "compor" a média.
Claro que tem sempre a possibilidade de apresentar atestado médico demonstrativo da sua incapacidade e passar a ser avaliado doutra forma, fazendo testes escritos e tirando notas idênticas ou superiores às dos melhores alunos vocacionados para a tal disciplina, contornando, assim, a moral da lei da "saúde escolar".
Esta semana, soube de um aluno ao qual a tal disciplina essencial para o seu curriculum lhe "rouba", só este ano (imagine-se até ao 12º ano), apenas 0,7 valores, que lhe podem ser fatais para o resto da sua vida.
Obviamente, está a pensar em contribuir para a saúde escolar como treinador de bancada.