05 junho 2006

Para darem a vossa opinião.... (aliás como sempre)

Estava eu num café desta nossa PDL a falar com um membro de uma Jota. Ele é alguém que participa activamente nos congressos e tudo mais, inclusivamente é de uma das ilhas do grupo Central e vem, muitas vezes, de propósito a São Miguel (também é uma ilha), com esse fim.

Quando eu, realço tudo o que o Partido dele está a fazer de mal e tudo o que outro Partido está a fazer bem, apenas para o espicaçar, ele diz-me “Se, por acaso, quando chegar à altura das eleições o outro Partido estiver em melhores condições para governar e o meu Partido não tiver condições, então eu voto no outro”

O principal objectivo de um Partido é chegar ao poder, e depois de lá chegar, tentar manter, certo? Quando um militante de um Partido participa activamente nesse projecto, estará certo ele dizer que quando chegar a altura das eleições, se as coisas não estiverem bem, ele abandona o seu Partido? Os congressos servem para se estar do lado do Partido ou não, se não se gostar do rumo do Partido, não se participa mais.

Penso que isso foi dito por estarmos num ambiente relaxado e, até devido a alguma ingenuidade, mas penso também que diz muito sobre o rumo da vida partidária. Pois se é verdade que o voto é livre e secreto, também é verdade que se estabelece um compromisso com o Partido, quando se participa no projecto de o levar ao poder.

8 comentários:

PP disse...

Bem meu caro, antes de comentar, deixa-me elogiar a tua perspicácia e pertinência, pois a questão que colocas é, à primeira vista de resposta simples, mas no fundo levanta (pelo menos a mim) imensas questões que lhe estão subjacentes.

Senão vejamos: Podiamos responder que o teu amigo até teve uma resposta "nobre", do tipo "eu sou conciente e não penso só em tachos, quero essencialmente o melhor para governar os Açores."
Temo que a resposta não termine aí, pois podemos, e tu também o fazes, questionar "o porquê, então, de participar na vida activa do partido? Podia fazer parte do chamado "eleitorado flutuante", o que não vota sempre no mesmo partido.
Será que esse teu amigo sabe que para se ser NOMEADO para um lugar (dos bem pagos) no Público, é necessário "estar à mão", é necessário fazer parte do depósito de candidatos a lugares públicos do partido, e para tal há que estar filiado, ter as cotas em dia, mostrar a folha de presenças dos Congressos, ter militado na respectiva Jota, escrever para jornais a dar pancada nos adversários, só para expor algumas das condições para se poder ter o Privilégio de aceder a um de responsabilidade Pública, pagos a mais de 300 euros por mês.
A solução para alguns desses candidatos, pois alguns só têm o 11º ano ou frequência de 1 ano no curso de Direito, é subir a pulso, passar por sacrificios, ganhar pouco mais do que o ordenado mínimo (que todos sabemos é uma miséria), e esses meninos não estão pra isso. Sacrificios que os faça o povo, que não se lembrou, ou não teve um pai, que o filiasse num partido logo que entrou para o ensino básico.

Já me estou a alrgar muitissimoooo.

PP disse...

Esta frase: "Privilégio de aceder a um de responsabilidade Pública, pagos a mais de 300 euros por mês."

Devia ser assim; Privilégio de aceder a um posto com responsabilidades Públicas,pago a mais de 3000 euros mês (fora ajudas de custo, senhas de gasolina (que suba para os outros), esticar uns dias as viagens pagas pelo Povo, etc,etc..)."

PP disse...

Podemos, ainda, questionar o porquê de um eleitor votar SEMPRE, e em TODAS as eleições (de PR a PM, de P Câmara a P Junta, do nosso Parlamento ao de Estrajburgo), no mesmo partido.

Eu percebo que há uns anos atrás as ideologias de esquerda e direita eram tão extermadas, que tornavam impossível eleger-se uma pessoa sem que esta transportasse, para o cargo a ocupar, toda a ideologia partidária consigo.

Creio, e alguns exemplos (Freitas Amaral)demonstram, que nos dias que correm as propostas legislativas apresentadas pelos partidos já não estão tão embuidas de ideologias destras ou canhotas, mas sim de propostas para combater problemas concretos, já identificados. Não vou ser ingénuo ao ponto de pensar que por vezes não há uma "nuvem ideológica" a pairar sobre as cabecinhas que elaboram essas propostas, mas, actualmente, são "nuvens", antes haviam directrizes claras e essas propostas eram apresentadas para expor as ideologias partidárias.

E claro, os partidos nos dias de hoje, já não têm militantes com o espirito de voluntariado doutros tempos (os que correm já não permitem), em que o militante fazia e participava na elaboração, destribuição, divulgação, etc, de tudo o que fosse necessário para dar voz aos ideias do SEU Partido.

Hoje, há os funcionários do partido, a tempo inteiro e pagos pelo partido. Para não falar das equipas de markting e imagem...para se passar a mensagem,as ideias do partido!!!

Enfim, tanto há a dizer sobre a forma como estão constituidos os partidos e sobre os seus modos de financiamento. - Sobre este tema foi lançado por estes dias um Livro que retrata justamente esta temática dos financiamentos partidários e negociatas, maioritáriamente com empresas de const. civil, que daí advêm.
O livro é de....não me recordo agora, nem tenho tempo de pesquisar, mas é de um senhor que foi afastado há cerca de um ano de Vereador (suponho que do Urbanismeo)da Câmara Municipal do Porto, era Vereador eleito pelas listas do PSD. Suponho que se Chama Paulo Morais????penso eu de que!!!

Rui, quanto à resposta que deu o teu amigo, necessito de lhe fazer outras perguntas para poder opinar com mais clareza.

Gostaria de saber o que pensa sobre algumas questões que aqui expus para perceber o que o move a fazer parte de uma Jota, investindo, não só tempo como dinheiro (a não ser que o aparelho partidário suporte as suas viagens), num orgão partidário, mostrando ao mesmo tempo poder ser ovelha tresmalhada.

Será que a conversa com esse Jota te fez perceber o que o move?

Poderá ser uma resposta para não alargar um debate que ele temia o encurralasse (ovelha) sem argumentos ou conhecimento de causa?

Bem são horas de dormir...continuo depois de ler outros comentários

Rui Gamboa disse...

Penso que tocas nas questões principais.

Penso que os partidos hoje estão a forjar uma nova forma de serem, no fundo, sobre isso parece-me que o Ezequiel deve ter mais a dizer. Com o advento das novas tecnologias, têm que repensar a forma de se apresentar ao eleitorado: como diz o Marcelo sobre o Marques Mendes - ele não terá nunca sucesso, pois não é um animal de telavisão - isso na forma eloquente do Professor.

Mas como disse, tocas nas questões principais, mas devemos pensar, hoje nos partidos, como males necessários? Porque na sua nascença representavam, de verdade, os interesses daqueles que o integravam e tentando-os por no poder, hoje perderam essa função, que era a principal. São fábricas (nem todos) de boys. Há aqui uma diferença.

Tu, ao que parece, conheces bem a vida partidária, também...

Quanto ao Jota que eu falei: penso, sinceramente, que disse aquilo por ingenuidade, mas, a verdade é que se agarro sempre, mesmo quando eu disse que estava a ser incoerente. Penso ser um filho de um antigo membro, e por isso entrou para aquela vida sem pensar muito, no verdadeiro sentido do que é um Partido.

Eu até gostava de ter uma maior participação política por via de um partido, mas como estão as coisas... I don't think so.

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