28 setembro 2006

A nossa terra


O mundo das competições de automóveis é muito restrito, em qualquer parte do mundo e nos Açores passa-se o mesmo, porque há muitos interesses envolvidos e os valores são muito altos. Isto vem à baila devido às notícias que têm vindo a público sobre os infelizes acontecimentos do passado Rali Sical.

Em resumo, o que aconteceu foi que o piloto continental Fernando Peres ganhou o rali na estrada e foi desclassificado já depois da cerimónia de pódio, porque tinha ignorado um sentido proibido, dentro do parque de assistências. Essa desclassificação aconteceu porque o piloto local (terceirense) Gustavo Louro – que havia desistido e assim perdido a liderança do Campeonato para Peres – fez uma queixa oficial ao Comissários daquele rali.

Peres sentiu-se injustiçado, porque na verdade a sanção para tal falha é – como está escrito nos regulamentos – uma multa pecuniária, ou na pior das hipóteses, uma penalização, que naquele caso poderia ter empurrado Peres para o 3º lugar. Assim o continental recorreu para as instâncias superiores do automobilismo nacional FPAK e, sem surpresas, a desclassificação foi dada como nula e a sanção imposta a Peres foi uma multa de 1.500 euros.

Para agravar esta situação, já de si caricata, o atento jornalista da RTP-Açores, Rui Ferreira, fez alho que é quase inédito naquela casa, que foi aceder aos arquivos e encontrou uma situação em que o próprio Louro tinha incorrido num erro semlhante ao de Peres e onde não tinha havido nenhuma sanção.

Toda esta situação, agravada com as reclamações que Louro fez ao Governo Regional, antes do Rali Sical ir para estrada, ameaçando retirar-se daquele desporto se o executivo não lhe concedesse um subsidio especial para cobrir as perdas, devido à proibição da publicidade do tabaco, mostra como nos ralis vale tudo e mostra, acima de tudo, o carácter de Gustavo Louro. É um pirralho mimado que se habituou a ter sempre tudo de mão beijada, resultados desportivos inclusive.

Que tipo de credibilidade é que nós queremos ter quando regras tão simples e claras são violadas de forma tão aberta? O que leva um homem a ir se queixar aos jornais que não corre mais se o Governos não lhe pagar os seus carros de última geração? O que é isto? Onde é que nós vivemos? Espero, sinceramente, que no próximo Rali da Lagoa, a correr-se neste fim-de-semana, não aconteçam ‘acidentes’....

4 comentários:

PP disse...

Pois é amigo Rui, uma situação lamentável e de um anti desportivismo gritante.
O menino Gustavo, acostumado a ter vitórias fáceis, á custa do alto patrocinio do seu pai (que não tem absolutamente nada de mal), não soube perder para a melhor condução do continental Peres.
Aproveitar o factor casa - que também pesou no sabor amargo da derrota - para fazer uma queixa, com o objectivo de não perder, já, o campeonato, é ter mau carácter.

Mas o que mais me surpreendeu neste post, visto que eu já sabia do "episódio" Rally Sical, foi o facto de Gustavo Louro pedir aoo Governo Regional que o compense pelo facto de haver uma lei internacional que proíbe os anúncios de tabaco no desporto, automóvel inclusivé, e que teve regime de excepção durante uns anos, mas que agora se vai aplicar também por cá. Que culpa tem o Governo Regional? Que interesse têm os Açporianos em que Gustavo Louro continue a fazer Rallys, por melhor que conduza? Bolas, o hóme tá doide??? Deve ter levado uma cornada em alguma tourada á corda na terceira.

Enfim, o "Governo" nem tem dinheiro para assegurar as reformas de quem trabalhou árduamente durante décadas, e estes meninos querem o nosso dinheirinho para se divertirem??? tenham dó...

Rui Gamboa disse...

O mais incrivel é que minguém se insugiu contra essa situação.

Vontade de lhe dizer em sotaque bem micaelense: hé rapá, vá pra casa e varre-me essa porta!

PP disse...

É même isse.
Eu acho que ninguém disse nada porque é tão ridicula essa exigência (governo patrocinar um piloto de rally, porque este perde o seu patrocinio), ainda mais no campeonato regional. Teria de patrocinar todos os outros condutores...mais aqueles que apareceriam se o governo desse os carros e pagasse todas as despesas inerentes ás participações em rallys.
Se falarmos de um velejador, que faça uma regata internacional, levando o nome dos Açores bem longe e a muita gente, aí não vejo mal em que, por exemplo a Direcção regional do trismo, contribua com um patrocinio.
Não se trata do governo ou das suas secretarias ou direcções regionais, não atribuirem varbas a actividades desportivas. Trata-se antes de ponderar o interesse desse patrocinio e a sua justiça.

Há muitos pilotos a fazer Rallys nos Açores sem a sorte de Gustavo Louro que tem(tinha) o Alto patrocinio de uma tabaqueira.Por isso, não se queixe.Para o ano, faça como os outros, e corra atrás de patrocinadores.

Anónimo disse...

O mestre kareca não abriu a boca!!!