13 agosto 2008

Bem, Sarkozy

Nota positiva para Sarkozy pela forma como negociou a crise entre Geórgia e Rússia. Ao contrário de Bush, o presidente francês não se limitou a fazer uma declaração pela TV, mas deslocou-se à capital russa para tentar resolver a questão, falando directamente com os intervenientes. Aliás, ficou bem patente a diferença entre a forma como os EUA e a UE lidam com as crises internacionais.
Além disso, fica também demonstrado a vantagem de ter uma presidência forte da EU, pois se esta crise tivesse acontecido há uns meses atrás, receio que a Eslovénia não teria poder negocial para inverter o rumo dos acontecimentos. Agora, resta que as partes envolvidas respeitem os termos do acordo proposto por Sarkozy.

Já se sabia que a independência do Kosovo e o apoio que recebeu da maior parte dos Estados-membro da EU e de outros países, poderia levar que outras situações similares acontecessem. Isso mesmo escrevi aqui no final de Fevereiro deste ano.

6 comentários:

gm disse...

Caro Rui,

para estes senhores a coisa não é assim tão líquida:

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1338865

blueminerva disse...

Gosto muito do cabeçário do blog... está fantástico!

beijocas

Anónimo disse...

caro Rui,

não vejo em que particular pode a UE ter brilhado, nem que tenha uma liderança forte. a rússia fez o que bem entendeu, e só saiu quando conseguiu o que quis: que a ossétia declarasse a independência, e que os países limítrofes vejam o que vai acontecer se tentarem descolar da órbita de Moscovo. acho até que foi bastante vergonhoso o papel das "potências" europeias, que só emitiram opinião depois de se saber que a rússia estava disposta a sair parcialmente da geórgia, mais pelos custos da intervenção do que por qualquer pressão.

miguel

Rui Gamboa disse...

Miguel,

A actuação de Sarkozy foi digna de registo na minha opinião (e não disse que tivesse brilhado) apenas em comparação directa com a forma como os EUA lidaram com a questão. A liderança forte que falo é também em comparação com as presidências de outros EM menos influentes, como foi o caso da Eslovénia, porque se o Presidente esloveno se tivesse deslocado a Tbilissi e Moscovo não teria nuca tido o sucesso que Sarkozy teve. Quer se queria quer não, o cessar-fogo foi assinado e permitiu-se a entrada da ajuda humanitária. Por si só tem que ser considerado um sucesso.

As potências europeias só emitiram opinião depois de saber que a Rússia saía parcialmente da Geórgia? Mas isso é mais que evidente, que poder real tem a UE para fazer a Rússia sair da Geórgia, a não ser da forma como fizeram? E funcionou, ao contrário de Bush que tenta antagonizar tudo e todos. Diplomacia de alto nível é aquilo que os franceses têm, que recorrendo a métodos de soft power conseguem atingir os seus objectivos.

Anónimo disse...

caro Rui,

a UE não teve peso nenhum na gestão da crise. calhou foi a frança estar na presidência, o que deu a sensação de que era a "UE" a agir, mas o que a frança fez, tê-lo-ia feito de qualquer modo. tal como a alemanha e o reino unido. a única presença da "UE", percebida como um todo, esteve nos pin's que o sarkozy usou na lapela.
e diplomacia de alto nível não me parece que seja um exclusivo dos franceses: recordo que sarkozy andou desde o princípio a armar-se em grande pacificador, mas foi condoleeza rice que chegou à geórgia e conseguiu um acordo de cessar-fogo.

abraço, miguel

Rui Gamboa disse...

Miguel,

Posso lhe garantir que uma presidência fraca da UE faz toda diferênça. Os exemplos que deste, Reino Unido, Alemanha etc., claro que também serão casos de presidências fortes, tal como, deixa-me acrescentar, Portugal também o foi, mas numa outra dimensão, como é claro.

E como é evidente também, a diplomacia de alto nível não é exlcusiva da França, não foi isso que disse, disse que a França investe nos seus diplomatas, que são, regra geral, os mais esclarecidos. Isso eu próprio pude comprovar nas eternas reuniões de todo o tipo de nível, desde embaixadores até simples funcionários das representações dos EM no Conselho.

Por fim, a Condoleeza Rice e o Sarkozy e a forma como lidaram com a questão são apenas exemplos da forma como EUA e EU lidam na cena internacional e o poder que realmente têm. A EU, quer se queria quer não, não tem o poder real, que têm os EUA, tal como disse antes. Tem apenas a capacidade diplomática. E foi isso mesmo que tentei realçar neste post. Isto é como a Europa com um Mini e os EUA com um Ferrari. Claro que os EUA no fim ganham, mas a Europa fez muito com o seu Mini, fruto da habilidade, neste caso, do Sarkozy. Já Kagan dizia que os americanos são de Marte e os Europeus são de Vénus. Estou certo que se o Sarkozy pudesse também seria de Marte, mas simplesmente não tem o poder para isso, nem com a UE, e muito menos com a França por si só.