23 setembro 2008

Reforma na Educação


A Educação nos Açores necessita de uma urgente reforma. Desde o ensino pré-escolar e básico, com turmas de 30 alunos, totalmente ingovernáveis por apenas um docente, passando pelo facilitismo instalado no 2º ciclo e secundário, chegando ao ensino superior e a sua incapacidade de dar respostas às necessidades que a sociedade civil coloca.

Segundo notícias, a Universidade dos Açores “conseguiu um bom preenchimento de vagas na primeira fase de acesso ao ensino superior”, o que é óptimo para ajudar as débeis finanças da academia açoriana. Muitos destes novos alunos entram com a ilusão e esperança de conseguir um emprego na área do seu curso, no entanto a dura realidade do mercado de trabalho raramente o permite. Qual a razão da UAç manter esses cursos, mesmo sabendo que dificilmente os licenciados terão qualquer oportunidade de trabalho?

A este propósito recordo-me da conduta da Igreja Católica na Idade Média, que acabou por levar à Reforma Protestante e à Contra-Reforma do Vaticano. A Igreja Católica prometia a salvação, a troco de dinheiro, vendendo indulgências, que sabia não ter qualquer aplicabilidade. A Universidade dos Açores (como outras) também promete a salvação, mas neste mundo, também a troco de dinheiro, mas vendendo licenciaturas que sabe não ter qualquer aplicabilidade.

4 comentários:

Papio cynocephalus disse...

a razão de continuar a encher cursos é a de sempre: é necessário assegurar honroso poiso para os senhores doutores. é por isso que se inventam denominações que não lembram ao menino jesus, e que, para que dois ou três professores possam ter emprego, vão 60 alunos para o desemprego; tudo com o beneplácito rosa, que por esta altura não se pode dar ao luxo de dispensar clientelas

Anónimo disse...

Houve porventura alguém que reformasse o sistema educativo regional como este secretário?
1 - Pôs os professores a trabalhar. Não sao melhores do que os outros que ganham metade e tem um mesinho de férias.
2 - Centrou o sistema no aluno. A escola não foi feita para os professores mas para os alunos.
3 - Exigiu empenho e brio profissional aos docentes, implementando um sistema de avaliação.
4 - Poupou nos nossos recursos e melhorou a qualidade do ensino, ao fechar escolinhas com meia duzia de alunos e criando condições impares noutras.
5 - Implementou curriculos regionais.
6 - Pôs os sinsdicatos na ordem.

Bons foram os secretários regionais que mais nao fizeram do que assinar requisições de compra de vidros para janelas partidas e colocar professores no inicio do ano lectivo?

Home, boa noit ti Pedro.

pedro lopes disse...

Caro anónimo das 23:19, uma vez que ainda é dia, retribuo o cumprimento com um ; boa tarde, mê sobrinho.

Quanto ao post do Rui, devo dizer que concordo plenamente.
De facto hà cursos leccionados na UAç e noutras Universidades portuguesas, que só ajudam nas estatísticas do ensino superior, sendo que após a saída da Universidade esses estudantes vão, muitas vezes, elevar as estatísticas do desemprego.

Por exemplo aqui na UAç, o curso de Sociologia, que tem formado dezenas de alunos, já deveria ter encerrado. Porquê?
Porque o mercado de trabalho não absorve todos os licenciados nessa área e porque a grande maioria dos alunos que nele se inscreve são Açoreanos, o que torna a situação destes alunos ainda mais díficil, devido às pequenas dimensões do nosso mercado.
Os cursos que existem em grande número no continente, não deveriam abrir cá nos Açores (ou abrir com um número máximo de 10 alunos), pois todos os potênciais estudantes serão de cá. Isso porque nenhum continental procura tão longe de casa e com tão elevados custos, uma licenciatura que possa tirar mais perto.

É necessário uma maior ponderação.

Rui Gamboa disse...

Bem o post era, essencialmente sobre o ensino superior mas falemos então das questões levantadas pelo anónimo (se bem que isso de discutir com anónimos não dá)

1. Reformar por reformar, a mim não me diz nada.

2. Os professores têm um "mesinho" de férias, diz. E o resto dos trabalhadores têm um dia, se calhar, não? Os professores têm o mês que todos têm e nã vão para a escola uma semana no Natal e uma na Páscoa, porque é essa a natureza do seu trabalho. Lá está, pode-se reformar e inventar actividades para eles fazerem nessas semanas, mas será sempre apenas para dizer que se reformou. Não serve e antagoniza os professores.

2. "Centrou o sistema no aluno?" Isto nem vale a pena responder, porque são as típicas frases demagógicas sem qualquer fundo palpável. Se com isso quer dizer que as turmas têm 30 alunos e que quem sofre mais com isso são os alunos e não os professores, então tem razão. Turmas com 30 alunos só contribuem para a má formação.

3. Sou completamente a favor de uma avaliação, desde que seja feita em moldes que avaliem de facto. O actual não é assim. Virá ao de cima, amizades e vinganças picuinhas. Mas, lá está, onde já vimos isso?

4. Fechar "escolinhas" era uma medida que tinha que ser feita. Essas "escolinhas" existiam no tempo em que a mobilidade não era a mesma e que era essencial, por exemplo, cada freguesia de Nordeste ter uma escola, sob pena de não irem à escola.

5. Currículos regionais? Querem uma Autonomia, mas apenas em tempo de eleições e "para inglês ver". Um verdadeiro currículo regional tem que incluir Hiatória dos AÇores, para os nossos jovens identificarem-se com a nossa cultura. Ainda mais na época em que vivemos de internet e tv cabo, onde qualquer jovem açoriano identifica-se mais com o Benfica, ou com a Mariza, que seja com qualquer açoriano. Isso sim, seria reformar os currículos regionais.

5. E essa de pôr os sindicatos na ordem? Como em tudo na nossa região, os seus líderes foram adormecidos e 'sugados' para dentro do universo de cristãos-novos.

Quer argumentar de verdade? Dou-lhe duas dicas: 1) dê a cara, 2) arranje argumentos de verdade e não venha com frases feitas..

Cumprimentos!