17 fevereiro 2009

Pró Caricato

Uma consideração apenas relativamente ao debate do prós e contras sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, sobre um só dos intervenientes, Isabel Moreira [porque as cancios e co. lda. já conhecemos bem]. Aquela intervenção final, que há imensos casos de adolescentes que se suicidam porque o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é contemplado pela lei, logo a sociedade tende a discriminar, roçou o ridículo. Sem mais.

13 comentários:

Pedro Lopes disse...

Realmente não havia necessidade. Com tantos argumentos plausíveis, porquê dramatiza!?!

Diogo Duarte disse...

A intervenção final da senhora soou-me a desespero... Estarei errado?

Diogo Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
CAVP disse...

Já não via tão atentamente um daqueles programas à algum tempo.

E que fique claro que acho que da parte do não houve uma demonstração enorme de rigidez de pensamento e outras faltas que nem vaele a pena comentar.

Mas essa senhora, pautou toda a intervenção e reacções que teve, por uma atitude enorme de arrogância e obstinação do seu pensamento.

Da parte do sim foi claramento elo mais fraco.

Incrivelmente, da parte do não, o padre que lá estava teve a posição que mais admirei. Muito ponderado, apesar de discordar de algumas coisas do que disse

Rui Rebelo Gamboa disse...

Caro CAPV,

Tenho a minha opinião formulada há muito sobre o assunto, não sou a favor que se abra o casamento a pessoas do mesmo sexo. Se a questão são os direitos de sucessão, etc., então que se os abra às uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo. Já em relação ao direito de adopção, sou reticente, embora sem posição firme sobre o assunto, por ainda não ter dados suficientes.

blueminerva disse...

Achei que o debate correu bem, não resvalou para a breijice. Ficou claro os motivos do sim e do não... só não compreendo o porquê da interferência da Igreja Católica, uma vez que eles são contra o casamento civil (hetero ou homo).

beijocas

Legoman disse...

CRP

Artigo 1º
“ Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.”

Artigo 2º
“A República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular, no pluralismo de expressão e organização política democráticas, no respeito e na garantia de efectivação dos direitos e liberdades fundamentais e na separação e interdependência.”

Posto isto, e apesar de não ter visto o debate na TV, nos circulos de amigos, o debate tem sido animado. Entendo que os homosexuais devem ter direito ao casamento. Reforço que os homosexuais não devem ser confundidos com a bichesas que se contorcem todas quando passeiam pela rua. Parece-me que às pessoas que entendem construir uma vida junto a alguém do mesmo sexo, devem ser dados os mesmo direitos que aos hetero.
Sinceramente, não vejo porque é que isso pode chocar alguém. Os/As homo querem ser felizes juntos, poder garantir garantias iguais às dos seus semelhantes, qual o problema?
Quanfo à liberdade de adopção, já tenho as minhas reticências, uma vez que nesse caso já implica que uma terceira pessoa seja afectada.
Contudo, não duvido que haja mto casal homosexual capaz de dar mais amor e educação a um filho do que mtos casais hetero. O que não faltam para aí são familias disfuncionais a criar seres humanos.

Cumps

Rui Rebelo Gamboa disse...

Pois é legoman, agora pergunto-te porque razão não se dá às uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo os mesmos direitos que têm os casamentos, todos eles (a adopção falamos depois), mas fica como união de facto e não como casamento? Porque 'casamento' é, por definição, uma união entre duas pessoas de sexo diferente, mudar isso, implica mudar o próprio conceito, logo tranformand-o noutra coisa. Mais, será a mesma coisa uma união entre pessoas do mesmo sexo e uma união entre pessoas de sexo diferente?? Eu acho que não é a mesma coisa, acho que se trata de realidades diferentes, logo definições e conceitos diferentes. Outra questão, será justo acusar de homofobia que é contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo?? Basta ir ao 'fracurante' blog jugular e ler o que a 'fracturante' cancio escreve para me sentir atingido. Será essa a forma de tratar a questão? Mais ainda, não é mesmo uma questão "referendável"? Os do 'sim' dizem que os direitos não são referendados. Será mesmo assim? Qual seria o resultado de um referendo com esta pergunta?

Os direitos, meu caro, esses, penso que é mais ou menos unanime que devem ser alargado às uniões entre pessoas do mesmo sexo, direitos de sucessão, de suporte em caso de doença, etc. O que está aqui realmente em questão é aquilo que está por trás das paradas gay, é a vontade de serem aceites socialmente, tipo "in your face, shitty conservatives", mas a verdade é que a aceitação social não se faz por meio nem da afrontação, nem, muito menos, por meio de decreto. Acontece.

De resto, e como a própria cancio admite hoje no extremista jugular, não há volta a dar nesta questão, não há forma de conciliar posições. Que fazer então? Alterar algo à revelia daquilo que se acredita ser a vontade da larguíssima maioria? Não me parece que seja esse o caminho.

Abraço, caro amigo!

Legoman disse...

Grande testamento, companheiro! :)

Vou tentar mostrar-te a minha forma de ver as coisas, da mesma forma com que felizmente, me mostraste a tua posição sem cair na habitual ordinarice popular de "esses panascas, era matá-los todos".

Em primeiro, parece-me importante separar o conceito de bicha e homossexual. Pelas pessoas que conheço homossexuais, as bichonas tb não são bem aceites no meio gay, uma vez que denigrem a imagem dos homossexuais em geral. Na minha opinião, as paradas gay e essas tretas são tolice de meia dúzia de homossexuais recalcados. O respeito conquista-se, não se impõe.

Assim sendo, e falando da homossexualidade sem a conotarmos com a bichesa, parece-me natural que estes queiram usufruir dos seus direitos enquanto seres humanos, como eu e tu.
Não me parece que seja uma definição que deva impedir dois seres de se unir pelo casamento. Afinal, qual é o problema disso, o que é que isso altera nos direitos e na vida dos que já usufruem desse direito? No fim de contas, é de um contrato celebrado entre duas pessoas e com a necessidade de testemunhas para o autenticar, que se trata.
Quanto à questão da homofobia, parece-me mais presente do que imaginamos. E não só nas pessoas mais velhas, geralmente menos tolerantes à mudança e à diferente. Esta homofobia nota-se também na chamada geração dos morangos com açucar.
No outro dia, numa discussão sobre o assunto apercebi-me dessa homofobia quando lhes perguntei se no caso de um filho deles se revelasse homossexual, eles o aceitariam. A resposta foi clara, um redondo "não!".
Sinto que ainda há um longo caminho a percorrer no que toca a questões de homossexualidade.
Não me parece que o caminho sejam as paradas gay, o orgulho gay, etc etc.
Acredito que a sociedade ainda não está preparada para essa aceitação da diferença, assim como não esteve durante muitos anos para a questão da cor, daí, referendar a questão seja uma derrota certa do Sim.
Então como se podem mudar as mentalidades? deverão os homossexuais assistir aos seus direitos limitados enquanto seres humanos por mais anos até que a sociedade os entenda? Ou deveremos nós ser tolerantes com a diferença e permitir que gozem da sua felicidade que por acaso não colide com a nossa?
Apesar da questão ter saltado para cima da mesa porque dá jeito de a colocar nesta altura na agenda política, parece-me que é um tema para ser discutido, já.

Grande abraço!

Rui Rebelo Gamboa disse...

Acho, sinceramente, que não haverá, pelo menos na nossa geração, entendimento entre as partes sobre o assunto. Se nós não conseguimos, não imagino que extremistas como a cancio, o consigam.

E porquê? Porque temos concepções diferentes da questão. Os direitos, como te disse, não são para mim um problema, os direitos [os da lei, legais] podem ser alargados às uniões de facto, no prob. Agora, desvirtuar o casamento sem qualquer outra razão que não o desejo de uma minoria desejar a aceitação completa na sociedade, aí parece-me que não. Pessoas do mesmo sexo não têm direito [e tenho perfeita noção do que estou a escrever] ao casamento, da mesma maneira que os desempregados de longa duração não têm direito ao subsídio de desemprego. Em ambos os casos, não ha possibilidade de elegibilidade porque os requisitos não estão preenchidos. Simples como isso.

Agora, o caso de casamento entre pessoas do mesmo sexo desvia-se do exemplo que dei, porque sai da esfera do legal, da esfera daquilo que o Estado pode intervir. É o tal desejo, aliás confirmado pelos próprios, de aceitação plena na sociedade. 1) se, de facto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse reconhecido pela lei, acabaria a homofobia? Não creio, pelo menos para já, aliás poderá até ter efeito contrário. 2) mantenho a mesma opinião (esta porém admito a tua argumentação) que esta demanda entra no mesmo campo que as paradas gay, em ambos os casos há um desejo de afrontamento, de fractura. A diferênça é que no caso das pessoas que defendem o 'sim' [e não me refiro a ti, mas os que estão a fazer disso uma bandeira] esse desejo de afrontamento à sociedade e aos seus valores, está encapotado com uma pseudo-intelectualidade que é arrogante [ver isabel moreira, cancio, daniel oliveira etc].

No fundo, parece-me que se está a querer acabar com todos os fundamentos da sociedade ocidental, a mais avançada socialmente do mundo. Como se só assim fosse possível progredir.

Enfim, como te digo, não haverá consensos. E assim, o que fazer? Mudar, porque uma minoria muito pequena acha que tem razão? Depois de reconhecidos os direitos que os casais hetero têm às uniões de facto, a felicidade de cada casal [seja ele do mesmo sexo ou diferente] vai depender deles próprio, mais nada. Não se têm escrito casamento ou uniao de facto no BI.

Abraço

Legoman disse...

Mas rui, então o que na tua opinião se deve privar aos homossexuais é o casamento religioso, correcto?
É que o casamento pelo civil (não sei se é este o termo técnico), é basicamente o mesmo que a união de facto. É reconhecido pelo Estado, uma formalidade que atribui os direitos que tal como eu, tu tb admites.
É que eu não contesto a posição da Igreja, essa eu consigo entender os argumentos. Se não toleram o contraceptivo, quanto mais a homossexualidade.
Mas no campo legal, acho que o sexo dos dois elementos que se unem não compromete em nada os valores da sociedade. De tal forma que esse conceito já está revisto no Tratado de Lisboa.
Não me parece que seja um capricho de uma minoria, mas uma luta de conquistar direitos. Apesar de haver muitos homossexuais que adoram chocar, provocar, etc, existem bastantes mais, perfeitamente conscientes, desejosos de poder construir uma vida como casal da mesma forma que o fariam se vivessem com o sexo oposto.
Por isso é que me parece uma questão que merece mais a atenção dos heterossexuais. Porque a homossexualidade não deve ser vista apenas pelo prisma do orgulho gay.
E agora, vamos lá tomar uma cerveja que estas conversas têm mais piada sentados à mesa de café! :)

Abraço!!

S.Soares disse...

Bons argumentos, eu sou a favor dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo, mas na adopção não tenho ainda uma opinião formada. é algo complexo.muito mesmo...

Rui Rebelo Gamboa disse...

Só para que conste, uma vez que já debatemos o tema em pessoa [sem chegarmos a conclusões, como seria de esperar, pois não é possível, como disse, uma vez que são concepções diferentes da sociedade no seu todo], não estou, de forma nenhuma, a falar do casamento da igreja católica. Os meus argumentos referem-se pura e simplesmente ao casamento enquanto reconhecido pelo Estado, o civil.

Entendo que depois de dados todos os direitos legais Às uniões entre pessoas do mesmo sexo, não há razões para que queiram o casamento. Porque casamento é por definição, algo entre homem e mulher, tem a capacidade potencial da procriação [tão importante para a sociedade. Receio que a razão por trás das pretensões de quem deseja o casamento para pessoas do mesmo sexo seja o abalo dos valores da nossa sociedade, algo que nem eu, nem [acredito] a larga maioria da população quer ver desfeitos.

Assim, penso que a solução mais conciliadora entre as partes será dotar as uniões de facto de todos os direitos que os casamentos tÊm, mas não abalar um dos fundamentos principais da nossa sociedade.

Abraço Amigo!