18 março 2009

Vilas ou cidades? - parte II

Chegou-me às mãos um texto, escrito há poucos dias num jornal diário açoriano, assinado por um EDUCADOR, cujo nome olvidei, talvez por ter ficado extasiado pela extraordinária qualificação que o senhor dá de si próprio ou que o Estado lhe confere, tanto faz, mas que fazem lembrar os tempos gloriosos do PREC, nos quais havia "em cada esquina um amigo" destes, sempre pronto para nos conduzir à verdade da História. Mas isso, são outras estórias e não me quero afastar do assunto. Portanto, voltando ao extraordinário texto do dito EDUCADOR (cada vez gosto mais da palavra!), proclamou o mesmo, num tom torquemadamente inflamado, "Lagoa - um dia, será cidade!". Curioso, talvez tocado por tão premonitiva exclamação, pus-me a ler o dito, julgando, finalmente, encontrar razões credíveis e objectivas para a política pretensão. Ao fim de dois parágrafos já estava elucidado. Além do próprio ali habitar (enfim, bairrismo, razão plausível), duas ou três banalidades sobre infra-estruturas básicas, sem qualquer caracterização ou diferenciação e, repentinamente, quando o meu estoicismo se estava a esgotar e me preparava para desistir, eis que - helás!- esbarrei no argumento definitivo, absolutamente distintivo e irrefutável, um argumento que até eu, simples mortal, era capaz de entender. Transcrevo: " É bonito de ver: a qualidade dos inúmeros grupos musicais e etnográficos da Lagoa; sabe bem escutar a harmonia dos acordes das três filarmónicas; ". Derrotado, inclino-me perante tão sublime argumento!

9 comentários:

Kilas disse...

O meu coracao esta consigo ... sinto em perfeita sintonia, lado a lado irmao meu, o peso e a confusao da mudanca forcosa e eminente a tomar lugar e a enraizar no seu novo ser.
Pois, amigo Jose Goncalves, considere-se a partir daquele momento uma pessoa mais educada.
E nunca esquecamos de que "Contra factos nao ha argumentos"
A vida nunca cessa de me surpreender.

Jordão disse...

Lá está! Já dizia o ditado: Contra fatos não há argumentos e muito menos quando esses fatos trazem na lapela um pin com qualquer coisa ligado a uma banda de música, rancho folclórico e por ai fora.
Um abraço

Rui Rebelo Gamboa disse...

Este é o artigo que fiz referência no meu comentário ao teu postal anterior sobre o mesmo tema, penso eu.

Quero ainda saber que benefícios tráz para as pessoas a elevação a cidade. Vamos a ver, no máximo haverá um reforço da confiança e do bem-estar em viver na sua terra uma vez que passa a ser cidade. Só isso já é bom e pode ter efeitos positivos. Agora, coisas pálpaveis que traga a elevação a cidade, é que contínuo às escuras e à espera.

Jordão,

Excelente trocadilho!

Voto Branco disse...

Caro José,
Eu não estarei com meias medidas nem tão pouco serei politacamente correcto: pelo tipo de argumentos que esse senhor educador apresentou sinceramente acho que está ou tem a profissão errada. A pobreza de espirito é tão grande que até me faz ficar cheio de orgulho do meu diploma do secundário!
Saudações

pedro lopes disse...

Caro José,

desconheço o autor do texto, mas, no fundo, é só mais um a "dar música" pela sua cida....digo, vila.

Será que as notas musicais atingem mais harmonia quando tocadas por citadinos?

Só falta dizer que Lagoa deve ser cidade porque já tem semáforos!!!

Quem consegue responder a esta questão: Quais as vantagens e custos, inerentes à elevação de uma vila a cidade?

Voto Branco disse...

Caro Pedro,
Penso que não existirão grandes vantagens económicas na elevação de vila a cidade.
Existem vários programas, pelo menos no IV Quadro Comunitário de Apoio haviam, em que só as cidades podem concorrer, como por exemplo o programa POLIS, essa será talvez a vantagem.
Depois há aquelas mais "mesquinhas": O estatuto de vila em heráldica representa-se na coroa do brasão de armas com quatro torres, em vez de cinco como é visível nas cidades.
Depois poderão haver desvantagens (para o Zé Povinho), que é os impostos cobrados pelas autarquias. Pois tem sido uma tendência a nivel europeu as vilas elevadas a cidade aumentarem os impostos e taxas cobradas aos municipes.
Aqui fica o contributo de um humilde portador de diploma do secundário!
"Títulos! Para que me servem os títulos?" (poeta Pedro Bandeira Freire)
P.S.: Eu assumo desde já a minha posição quanto a este tema: Nem Lagoa nem Vila Franca do Campo reúnem condições para serem cidades.

José Gonçalves disse...

Pedro
O Voto Branco respondeu por mim. Até agora não encontrei masi nada senão o programa POLIS, mas muito residualmente, e o efeito perverso para os contribuintes.
J.C.

Legoman disse...

Boas!

A mim parece-me que o principal interesse do poder político serão, ocmo o Voto Branco disse, a questão dos fundos.
Quando há alguns anos atrás estudei vagamente isso, lembro-me que a nível de finanças locais, de fundos europeus e questões do género, as vilas ganham consideráveis vantagens em tornarem-se cidades.
No entanto, com a quantidade de palermices que se ouve para aí, pode-se sempre duvidar dos verdadeiros motivos de almejar tal título, podendo mesmo ser apenas uma questão de bairrismo.
Ainda assim, creio, na minha opinião, que nem nenhum dos casos reune condições para ser cidade. Realmente, como o José deu o exemplo, acredito que mais vale ser-se uma grande vila que uma cidade ridicula.

Cumps

Pedro Lopes disse...

Caro Voto Branco,

agradeço o seu contributo para o esclarecimento das minhas dúvidas, e, mais importante, para o enriquecimento deste pequeno debate.

Caro José Gonçalves, agora também vale para ti.

Devo dizer que tais vantagens me parecem de pouca monta, atendendo à importãncia que alguns dão à elevação de uma vila a cidade.

Quanto a desvantagens, aparece à cabeça o aumento das taxas camarárias.

A RTP -Açores já deu voz ao tema através do programa, "Estado da Região", onde estiveram presentes os presidentes das camaras das vilas candidatas a elevação a cidade, bem como dois deputados (um dos PS outro do PSD), e alguns presidentes de junsta de freguesia. Aqui se viu que a ideia e a urgência do tema não é consensual.

Rebateram - os defensores de tal elevação -, que não haveria lugar a custos acrescidos para as populações neste processo. No que toca a aspectos positivos da passagem de vila a cidade, além do aspecto do "titulo" (a que alude o "Voto Branco"), só mesmo a questão do reforço da auto-estima dos habitantes do concelho, e, afirmaram alguns, mais oportunidades de desenvolvimento.

Devo dizer que esta última, embora tenha um carácter muito subjectivo, pode ter alguma razão, na medida em que as cidades têm tendência a ser mais valorizadas por quem quer investir em determinado local. Isto é, factores psicológicos que acabam por conceder mais mérito às cidades. Tb numa óptica de turismo, poderá haver aqui uma maior atenção, e eventual deslocalização de alguns investimentos para essas novas cidades. Podem também ser novos polos de atracção e desenvolvimento.

Por isso, percebendo que todos os argumentos a favor da elevação a cidade possam ser rebatidos por boas e eficazes medidas (capazes de promover o mesmo efeito), de entre as duas vilas de S. Miguel, aquela que me parece poder alcançar tal "título", seria VF Campo.

E explico; essencialmente por razões históricas, pela distãncia de PDL e RGD (as duas actuais cidades da Ilha, o que poderia ajudar a criar um polo de atracção mais distante dos actuais centros urbanos), pelas infraestruturas que já tem, e pelo potencial de desenvolvimento que, em meu entender, apresenta.