23 abril 2009

É já no Próximo Ano Lectivo

Se a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, levar por diante aquilo que afirmou a 12 de Setembro de 2007 - e que mereceu, na altura, este meu post -, é já no próximo ano lectivo (2009/2010), que entra em vigor o alargamento da Escolaridade Mínima Obrigatória, dos actuais 9, para os 12 anos (sem contar com a, também, obrigatoriedade do ensino pré-escolar).

Se dúvidas houvesse, José Sócrates já veio dissipá-las, assegurando que esta será mesmo uma realidade, originando que um aluno só poderá abandonar as salas de aula ao completar o 12º ano, ou quando perfizer 18 anos. Conferir aqui, no Jornal Público on-line.

Vivemos num país de sonhos e idealismos despropositados. Não é (somente) com Leis que se mudam mentalidades e se elevam as exigências e anseios individuais.

Há quem defenda que são as estatísticas que norteiam as actuais medidas legislativas. Mas a avaliar por esta notícia do Açoriano Oriental de 14 de Abril, fico com sérias dúvidas…

Prevejo duas hipóteses; ou este objectivo não vai dar em nada - por ser inviável e descabido da nossa realidade social e escolar, o que remete para o post que escrevi a 12 de Setembro de 2007; ou o facilitismo e o laxismo serão alargado, agora, também ao Ensino Secundário….perdão, aos três últimos anos do futuro Ensino Obrigatório.

E há outra questão, de somais importância; os jovens com mais de 16 anos que vão, contrariados, ter de continuar nas escolas, poderão torná-las em locais de maior violência, indisciplina e centros de bullying.

Dúvida parental: Porque insistem as escolas em realizar pausas, durante os períodos lectivos, para formação dos professores?
Não poderiam/deveriam aproveitar as férias lectivas para realizar semelhantes formações e outros expedientes?
É que os pais e encarregados de educação agradeciam, pois já basta terem de encontrar soluções alternativas (quando as há) aquando das férias lectivas.

9 comentários:

Carlos Santos disse...

Pertinente observação, sem dúvida. Eu tento contudo ver as coisas num quadro diferente em http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/04/reflexoes-sobre-bondade-da-elevacao-da.html
Que lhe sugeria, se quisesse aceitar o repto de debate.
Obrigado,
Carlos Santos

Voto Branco disse...

Caro Pedro,
Por isso ainda hoje ouvi alguém a dizer "também há gente com o 13.º ou 15.º ano e não têm trabalho..." (isto é real)!
O Pedro toca numa questão muito pertinente. A escola vai-se transformar num verdadeiro centro de treino de boxe, karaté, "fananço" e afins! Deixem estudar quem quer estudar... gastar o dinheiro dos meus impostos em centros de reunião de jovens desocupados é que não.
Saudações

JRV disse...

Caro Pedro Lopes,

Como sublinha o seu colega de blog Rui Gamboa, também acredito que devido à sua profissão, o Pedro terá certamente uma visão muito mais informada e realista do que muitos de nós.

Concordo com todas as reticências (e riscos até)que aponta ao alargamento sem mais da escolaridade obrigatória. A preparação e adaptação séria do sistema de ensino, dos professores e dos próprios estabelecimentos escolares são necessidades incontornáveis numa medida tão abrangente como esta.

No entanto, julgo ser importante não esquecer que os mais desenvolvidos países europeus possuem já uma escolaridade obrigatória de 12 anos. E toda a Europa para lá caminha. Se calhar poderiamos adiar por mais um pouco este passo, mas parece-me algo inevitável.

Daí eu considerar que devo dar o benefício da dúvida a uma medida como estas. Na minha opinião, importa sim acompanhá-la atentamente e ser muito exigente com a sua implementação. Não deixar que seja apenas algo para as estatísticas. É a minha perspectiva.

Cmptos

Rui Rebelo Gamboa disse...

E foi exactamente para contrapor as duas abordagens que dei o toque ao nosso amigo blogosférico JRV ;)

Agora, cada um tira as suas conclusões.

Toupeira disse...

A Toupeira hoje não vai ser acutilante apenas diz que ubscreve inteiramente o que diz Voto Branco e concorda com o Pedro. Aliás, caros Rui e JRV não será, de todo, boa ideia comparar o sistema do facilitismo português com o rigor que a maioria ( se não todos) os países que qualficamos como civilizados possuem. Por acaso alguém quer na escola um jovem de 17 anos que só ali está por obrigação socrática (portuguesa) e que nada quer saber do ensino socrático (grego), mantendo-se, se conseguir do principio ao fim do ano a chatear aqueles que estão ali para estudar a sério? Será que é perturbante para o menino ir para as obras ou para outra profissão igualmente digna trabalhar? É que contribuirá duplamente para o desenvolvimento do país e ainda poderá ingressar na Universidade depois dos 23 anos para tirar um curso superior, sem completar o ensino secundário. Se isso é possivel neste bananal, o que é que o moço vai fazer para o liceu?

Pedro Lopes disse...

Caro JRV,

constatei, em visita ao seu "sofá", que se congratula com esta medida.
Eu também me congratularia, não fosse o caso de considerar que o país - e em especial a Região Autónoma dos Açores -, não conseguirá levá-la por diante, sem as consequências nefastas que enumero no meu primeiro post sobre o tema (e que está em ligação no primeiro parágrafo deste último post) e nas vertentes que nele abordo. E neste último texto, em especial pelas razões descritas nos dois últimos parágrafos.

Aliás, o título do post de 12 de Setembro 2007 - "Também eu gostaria que fosse viável" -, é elucidativo.

É verdade que por via profissional, lido de muito perto com as CPCJ e com os Tribunais de Menores, e com todos os sub sistemas que rodeiam as crianças e jovens (familía, escolas, saúde, Polícias, comunidade, IPSS, entre outras) que lidam com as várias problemáticas que abrangem/ afectam as crianças e jovens, em especial nos Açores. Mas este meu enfoque, também me poderia turvar a visão em relação ao global, não fossem os números e estudos que tenho lido.

Estou seguro de que o caro "activista" acedeu às ligações que deixo neste meu post. Recorrendo a um trecho da noticia do Açoriano Oriental - que tem por base um estudo da Direcção Regional da Educação (dos Açores)-, mesmo os jovens que voluntáriamente (ou coagidos pelos seus pais e/ou encarregados de educação) optam por prosseguir os estudos para o Secundário, a taxa de abandono escolar é de 47% nos cursos Tecnológicos, e de 31% nos cursos designados por científico-humanísticos.

Por aqui se pode avaliar o que acontecerá, quando Todos forem obrigados a continuar nas escolas até aos 18 anos.

E mais, segundo dados avançados pelo jornal Diário dos Açores de 23 de Abril, a população escolar nos Açores vai aumentar (por via deste novo patamar de escolaridade obrigatória), 30% (ao que parece os dados do INE apontam para + 20% de alunos nos Açores, aferindo a DRE que este número será de cerca de 2.500 novos alunos a integrar o Secundário), sendo que as escolas que temos, não têm (terão) capacidade de os assimilar a todos.
Segundo o mesmo Diário, e baseando-se no rácio actual, haverá necessidade de mais 300 docentes. E isto, a meu ver, é sem dúvida positivo, tendo em conta o número de licenciados na vertente ensino que se encontra no desemprego, ou em outras àreas que não as que aspiram.

Em suma, nos Açores a Taxa Bruta de Escolarização no Secundáiro é de 80% (a mais baixa do país), enquanto que no continente a região que apresenta o número mais baixo é o Norte, com 92%.

Por estas razões, estou deveras céptico, e não vislumbro que uma Lei mude, tão rápidamente, este triste cenário.

Cumprimentos

Legoman disse...

O que tinha para escrever sobre o post, já foi mais ou menos abordado aqui na caixa de comentários. Limito-me apenas a anexar mais uma opinião que considero das mais pertinentes sobre o assunto. A visão de António Barreto publicada no «Público» de 26 de Abril de 2009 está aqui:
http://o-jacaranda.blogspot.com/2009/04/doze-anos-obrigatorios.html

cumps.

Carlos Santos disse...

Caro Pedro Lopes,

Pedindo desculpa pelo incomensurável atraso, tendo aí toda a razão, a resposta ao seu comentário já está no seu lugar. Deixe-me só dize que algumas das pessoas que ali comentaram são habituais frequentadores do meu blogue e sabem que lhes respondo se me mandarem um mail, às vezes na caixa de comentários minutos depois e outras vezes uma semana depois. Quanto a isso os habituais...estavam habituados, se me permite o trocadilho. E houve alguns comentários que eu não quis responder porque desviaram o debate para outro problema do qual eu me quero manter fora: médias de públicas versus privadas, custos do ensino superior, qualidade do ensino, etc. Eu poderia de facto escrever muito sobre isso, mas sabe: eu dou aulas, e corro o risco de ferir susceptibilidades de amigos.
Em todo o caso, a razão de ter demorado uma semana prende-se com outro problema: o facto de entretanto ter descoberto gente na net a defender tortura tipo Guantanamo. E para mim isso era inadmissível.
Em todo o caso reitero as minhas desculpas.
Carlos Santos

Pedro Lopes disse...

Caro Carlos Santos,

agradeço a sua rápida resposta, e aceito de bom grado as suas justificações, bem como as desculpas que me endereça.

Também eu já lhe respondi, no seu blog, às questões que levanta na resposta que me deixou.

Melhores cumprimentos.