31 agosto 2009

Ribentropp-Molotov, 70º Aniversário


Por ter estado ausente nos últimos tempos, não assinalei os 70 anos do pacto Ribentropp-Molotov, que foi assinado a 23 de Agosto de 1939, pelos Ministros dos Negócios Estrangeiros da Alemanha e da URSS.

Este pacto é um case-study perfeito da implementação da Geopolítica. Foi o inglês Halford Mackinder, no começo do século XX, quem realçou a importância geoestratégica da Eurásia, na sua famosa Teoria do Heartland “Quem governar a Europa Oriental, domina a heartland; Quem governar a heartland, domina a “Ilha-Mundo”;Quem governar a “Ilha-Mundo, domina o Mundo”. Na época, e dentro da escola imperialista, a inacessibilidade daquela zona, aliada aos imensos recursos naturais, eram os condimentos essenciais ao domínio mundial.

Curiosamente, porém, foi Karl Hauhoffer quem se inspirou na teoria de Mackinder para a tornar realidade. Haushoffer era professor na Universidade de Munique, centro estratégico do comando Nazi e foi mentor de muitos oficiais do exército alemão, inclusivamente de Rudolph Hess e do próprio Hitler. Embora não existam provas concretas, acredita-se que tenha sido Haushoffer quem influenciou Hitler a virar-se a Leste, pela via diplomática. A História diz-nos que Hitler, a dada altura e sem explicação aparente, decidiu romper o pacto Ribentropp-Molotov e invadiu a URSS. A História também nos diz que foi uma decisão errada e a inacessibilidade do Heartland fez outra vítima. Caso o pacto Ribetropp-Molotov não tivesse sido desfeito a Alemanha não ficaria a lutar em duas frentes e a II Guerra Mundial poderia ter tido outro desfecho (inclusivamente, Portugal poderia ter sido arrastado para o conflito e os Açores também). Uma explicação para a decisão de Hitler de invadir a URSS poderá ser o facto da facilidade com que invadiu praticamente toda a Europa, que lhe poderá ter toldado a visão, pois, na verdade, a maioria dos seus conselheiros e generais eram contra tal invasão.

A verdade é que o conceito de Geopolítica ficou arredado da vida pública internacional, após a II Guerra Mundial, pois ficou ligado à Alemanha Nazi e sua necessidade de encontrar um Lebensraum para o seu povo.

Haushoffer teve um final triste, pois o seu filho, que era oficial do exército alemão, esteve envolvido na famosa Operação Valquíria, tendo sido executado. As suspeitas que acabaram por recair em Karl Haushoffer, que foi enviado para Dachau. Haushoffer e a esposa acabaram por cometer suicídio em conjunto em 1946, já depois do fim da guerra.

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