01 setembro 2009

Da Campanha do Contra de Casaca, à Estranha Forma de Exercício de Poder de César

A candidatura de Paulo Casaca à Câmara Municipal de Ponta Delgada parte de um pressuposto negativista. Ele não se apresenta aos eleitores com um princípio construtivo, não, à vista do comum eleitor, a sua candidatura é apenas do contra. O seu slogan é a melhor prova disso: “Um presidente a tempo inteiro” não fala aos munícipes de Ponta Delgada, não mostra nada em termos de projecto de futuro para a cidade, pelo contrário prefere entrar no confronto, na trica política, na idiotice, diria.

Um dos maiores erros de quem está na política é agir e decidir em função do seu adversário e não em função dos eleitores. Muitas vezes preferem ganhar algo dentro do seu próprio partido, ou ganhar pontos ao partido adversário, a ganhar a confiança das pessoas. Falham em compreender que, ganhando o voto popular, ganham dentro do seu partido e, como é claro, ao partido adversário. Ficam cegos nessas disputas e o resultado espelha-se nos valores da abstenção.

De resto, convém dizer que, tal como Berta Cabral é líder do PSD-Açores e Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, Carlos César também é líder do PS-Açores e Presidente do Governo Regional dos Açores e Sócrates é líder do PS e Primeiro-Ministro e Artur Lima é líder do CDS-PP-Açores e deputado e candidato a Angra, etc. A diferença é que, na verdade, é Carlos César quem confunde as duas posições, como se viu quando apelou ao voto no Sócrates, como Presidente do Governo Regional. A explicação para tal comportamento só pode residir no facto de estar muito tempo no poder, acreditando que as regras que quer impor a outros, não se aplicam a si. Muitos exemplos há, actualmente pelo mundo fora, e no passado, de líderes que tinham exactamente essa noção de exercício de poder, achando-se numa posição superior à dos restantes mortais. Evidentemente, é um erro e geralmente acaba mal.

4 comentários:

João Cunha disse...

Depois de quase 20 anos de Mota Amaral, duvido que Carlos César algum dia me choque com um lapso de troca de identidade partido/órgão de soberania.

Enfim, como Terceirense... estou grato por pelo menos ser alvo de algum investimento, garanto que se Berta Cabral chegasse ao poder, teríamos mais 20 anos de centralismo em S. Miguel.

Rui disse...

João Cunha, ou anda desatento, ou não quis ouvir dizer!

Mas como nisto nada melhor que provas, aqui fica:

"O presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, fez ontem um apelo directo ao voto no PS nas próximas eleições legislativas"

Daqui: http://www.diariodosacores.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=2772:carlos-cesar-apela-ao-voto-dos-acorianos-no-ps-para-homenagear-jose-socrates&catid=38:actualidade

João Cunha disse...

Como eu disse... não me choca :)

Não nego que Carlos César tenha feito o comentário, somente penso que nós como açorianos j´estamos mais do que vacinados para este tipo de intervenções por parte de seja qual for o partido no poder.

Pedro Lopes disse...

Rui,

o teu post toca numa questão importante: a dos politícos que se perdem em tricas partidárias, esquecendo o seu principal propósito, que é apresentar soluções para os problemas que a sociedade e seus constituintes enfrentam.

Os que não estão no poder, devem apresentar soluções alternativas quando, e só quando, olharem para as medidas dos seus adversários e virem nelas erros graves.

O problema da actividade dos partidos, reside, em grande parte, nas lutas internas dos partidos, nas rivalidades entre as diferentes facções que disputam a liderança.

Dizes, e bem, que é ganhando o eleitorado que um lider pode crescer e afirmar-se entre os seus pares. Mas como alguns somente têm como objectivo assegurar alguns votos que lhes garantam certos lugares, preferem olhar para dentro em vez de se concentrarem na observação dos problemas vivenciados pelos seus concidadãos e na apresentação de propostas que combatam esses problemas.

Em suma, um partidos tem várias partes, que em lugar de se unirem para "combaterem" os adversários, degladeiam-se entre si em busca da possibilidade de assegurar os lugares que o voto popular lhes conceder.