19 janeiro 2010

Mudança, Precisa-se!

A Comissão Europeia propõe na sua comunicação de 2008 para as RUP [As Regiões Ultraperiféricas: Um Trunfo para a Europa] três eixos fundamentais de desenvolvimento, a saber: redução do deficit de acessibilidade, inserção regional e aumento da competitividade. Porém, a Comunicação de 2008 abandona a abordagem assistencialista, até aí vigente, passando para uma fase em que a EU vê nas RUP como “regiões-oportunidade portadoras de potenciais de desenvolvimento”, utilizando ainda o quadro financeiro de apoio 2007-13, que está em vigor.

Metade da janela temporal do quadro financeiro 2007-13 já passou e aquilo que se constata é que os Açores falharam retumbantemente em quase tudo. Comecemos pelo melhor, redução do deficit de acessibilidade, com efeito o Governo regional dos Açores tem gasto muitos dos milhões europeus nesta área, muita obra, muito asfalto, muitos barcos, barquinhos, aviões e avionetas. No entanto, e como não basta atirar dinheiro para cima dos problemas e esperar por milagres, a verdade é que, apesar da melhoria das condições, os Açores continuam a ter um gravíssimo problema de acessibilidades, que, como é evidente, tem consequência directa no aumento da competitividade.

Passando directamente ao terceiro eixo, o aumento da competitividade económica. (É natural que estranhem o saltar a inserção regional, mas, na verdade, não há nada a registar sobre este assunto. Nulo, portanto) Os Açores, actualmente, têm uma quase irrecuperável dificuldade em ter um tecido empresarial privado que gere competitividade económica. A forma como os consecutivos governos socialistas têm lidado com a questão, falhou, de longe, com este objectivo. Na verdade, a tendência tem sido a de gerar dependências entre o sector privado e o sector público, com o claro objectivo da eternização no poder. Armado com o enorme saco de dinheiro comunitário, o Governo regional assume-se como principal cliente do sector privado, assume-se como o principal empregador e até como principal prestador de serviços, caindo na apavorante tentação de controlar tudo. É claro que esta situação só era passível de ser mantida durante algum tempo, mais tarde ou mais cedo, todo o edifício socialista, que foi alicerçado em relações de dependência, teria que ruir. Os sinais estão aí, são grandes empresas açorianas a fecharem, é o desemprego a disparar (ainda que com números convenientemente maquilhados com programas Estagiar alagargados), é o turismo a morrer lentamente … Para mais, assiste-se a uma luta fratricida dentro do partido que sustenta o governo que só agrava esta já terrível situação. Uma luta que, independentemente do resultado, dará mais do mesmo.
Urge mudar!

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