11 janeiro 2008

Bicudo em Directo

O jornal Terra Nostra publica hoje uma entrevista longuíssima com o Director da RTP-Açores, Pedro Bicudo. Penso que vale a pena deixar algumas passagens, até porque o Terra Nostra ainda não chega (infelizmente) a muitos leitores.
- "havia uma gestão pouco rigorosa (...) uma gestão de mãos largas"
- "eu cortei muita cabeça (...) ficámos com sangue espalhado"
- "houve uma fase delicada, em que as pessoas entraram em choque"
- "havia excessivas benesses públicas a quem era gestor (...) havia gastos excessivos ao nível de combustíveis e utilização de eletricidade"
- "acredito (no sucesso do jornalismo de investigação nos Açores) e estamos a apostar nele, asm é difícil porque a proximidade é demasiada. E as instituições são preponderantes em relação aos cidadãos (...) é muito difícil um jornalista enfrentar no dia seguinte as pessoas tocadas nos seus interesses primordiais"
- "o grande objectivo (da RTP e RDP Açores) é dar poder aos cidadãos, é ser 'fermento' de democracia nos Açores. A democracia funciona alimentada também pelos jornalistas"
- "eu ficaria muito contente se todos os partidos estivessem contra o que estamos a fazer, teria sérias hesitações se tivermos alguns partidos contra e outros a favor. Isto significaria que não estamos a ser independentes"
- "antes, Horta e Angra faziam a informação para Ponta Delgada, que era o centro decisor de tudo o que se fazia na Região. Neste novo projecto, Ponta Delgada, Horta e Angra ficam em igualdade de circunstâncias, porque a partir de agora passamos a ter meios técnicos para fazer um jornal de manhã na Horta, (...) a mesma coisa em relação a Angra (...) e Ponta Delgada é apenas um contributo para um desses jornais"
Enfim, uma entrevista muito longa, com muito para ler e algumas partes para reflectir.

5 comentários:

pedro lopes disse...

Carissimo, nas organizações há sempre grande resistência há mudança, ainda mais quando esta é imposta por uma pessoa que "veio de fora".
Bicudo é Açoreano, mas como todos sabemos, tem feito o seu percurso profissional nos EUA.
O que lhe pode faltar em conhecimento da realidade local e da instituição que agora tutela, seguramente que será suplantado pela eficaz "escola americana" e pelo seu profissionalismo.

Esta entrevista, ou pelo menos estas passagens qiue aqui postaste, demonstram isso mesmo, um homem determinado mas consciente das dificuldades.

Eu estou optimista quanto ao futuro da nossa TV.

pedro lopes disse...

errata: "...resistência à mudança..."

Rui Gamboa disse...

E o que achas de apostar na "tripolaridade" para as notícias? Será o melhor caminho, não valerá mais a pena congregar tudo numa área, por forma a ter um melhor serviço?

pedro lopes disse...

Rui, essa questão da "tripolaridade" nos noticiários, pode ter duas leituras;
por um lado há a questão de que fala Bicudo quando refere o "sanfue derramado" e "que as pessoas entraram em choque", estas questões podem tê-lo levado a resolver diferendos distribuindo "o milho pelos pombos"; (e ganhámos o noticiário da manhã)

o segundo ponto prende-se com a possibilidade de cada centro da RTP (PDL, Horta e ANgra) ter de assumir, agora, a edição e apresnetação de um noticiário cada, o que coloca maior responsabilidade, mas também abre novas portas aos que souberem aproveitar estas novas fuñções, criando uma motivação extra.

E, Rui, como bem sabes, as tecnologias actuais permitem que tudo se faça e se partilhe em tempo real, pelo que não creio que isso origine uma perda de qualidade, antes uma maior diversidade de noticias e conteúdos, e a tal janela de oportunidade para os centros de ANgra e Horta e seus funcionários.

Claudio Almeida disse...

Tripolaridade, mais parece o reitor.

concordo com aquela passagem que ele diz:"havia uma gestão pouco rigorosa (...) uma gestão de mãos largas" e "havia excessivas benesses públicas a quem era gestor"

E gosto daquela:"eu ficaria muito contente se todos os partidos estivessem contra o que estamos a fazer, teria sérias hesitações se tivermos alguns partidos contra e outros a favor. Isto significaria que não estamos a ser independentes"