10 abril 2009

O Futuro que será e O Futuro que poderia ser


Ponta Delgada terá, a partir de 2010, uma escola privada que leccionará do 1º ao 12º ano. [notícia]

Por outro lado, e correndo o risco de estar a cometer uma enormidade, mas com o simples objectivo de mostrar que há mais mundo do que construir um navio de raíz, deixo uma ligação de um navio construído na Austrália, comprado pela Brittany Ferries por cerca de 30 milhões de euros, que faz a ligação entre o norte da Espanha e o sul da Inglaterra. Um navio com uma velocidade máxima de 40 nós e com um tamanho e capacidade de carga semelhante àquele a que foi chamado uma vez o 'Atlântida'.

17 comentários:

pedro lopes disse...

Rui,

que "maquinão".... e por 30 milhões e capaz do dobro da velocidade, o que representa metade do tempo das viagens.

Suponho que eram dois destes Barcos que um Luso Canadiano chegou a propôr colocar a ligar as ilhas Açorianas. Mas ficou a "ver navios".....

Legoman disse...

Tb me lembrei do mesmo, Pedro. O sujeito que propôs outra alternativa, ao que parece mais barata e capaz e ninguém lhe ligou nenhuma. Certamente, falaram valores mais altos.

Cumps

Voto Branco disse...

Caro Rui,
Desta não sabia eu... o que dizer mais? Parecia-me muito mais adequado, porquê foi recusado?
O GRA rescindiu o contrato, o que é certo é que pelos vistos os ENVC já têm vários potenciais compradores para o "Atlântida".
Agora uma questão que se me coloca é como é que o Tribunal de Contas arrasa com todo o processo de compra do "Atlântida" e a seguir o GRA simplesmente rescinde unilateralmente o contrato por justa causa e os ENVC não manifestam intenção de impugnar a rescisão??? Aqui há gato!!!
Alguém me consegue explicar?
Saudações

Rui Rebelo Gamboa disse...

Caro Voto Branco,

Não sei se o caso que coloco foi sequer colocado em cima da mesa, de forma a ser recusado. O caso que o Pedro levanta ao que parece foi mesmo uma oferta que esteve para ser aceite.

Em qualquer dos casos, e tal como já referenciei no post, não tenho capacidades técnicas para levantar questões desta natureza, pois se é verdade que, à primeira vista, estas parecem ser alternativas viáveis, também é verdade que bastarão alguns entraves técnicos e tudo isto passará para o lado, rápido.

Pelo que se sabe, é a partir do momento que há algo a levantar no contrato que o GRA rescinde. No caso, foi com o teste da velocidade. Parece que está no contrato que se o navio não atingisse a tal velocidade neste teste haveria base para rescisão. Por isso é que os ENVC não podem dizer nada. Ainda assim, há certamente mais, muito mais, a explicar. Desde logo, os tais aditamentos que levaram o barco a precisar de alterações e que tiveram como consequência o baixar da velocidade.

PS: tenho que vos dizer, como já disse aliás no meu post sobre as europeias, que estou sem net em casa nestes dias, pelo que não me está fácil responder com a celeridade que gostaria.

Francisco disse...

Há espaço para veículos ? Se sim torna-se difícil explicar... Ainda por cima vamos ter de aguardar a devolução do dinheiro, parece mesmo que aqui há "barco"!

Rui Rebelo Gamboa disse...

Caro Francisco, se a sua pergutna refere-se ao navio que eu coloquei, sim, tem espaço para veículos, se seguir a ligação verá que tem uma capacidade de 235 carros e 850 passageiros. Sobredimensionado para a nossa realidade, parece-me, mas do tamanho do Atlântida. No entanto, e novamente, não posso querer intrometer-me em áreas como a engernharia naval. Isto é só um exemplo.

Voto Branco disse...

Caro Rui,
Lembra-se de eu ter dito:
"Em primeiro, e pelo o que pude averiguar no seio dos entusiastas de navio, a opção pelo tipo de barco, que é ou será, o Atlântida não foi das melhores opções, pois adaptaram o navio às caracteristicas dos portos açorianos existentes, em vez de dotarem os portos dos Açores de terminais "RO/RO" fixos ou flutuantes."
Com 30 milhões deste "maquinão" como diz o Pedro ainda sobrava 10 milhões para as obras nos portos açorianos.
Aliás, com este "maquinão" mais valia andar de barco do que de avião SATA, pois com os atrasos e as greves ;)!!!
Saudações

Capitão disse...

Era o Navio ideal para os Açores.
falo com conhecimento.

Farinha disse...

El servicio es de 2 salidas diarias de Cherbourg -Portsmouth de marzo a octubre, la travesía Caen -Portsmouth con salidas los Viernes, Sabados y domingos a las 12:30 (llegada a Portsmouth hora local 15:00. Esta informação é disponibilizada pela Brittany Ferries.
E porque de Março a Outubro? devido às condições de Mar propícias à alta velocidade (40nós) o que infelizmente não acontece nas Ilhas açoreanas, e depois tratando-se de rentabilizar a embarcação em linhas regulares entre-ilhas, não é uma embarcação apropriada para operar todo o ano nos Açores além do grande consumo de combustível.
A embarcação apropriada é efectivamente um ferry com uma velocidade mínima de 21 nós.

Farinha disse...

Vocés que me desculpem a correcção mas este catamaran da Brittany Ferries de facto custou mais de 30M. de Euros.
Custou à Brittany Ferries 30M de £ (libras) em 2007, na altura a libra encontrava-se mais elevada do que presentemente.
Portanto em 2007 a embarcação custou em Euros, 44 Milhões.

Rui Rebelo Gamboa disse...

É verdade, caro Farinha, são 30 milhões de libras, erro meu, que admito prontamente. Foi, talvez, com a pressa de escrever que não notei para o símbolo da libra. Porqui fui confirmar e de facto são mesmo libras.

As minhas desculpas.

Rui Rebelo Gamboa disse...

Já agora, caro Farinha, e uma vez que fui ver o seu blogue e parece que é alguém que conhece a matéria por dentro, acha que o tamanho deste navio [que é semelhante ao Atlantida] e a sua capacidade de carga são ideais para a realidade açoriana? Na sua opinião e com a sua experiência, não há nenhum outro tipo de navio mais pequeno, mas mais rápido de modo a transportar a carga nos meses de inverno, e um outro maior, que pdoeria ser talvez alugado apenas para a operação de Verão, de modo a dar resposta à maior procura de passageiros. Seria uma opção deste tipo menos cara, ou não?

Farinha disse...

Caro Rui Gamboa.
No bom sentido, não vou inventar o que já está inventado.
Vou-me reportar ao que se passa nas Ilhas das Canárias.
Trata-se efectivamente de um mini Continente, constituído por 7 ilhas bem desenvolvidas turisticamente.
De assinalar a existência de uma refinaria em Tenerife e os grandes portos de La Luz em Las Palmas e o de Tenerife. Todas as ilhas dispõem de terminais RO/RO, o que infelizmente não está contemplado nos Açores, daí aquela rampa lateral à popa no ferry "Atlântida" não concordando com tal.
Nas Canárias operam 2 prestigiados Armadores, a Naviera Armas, e a Fred Olsen Lines que opera com catamarans de alumínio de alta velociade (40nós)atenção, que o Mar das Canárias não é comparável com o Mar dos Açores, muito mais agitado.
A Naviera Armas opera com ferrys inter-ilhas de Canárias, Madeira e Portimão. São excelentes navios que além de passageiros transportam carga rodada. Cito o ferry "Volcan de Tijarafe" que opera entre a Madeira e Portimão, com 154 m de comprimento por 24m de boca (largura) com a excelente velocidade de 24 nós e deslocando 20.000t GT. No próximo sábado vou viajar neste ferry para Portimão e levo 1 viatura ligeira.
Preconizo para os Açores, inter-ilhas um ferry que possa operar em terminais RO/RO, com a velocidade mínima de 21 nós, transportando passageiros e carga rodada. Infelizmente o ferry "Atlântida" não atinge estes objectivos que sugiro.
Na Madeira opera o excelente ferry "Lobo Marinho" todo o ano, da Porto Santo Line, com 112m de comprimento por 20m de boca, deslocando 8.077t GT, com a excelente velocidade de 21 nós, transportando passageiros e carga rodada entre a Madeira e Porto Santo, que dispõem de terminais RO/RO.
Agora, tirem as vossas ilações.
Cumprimentos
Paulo Farinha

Voto Branco disse...

Ena pá, parece que afinal alguém concorda comigo!
Eu já tinha levantado a questão dos terminais RO/RO...
Eu já tinha falado no ferry que faz Funchal-Portimão-Canárias...
Ou não?
Saudações

Rui Rebelo Gamboa disse...

Caro Farinha,

Em termos puramente técnicos, tenho que concordar com a sua abordagem, ainda que a questão do mar agitado dos Açores em oposição ao das Canárias talvez possa ser de outra forma.

Mas, como sabe, comprar um navio destes não é barato, pelo que todas as variáveis têm que ser levadas em conta até ao último momento. Neste sentido, parece-me que a comparação com as Canárias e até com a ligação Porto Santo Madeira só pode servir até certo ponto. Porque, o volume de passageiros de Canárias é muito maior, como o Farinha bem disse, eles têm uma industria turísitica muito mais desenvolvida [algo que não queria para os Açores, mas isso é outra questão]. Deste modo, é que me parece que a oferta que o Atlântida dava em termos de capacidade de passageiros e carga [atenção que estão dois navios a serem construídos em Viana, o Atlantida e outro mais pequeno] era demasiada. Mesmo que nas Canárias operem dois de 150m e nos Açores fossem um que leva 750 pax e outro 400pax. A questão é que nos Açores, inter-ilhas, já opera uma transportadora aérea e só no Verão e sem comparação com as Canárias, é qeu temos algum tráfego de turistas.

E aqui a questão será sempre o que vem primeiro [já quando foi o TGV e o aeroporto pos-se a mesma questão]: ou a decisão política, ou os estudos técnicos? Porque, se a decisão política for, por exemplo, fazer dois navios de 750 + 400 pax, depois encontram-se estudos que a suportem, nem que para tal se façam obras nos portos. Agora, se antes da decisão política houver uma série de estudos, sobre todas as áreas que o equipamento vai operar, aí a decisão política fica muito mais condicionada.

Com isto quero dizer que, perante estes mini-estudos que vamos fazendo agora, devido à trapalhada Atlântida, eu, pelo menos, vou chegando à coclusão que não havia necessidade de navios tão grandes. Porque para o transportte de mercadorias no invernos há privados que operam nos mares do Açores e para passageiros há a SATA. ~Por isso, a melhor soluçáo parece-me um navio mais pequeno durante todo o ano, mais rápido e para fazer face à procura de transporte de viaturas e alguns passageiros e carga. E para o Verão o aluguer de um navio tipo catamaran, [tipo o das Canárias, ou esse da foto] porque o mar é quase sempre calmo e a procura de passageiros é muito maior.

O que conta, neste caso, é gerir bem a coisa pública. Garantir que os serviços são prestados ao minimo custo para o contribuinte. E nada de compras ou construções de navios só para a ostentação.

E caro Voto Branco, evidentemente, tudo o que disse atrás serve para o meu amigo tb entrar no debate e dar a sua opinião sobre qual poderia ser uma boa solução, tendo em conta todos os factores que diferenciam os Açores. E é verdade, sim, senhor, que RO/RO eo ferry portimão-canárias foi falado por si aqui.

Voto Branco disse...

Caro Rui,
Vou tentar-lhe transmitir a minha opinião sobre qual seria a melhor opção - na minha humilde opinião - para o transporte maritimo nos Açores, mas antes abro um parêntesis para falar das companhias maritimas portuguesas.
A marinha mercante portuguesa, a qual teve o seu grande opogeu na década de 50 e 60 do século passado, com vários navios que serviam as antigas colónias portuguesas e que acabaram por servir ao transporte dos militares portugueses para as frentes da guerra colonial. Eu sempre ouvi o meu pai a falar no "Vera Cruz", no "Santa Maria, no "Principe Perfeito", no "Infante D. Henrique", etc, e sempre que ele falava, eu logo sentia uma nostalgia, mesmo nunca tendo viajado neles.
Somos um país virado para o mar, tenhos ilhas maravilhosas e uma história de conquistas maritimas únicas no mundo! Por isso não entendo que se tenha aniquilado as companhias de navegaçao portuguesas. Eu sei que o transporte aéreo provocou a queda do transporte maritimo, pois os tempos modernos não eram compativeis com os longos dias de viagem dos navios. Agora, é claro, que como em muitas outras coisas neste país, não se soube ultrapassar e adequar essas empresas à nova realidade.
Portanto, na minha opinião, a questão do transporte maritimo deveria ser uma das principais prioridades do turismo nacional, não só nos Açores como em todo o país.
E claro, que os Açores são prioritários, pois têm uma especificidade quanto à sua localização geográfica, mas deveriam fazer parte de uma solução global para o transporte maritimo nacional. Portanto, na minha opinião, seria importante haver uma companhia maritima de bandeira, tal como temos a TAP.
Mas falando apenas dos Açores, seria importante ter uma frota que garantisse as viagens durante o ano inteiro, pois não é compreensível que se tenha gasto tanto dinheiro, por exemplo nas Portas do Mar, que é de longe o melhor porto de passageiros que existe no país e, simplesmente para receber uns poucos transatlânticos por ano e os barcos inter-ilhas durante meio ano... não acha pouco?
Nesse sentido, penso que a solução de navios menores e mais rápidos para poder operar durante o ano inteiro seria a melhor opção e, nisso estou perfeitamente de acordo com o caro amigo.
Saudações

Anónimo disse...

Esta gente sonha acordada. 1º- Os Açores não têm o mercado ferry que a Madeira tem, quanto mais o que as Canárias têm, para operar um Seacat que gasta combustivel a rodos, e até nas Canárias devido à crise, a Fred Olsen já encostou um dos sea-cats que tem lá, às boxes (não aguentando a concorrência dos ferries da ARMAS). 2º- Se a Atlanticoline já não ia dar lucro (tentar encher barcos com passagens de valor simbólico só mesmo com o contribuinte português a sustentar), então com um "bêbado de combustivel" como este, é que ia à falência em 3 meses. 3º- Se a Armas, que recebe ferries novos todos os anos, optou por ferries tradicionais, tal como a Porto Santoline, onde é que esta gente pensa que está com a cabeça, para perceber mais de ferries inter-ilhas, que os outros das ilhas do sul que têm anos e anos de experiência? Isto tá tudo louco.
4º- As Portas do Mar e o seu pequeno terminal, para os Açores já tá bem bom, mas ficam a anos luz do que está a ser feito no Funchal, em grande escala. Nem as Canárias vão ter algo semelhante. No entanto, não devem os açoreanos chamar as Portas do Mar, de "elefante branco", pois o futuro aponta para o turismo, há que criar as infraestruturas, e já deviam ter apontado nesse sentido há muitos anos, visto que queijo, vaquinhas e "abacaxi", há em muitos outros sitios, e mais barato.. Um destino turistico é sempre único! E Porque é que as Canárias e a Madeira há muito basearam a sua economia nesse sector? A principal indústria da Espanha que todos gabam é o turismo.. não é a "Zara" nem a Seat.. e tá tudo dito.