24 junho 2011

Viajar em Económica

Nos últimos 30 anos fomos governados quase sempre com uma tendência à esquerda. Com excepção dos governos de Cavaco e Silva nos anos 80 e o brevíssimo consulado de Durão Barroso no começo do milénio, os destinos de Portugal têm vindo a ser ditados pelos princípios da Esquerda socialista. E foi esse modelo de governação à esquerda que trouxe Portugal à beira do abismo que agora nos encontramos. É que a governação à esquerda parte dum princípio errado sobre a própria condição humana, pois condena a competitividade entre as pessoas e incentiva o igualitarismo em todas as suas vertentes. Os homens não são efectivamente todos iguais. Há uns que trabalham mais que outros. Há uns que têm mais e melhores qualidades que outros. Se reconhecermos este princípio estamos preparados para premiar os que trabalham mais e, consequentemente, incentivarmos a competitividade entre pessoas e entidades, que ao compreenderem que o trabalho e dedicação são compensados, acabam por trabalhar mais e, assim, desenvolver o país e toda a sociedade. A governação à Esquerda só relutantemente tem vindo a aceitar o princípio que a competitividade entre pessoas e empresas é positivo, mas fá-lo por obrigação e não por convicção e assim entra em conflito consigo própria. O fenómeno da globalização e a integração europeia obrigaram a Esquerda a redefinir-se, mesmo indo contra alguns dos seus princípios fundamentais. Criou-se, assim, uma espécie de curto-circuito na Esquerda.

O problema é que esse processo de gestão de conflito interno por que a esquerda socialista passou, afectou directamente a vida de todos os portugueses. Porque, por um lado os governos do PS tiveram que cumprir os objectivos impostos pela União Europeia e competir no mundo globalizado, mas por outro mantiveram-se fieis aos seus princípios de um Estado controleiro e omnipresente. Esta dualidade contraditória afectou fatalmente a gestão das contas públicas do país, porque o Estadão sem o qual a Esquerda socialista não sabe viver, não é compatível com o modelo de desenvolvimento que se exige na actualidade.

A tomada de posse do governo liderado por Pedro Passos Coelho é pois um primeiro sinal duma mudança necessária. Um governo desde logo emagrecido, com menos ministérios do que antes. Os exemplos têm que vir de cima, e o plano de emagrecimento do Estado tinha que começar mesmo pelo próprio governo. Depois, trata-se dum governo que integra personalidades com provas dadas em organismos como a Comissão Europeia, ou o Banco Central Europeu. Um trunfo importante neste momento em que temos que lidar com a troyka. E há ainda um dado, que apesar de parecer de somenos, poderá vir a revelar-se muito importante: trata-se dum governo jovem, com pessoas novas, despojadas já dos velhinhos complexos do pós 25 de Abril.

Existem actualmente em Portugal 3 formas de olhar a governação: por um lado temos a velhinha esquerda, do PC e do Bloco, que está em total estado de negação com o que se passa no resto do mundo, como se viu, aliás, ao absterem-se em negociar com a troyka. Depois há o modelo do PSD e do CDS que entende e aceita o mundo globalizado em que vivemos. Um modelo que protege os menos afortunados, ao mesmo tempo que beneficia o mérito. E depois há o não modelo do Partido Socialista que tem como objectivo apenas e só o poder. Para tal, cria um governo pesado que se inclui em todas as áreas da sociedade de modo a criar uma falsa e ameaçadora presença. Este não modelo socialista levou Portugal à beira do colapso financeiro e este não modelo socialista está a levar os Açores pelo mesmo caminho.

4 comentários:

Anónimo disse...

Caro Rui
Este Post começa logo por se enganar na repartição da governação, entre PS e PSD, de facto os governos foram quase igualmente repartidos entre PS e PSD( sem excluir o CDS e até o partido Monárquico)só a falta de idade é que o leva a esquecer-se dos governos de Sá Carneiro.
Considerar que os governos citados se destingiram por serem de direita ou de esquerda, é um erro que qualquer história e a prática dos mesmos facilmente o desmente.
Por outro lado falar em competição como se o compadrio e o clientelismo partidário existente nos governos dos dois partidos fosse competição, é uma mistificação que só o nunca ter estado no mercado de trabalho pode justificar.
Dizer que o historial destes 30 anos foi uma procura da igualização social, é outro mito que facilmente é desmentido pelos números que consideram, que tem havido um maior fosso entre pobres e ricos.
Falar em complexos de esquerda, quando se tem na cabeça uma data de frases feitas( que ainda por cima são falsas)é no mínimo estar nu e falar, e criticar a roupa dos outros.
Falar em abismo quando se contribui(pelo menos em 5o% dele)para ele, é no mínimo má fé.
No entanto apesar da confusão que tem nesta cabeça, sempre lhe digo que por maior, demagogia que seja, as viagens em económica,eu estou de acordo com elas, veremos é se elas não servem para esconder, outros gastos superiores e uma politica que faça com que sejam, os que não tiveram culpa desta crise a paga-la.

Anónimo disse...

Caro Rui
A falta de memoria continua, ao esquecer-se, da tristeza que foi o consulado de Mota Amaral nos Açores, o erro do PS foi após alguns anos, fazer ressurgir, alguns erros dos governos do PSD.
O Rui necessita duma lição de história, quando não se vive os momentos históricos, deve-se estudar a historia destes tempos se se pretende falar sobre estes tempos, senão cai-se na mais vil das hipocrisias e debita-se um rosário de frases feitas sem qualquer ligação com a realidade. Noutros tempos falava-se na cassete, mas esta é não só uma cassete,demagógica,politicamente viciada, como não tem um mínimo de substrato real, ou convergência com a história da politica pós 25 de Abril.
É no fundo ou uma propaganda politica infantil, ou um discurso dum alienado.

Rui disse...

A senda esquerdista que abalou Portugal no pós 25 de Abril chegou a todos. Ao ponto de o partido mais à direita ter que se chamar Centro Democrático Social. O que é facto é que políticas de direita propriamente ditas foram adoptadas pelos governos de Cavaco Silva e alguma tentativa de Durão Barroso. Há que ter a capacidade de se ver para além da partidarite.

Anónimo disse...

Caro Rui
Continua a não se informar.
1º. O CDS não era o partido mais à direita(resta saber o que entende por direita, se é o conceito original da monarquia constitucional Inglesa, nenhum era, (pois ainda não havia Constituinte, e ninguém estava sentado à direita ou à esquerda)
2º. o CDS denominou-se assim por ter influencias democráticas cristãs.(e eram assim que se denominavam os partidos dessa área, doutrina social da igreja)
2ºNão sei o que entende por politicas de direita, mas nem Sá Carneiro nem Durão Barroso(que foi em jovem da esquerda, MRPP)tomaram(pois não tiveram tempo) as verdadeiras medidas de direita, Mário Soares e Sócrates fizeram mais pela direita do que os que citou, bem como Cavaco( que no conceito de direita igual a liberalismo, também não, pois foi, no Cavaquismo em que o estado(uma forma em que se confundiu o estado com os particulares, as parcerias público privadas começaram aí) e a despesa tiveram mais significado .
Direita, esquerda e liberalismo versus Socialismo são sistemas politico, económicos em que se cruzam, não há sistemas prefeitos neste estado de desenvolvimento, histórico, económico e social.
Os critérios têm que ser o serviço público e os interesses que uma classe social, tem em cada momento.
Estou a complicar, mas entender é precisamente complicar e descomplicar a realidade.