09 fevereiro 2008

Voos CIA



É incompreensivel o alarido em torno desta questão. A base das Lajes está cedida aos americanos e os açorianos não têm como investigar todos os aviões que por lá passam. Talvez Carlos César pudesse ter "fugido" à questão, mas uma vez que decidiu responder, não há outra forma de encarar o problema; não há provas concretas que o transporte tenha acontecido, mas perante todas as interrogações que se têm levantado sobre o assunto, se de facto há prisioneiros em Guantanamo provenientes de Leste, há uma grande probabilidade de terem parado nos Açores.

A prisão de Guantanamo é um mal necessário, na luta global contra o terrorismo. A forma com tem sido gerida, é que deve ser alvo de reestruturação. A tortura leva a desinformação e atrasa as investigações na guerra que está a ser travada. Se há provas que um individuo está envolvido numa organização que tem como objectivo realizar ataques terroristas contra civis, então deve ser encaminhado para uma prisão com condições especiais. Se isso implica ter que passar nos Açores para abastecer, que seja.

10 comentários:

H. Blayer disse...

César esteve bem, nas afirmações que fez, na minha opinião.
Aliás, o Governo Regional bem podia estrebuchar contra os voos, que nada resolvia uma vez que o território nacional (ou regional) não depende do executivo da região.
O mal é outro (na minha opinião).
Que explico (e passo a publicidade) no http://www.zirigunfo.variavel.com

pedro lopes disse...

Também me parece que César foi pragmático. quem não sabe é como quem não vê.!
E não esuqecer que o aeroporto das lejes faz parte da Base Americana e, aí, o GR ou mesmo o da Républica, não têm jurisdição.

Quem anda louca com essa questão é a histérica da Ana Gomes.....uma pedrinha no sapato de Sócrates.

E também me parece lógico que para prisionaeiros "especiais" haja uma prisão "especial".
Mas, e muito importante, é preciso acautelar os Direitos Humanos, mesmo quando falamos de terrorisrtas suicidas.
Quem não apoia a pena de morte - como eu -, também não pode tolerar abusos e torturas sobre prisioneiros, que até podem ser (como já se tem visto) inocentes.

A questão que levantas, Rui, relativa à contra-informação ou desinformação que pode ser colhida com base na tortura.
Mesmo um inocente, perante tamanha dor e sofrmento, pode ser tentado a dizer o que esperam que seja dito, só para que acabe, no imediato, o sofrimento.
Não esquecer que quem se mostra disposto a dar a vida para matar inocentes, fácilmente resiste á dor, ou diz o que bem entender.

Para grandes males, grandes remédios. Mas os remédios têm de se adequar às meleitas.

pedro lopes disse...

Não esquecer que ainda ontem foi chumbada, pelo PS, PP e PSD, a proposta do PC e Bloco de criar uma Comissão de Inquérito aos voos da CIA.

Esta proposta foi fundamentada pelo requrentes devido a um recente relatório de uma organizaçã Britânica, "Repreive", que afirma que passaram por Portugal mais de 700 presos(!) entre os anos de 2002 e 2006.

Pinoka disse...

Este post parece-me correcto na sua análise.

blueminerva disse...

"Se há provas que um individuo está envolvido numa organização que tem como objectivo realizar ataques terroristas contra civis, então deve ser encaminhado para uma prisão com condições especiais."

O problema caro Rui, é que muitas vezes as provas são de substância oca e na grande maioria das vezes, é negada o direito à defesa por parte do detido. E isto sim, é grave!
Um abraço

Rui Gamboa disse...

Minha cara,

Esse sim é um problema. Mas eu referi no post exactamente que é necessária uma reestruração, a forma como o EUA estão conduzir essa luta está errada, não só em termos de direitos do homem, como da própria ineficácia do processo.

O que digo e reafirmo é que se houver provas que alguem está ligado a essas organizações, então aí não tenho nenhum problema em que seja preso em condições especiais, tipo Guantanamo. Agora, há relatos que no Afeganistão os EUA davam dinheiro por informações de pessoas ligadas à al-quaeda. As pessoas denunciavam outros de quem não gostavam e ainda recebiam uns bonc cobres. Isso é errado das duas formas que referi antriormente. Mas se os serviços de informação fizesses bem os seu trabalho, quem ia preso era só quem estivesse ligado de alguma forma à organização.

E há uma grande diferença entre as duas situações descritas.

Claudio Almeida disse...

Não necessariamente que os voos passaram pelas Lajes, aliás o que reporta o relatório de Carlos Coelho, é de que passaram nos Açores, mas sim 2 pelo aeroporto de Santa Maria e 1 pelo João Paulo II em Ponta Delgada.
De certeza que a passagem deste voos pelos Açores e a sua paragem nos respectivos aeroportos, estão cobertos pelo Acordo das Lajes, que dá a permissão de os Americanos utilizarem todos os aeroportos da Região, bem como todos os Portos, sempre que necessário e de interesse para as forças Norte Americanas. Contudo consta também do acordo que os Norte Americanos têm sempre que pedir e divulgar a natureza do Voo ás entidades Portuguesas. Se assim é, logo os nossos governantes têm responsabilidade sobre o assunto.

E já agora, a reformulação do Acordo das Lajes, de 1995, consta em um dos pontos, que os Norte Americanos não contribuirão em termos financeiros pela utilização da Base.

Rui Gamboa disse...

Caro Cláudio,

Obrigado pela info.

Relativamente ao ponto em que os americanos têm que pedir e divulgar a natureza dos voos às entidades portuguesas, acho que nesta àrea em particular não o irão fazer, porque são operações secretas e se o fizerem deixam de o ser. E vamos ser francos, se os americanos não o fizerem, o que podem os portugueses fazer? Exigir? Criar um conflito diplomático com os EUA? Não podem, nem teriam sucesso.

As coisas são assim, os EUA são única potência do mundo, Portugal é um país de média/baixa condição na UE, não há forma de discutir. Espera-se que a nova administração americana altere a forma de relacionamento, porque enquanto tiverem esta postura unilateral, não há nada a fazer.

Claudio Almeida disse...

Repara, quando um avião faz escala em um dos nossos aeroportos, o controlador aéreo terá de estabelecer as coordenadas do aeroporto de saída, e por sequência, terá de estabelecer a rota de destino, para desimpedir o espaço aéreo. Logo, no mínimo o controlador aéreo terá de saber esses dados, e por outro lado, o controlador deve estar sob o olhar de um supervisor.
Agora o conteúdo do voo é que talvez seja secreto. Mas por exemplo, um avião norte-americano com saída do Afeganistão e com escala nos Açores e tendo como destino Guantanamo, é de suspeitar!

Rui Gamboa disse...

Ouve, mas eles não podem dar planos de voo falsos? Aí o controlador não sabe de nada.

Em relação ao assunto de Guantanomo em si, acho que preciso explicar-me melhor.

- em tese, concordo com uma prisão como Guantanamo.
- não concordo com esta Guantanamo, desde logo porque é contra-producente e porque viola claramente os Direitos do Homem.