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21 novembro 2012

Forças Armadas, que Futuro?



A proposta do Orçamento de Estado para 2013 já é conhecida há algum tempo e, como se sabe, vai ser representar novos cortes e mais impostos sobre os rendimentos dos cidadãos e das famílias. O tempo agora é da discussão do Orçamento na especialidade, para alterar pormenores de funcionamento e reduzir aqui e ali algumas décimas nos impostos. A verdade é que o essencial já está mais do que decidido.

E olhando para a proposta de Orçamento de Estado para o próximo ano e, mais concretamente, para as despesas de cada Ministério, podemos tirar várias conclusões e interpretações. Desde logo, referir que dos mais de 183 mil milhões que compõem o total do Orçamento, 125 mil milhões vão, logo à cabeça, para o Ministério das Finanças gerir a Divida e a Tesouraria Pública. Ou seja cerca de 68% do Orçamento é só para pagar divida. É esta a situação em que estamos, é assim tão grave.

Mas, olhando para o resto do Orçamento, outras interpretações podem e devem ser feitas. Por exemplo, o Ministério da Defesa Nacional terá direito a 2 mil milhões de euros, que servirão para pagar as despesas das Forças Armadas, ou seja Exército, Força Aérea e Marinha. Por outro lado, o Ministério da Administração Interna receberá também cerca de 2 mil milhões de euros que irão quase todos para as forças de segurança interna, ou seja as polícias.

Ora, aqui se pode fazer um exercício quase de cariz filosófico sobre qual o papel dos Estados actualmente e que sentido faz manterem-se forças militarizadas. As forças de segurança interna são, evidentemente, essenciais para o bom funcionamento de um Estado de Direito. Aliás, e como se sabe, as polícias carecem de mais de meios para combaterem todo o tipo de banditismo que surge. Desde a segurança dos cidadãos na rua ou nas suas casas, até aos chamados crimes de colarinho branco, passando pelos crimes na internet, a criminalidade é cada vez mais um problema que tem que ser muito bem combatido por parte do Estado.

Já a Defesa Nacional parece-me que se esgota a cada ano que passa. O actual cenário de organização e de relações internacionais entre os Estados já não é o mesmo do século passado. Hoje em dia, um Estado como Portugal não tem necessidade de ter uma força militarizada pensada para guerras convencionais ou para evitar uma invasão de outro Estado qualquer. Até porque na remotíssima eventualidade de enfrentarmos uma invasão militar ou uma guerra convencional, não teríamos hipótese, porque as nossas Forças Armadas estão obsoletas. Hoje em dia o papel das Forças Armadas está praticamente reduzido a exercícios de treino. Aqui nos Açores ainda dão o jeito de deslocarem doentes com urgência entre ilhas. Apesar de ser um serviço muito importante para os Açorianos, não deixa de ser muito pouco para aquilo que já foi o papel das Forças Armadas Portuguesas.  

As invasões actualmente são feitas economicamente, quase ao estilo troiano, ou seja de dentro para fora. Para lutar contra isso, precisamos de bons sistemas de informação, diplomacia económica eficaz e políticas que protejam os nossos empresários. Para se conseguir tudo isso, há que estar, antes demais, a par com a actualidade.

Olhando, pois, para o Orçamento de Estado e constatando que o Ministério da Defesa e o Ministério da Administração Interna têm direito essencialmente ao mesmo montante, não podemos deixar de pensar que algo não está certo. Nós precisamos, sim, de forças policiais internas mais fortes. Precisamos de mais investimento no combate ao crime. Não precisamos de aviões a jacto de guerra ou de submarinos. 

A criminalidade interna vai aumentar com a crise. Desde os assaltos nas ruas, a casas e a empresas, até às fugas de impostos. Só a título de exemplo, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude diz que em 2011 43mil milhões de euros fugiram ao fisco em Portugal. Isto representa 25% do PIB! Se conseguíssemos apanhar estes criminosos e fazer com que pagassem os seus impostos, como todos nós fazemos, certamente que o nosso esforço, o esforço de todos nós cidadãos contribuintes, seria bastante menor. 

É imperativo, por isso, refundar o conceito de defesa nacional e repensar onde alocar os nossos cada vez mais parcos recursos. Defender um país, hoje, no século XXI, é proteger os seus cidadãos dos perigos de hoje e não dos do passado. Os nossos inimigos hoje não estão no exterior, mas sim já no interior do país.

07 março 2012

A Renegociação do Acordo Bilateral

A localização geográfica dos Açores, entre a Europa e o continente americano, confere-nos elevada importância no âmbito das relações geopolíticas. Com efeito, nas duas guerras mundiais que se disputaram no séc XX, os Açores assumiram um papel de relevo para o resultado final. Aliás, na segunda guerra mundial, tanto os alemães, por um lado, como ingleses e americanos, por outro, negociaram com Salazar a ocupação dos Açores, na certeza que para o desfecho muito dependeria a chamada “Batalha do Atlântico” e a preponderância sobre os Açores. Com a sua reconhecida sagacidade e enorme capacidade de negociação, Salazar soube, na devida altura, chegar a acordo com os Aliados. Assim, e apesar de ter sido oficialmente um país neutro na II guerra mundial, Portugal acabou por ser fundamental para os interesses dos Aliados, devido à cedência da base das Lajes. Com o fim da II Guerra Mundial, abriu-se a Guerra Fria entre o Ocidente e o bloco comunista. Não obstante Portugal ser à época um regime ditatorial e de não ter sido directamente atingido pela guerra, passou a fazer parte da Aliança Atlântica e beneficiou do plano de ajuda à Europa pós Guerra. A razão única por que Portugal entrou nesse lote de países, que beneficiaram de um enorme desenvolvimento, foi os Açores e a base das Lajes. Ou seja, os Açores, com a sua importância geoestratégica, contribuíram activamente para aquilo que acabou por ser a realidade política nacional do séc. XX e tiveram, igualmente, um efeito inquestionável na II Guerra Mundial e, consequentemente, sobre o quadro político internacional que se seguiu.

A guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética colocou os Açores exactamente no meio do conflito. Por esta razão, a base das Lajes era considerada essencial para a política externa norte-americana assente na dissuasão, o que fez com que os Estados Unidos se empenhassem para a manter. O General Calvet de Magalhães afirma, num dos seus artigos de investigação sobre esta matéria, que o acordo de 1983, por exemplo, previa uma contribuição financeira de 400 milhões de dólares em dádiva e mais 255 milhões na forma de crédito a longo prazo, por parte dos EUA a Portugal. Assim se vê quantitativamente a importância que os Açores tinha à época para os norte-americanos.

No entanto, essa importância foi-se esvaindo. Assim, a última versão do acordo, que data de 1995, prevê apenas, no seu artº 6º, a necessidade de se criarem programas que visassem o desenvolvimento económico e social dos Açores. Mas, na verdade, a partir daquela data a única mais-valia que os Açores têm, pelo facto dos americanos estarem na base das Lajes, é o acordo laboral para os trabalhadores portugueses na base.

Actualmente estamos num momento de renegociação do Acordo, por iniciativa do lado americano, no âmbito dos cortes na despesa militar dos EUA, da administração Obama. E para nós, Açorianos, este é um momento que deve ser encarado com grande coragem na defesa dos nossos interesses. No fundo, estamos a falar da cedência do nosso território para que os Estados Unidos possam projectar o seu poderio militar no mundo, factor que lhes é essencial para o seu desenvolvimento económico. Apesar de ser um facto que o centro das relações geopolíticas se deslocou para Oriente, esvaziando, assim, alguma importância geoestratégica dos Açores, a verdade é que o arquipélago mantém ainda espaço na política externa dos EUA, como se vê. Mas temos que ser realistas e perceber que além do mundo ter mudado, em termos das relações internacionais, a própria tecnologia militar desenvolveu-se. Hoje em dia, é possível comandar aviões em combate no Afeganistão a partir dos EUA. Ou seja, é apenas natural que os EUA pretendam reduzir o contingente de pessoal efectivo fora dos EUA. É algo que decorre da própria evolução das coisas.

Os Açores não são um Estado soberano, portanto a nossa presença e a nossa capacidade de influenciar as negociações estão dependentes da posição do governo de Lisboa. Desta forma, é necessário, antes de mais, os Açores acertarem a posição com Lisboa. E é em ocasiões como esta que se afirma uma Autonomia adulta. O que desejam os Açores desta cedência da Base? Manter o actual quadro dos trabalhadores portugueses? Sim, claro. Estamos a falar dum enorme peso para a Economia terceirense. Mas, perante a intenção norte-americana de baixar o contingente militar, perante a certeza da perda de importância geopolítica dos Açores, será expectável alguma quebra no que respeita à força laboral associada aos norte-americanos na ilha Terceira, com tudo o que isso significa para a Economia local.

Por estas razões, e voltando ao prévio entendimento necessário com Lisboa, os Açores devem tentar reorientar as contrapartidas dadas pelos EUA, retirando do apoio militar a ceder a Portugal para dar ao real problema actual dos Açores: desenvolvimento económico e de desemprego. Por isso, devemos procurar que o próximo acordo salvaguarde a criação efectiva de programas que contribuam para o desenvolvimento económico da região. Podemos e devemos procurar outras formas de cooperação. Mas para isso, há que ter uma estratégia interna de combate ao desemprego e de criação de riqueza, que não há como se sabe e como se vê. Só com essa estratégia bem delineada é que poderíamos reclamar objectivos concretos. De resto, a tão badalada incapacidade diplomática portuguesa não passa de uma consequência de não haver estratégias internas. Salazar, apesar de tudo, tinha a sua estratégia, pelo que sabia o que pedir e exigir nas mesas das negociações, em prol dos seus interesses. Por isso a diplomacia portuguesa do Estado Novo tinha sucesso.

Existem outras formas de se beneficiar do acordo bilateral. Os Açores são a parte essencial deste acordo, pelo que não podemos ficar passivos nesta questão. A redução anunciada pelos EUA não é apenas ameaça para ganhar argumento na mesa das negociações. Vai certamente acontecer, piorando ainda mais a situação de desemprego nos Açores. Portanto, é com a prioridade de combater o desemprego e dinamizar a nossa Economia que devemos encarar esta renegociação. No fundo, estamos novamente a falar de mudança. Há que mudar a forma como olhamos até agora este Acordo e saber usar a nossa Autonomia para aquilo que ela efectivamente existe: defender os interesses dos Açorianos.

28 fevereiro 2011

A nomeação de Mário Mesquita para a FLAD - o que mudou?



O açoriano Mário Mesquita foi nomeado no final de 2006 pelo Primeiro Ministro para fazer parte do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD). Na altura esperava-se que essa nomeação representasse uma mudança naquilo que é a acção da FLAD, que passaria a ter outra atenção aos Açores. Aliás, André Bradford disse que esperava uma “injecção de sensibilidade para as questões açorianas na FLAD”, que se traduzisse em mais projectos de cooperação e desenvolvimento.

No entanto, passados quase 5 anos sobre a nomeação de Mário Mesquita e aquilo que os Açores ganharam foi pouco mais que uma ou outra apresentação de um livro feita em Ponta Delgada. Ridículo, portanto. E caso para o Dr. Bradford olhar para trás e assumir o engano.

A questão é simples: a FLAD deve ou não servir os interesses dos Açores? A verdade é que a sua criação se deve ao acordo de cooperação entre EUA e Portugal, que existe devido à presença dos americanos nas Lajes. Mas, nos Estatutos da FLAD não há nenhuma referência aos Açores. E sabia-se que os próprios membros do Conselho Executivo da FLAD nem queriam ouvir falar em interesses específicos dos Açores. Portanto, a nomeação de Mário Mesquita nunca poderia ser vista como uma vitória do governo de Carlos César. No máximo é uma vitória do próprio Mesquita, que nem vive nos Açores há décadas.

Esta sim, é uma questão de Autonomia. A FLAD existe devido aos Açores. Se a FLAD não tem uma acção especialmente direccionada para os Açores, como é o caso, então coloca em causa todo o edifício autonómico açoriano. Porque, no fundo, dizem-nos que fazemos parte de um todo que é Portugal e não podemos ter um regime de excepção. Mas o nosso regime de excepção existe, e existe exactamente devido à nossa condição de insularidade e à nossa posição geo-estratégica no meio do Atlântico, que, no fim, justifica a existência da FLAD.

Com os documentos agora divulgados pela Wikileaks confirma-se o que já se temia, a FLAD existe, isso sim, para salvaguardar os interesses de um punhado de pessoas. A FLAD, nos actuais moldes, é uma derrota para os Açores. Com ou sem Mário Mesquita.

A ver, com atenção, a reportagem sobre a FLAD realizada por altura da nomeação de Mesquita. E confirmar o auto-engano de Bradord e do Governo regional dos Açores, ao esperar de Mesquita o que sabiam que nunca iria ser possível.





22 outubro 2008

Islândia, Rússia...Açores

A Islândia decidiu recorrer à Rússia para um empréstimo de €4 mil milhões, por forma a salvar a sua economia.

Ora, esta notícia deve ser seguida atentamente pelos Açores, no contexto de uma eventual renegociação do acordo da Base das Lajes. É que a Islândia e os Açores foram, durante a Guerra Fria, decisivos para o domínio do Atlântico norte. Hoje já não vivemos na Guerra Fria, mas o ressurgimento internacional da Rússia – o despertar do grande urso – tem sido alvo de preocupações por parte dos EUA. Assim este poderá constituir um forte argumento para Portugal e para os Açores.

15 maio 2008

A Birmânia e o Princípio da Inviolabilidade das Fronteiras


A situação que se vive actualmente na Birmânia permite que se levante novamente a questão do princípio da inviolabilidade das fronteiras, garantido na Carta das Nações Unidas. Com efeito, a maioria dos principais líderes mundiais já afirmou que algo deve ser feito, mas simplesmente não é legal porque a Birmânia não cometeu nenhum acto de agressão… a não ser para com milhares de birmaneses.

Tentou-se levar o assunto ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, mas a China, como membro permanente com direito de veto e principal aliado da Junta Militar que se encontra no poder na Birmânia, vetou o pedido, alegando que a tragédia resultante to ciclone Nargis “é um desastre natural e não deve ser politizada”.

O Ministro dos Negócios Estrangeiros francês afirmou que, se a Birmânia não cooperar, a ONU deve invocar “responsabilidade para proteger” e prestar o auxílio, independentemente da posição da Junta. Foi uma solução rapidamente descartada, pois essa responsabilidade não se aplica a desastres naturais.

Então como pode a comunidade internacional intervir em casos como este? A resposta reside no princípio da inviolabilidade das fronteiras, que fazia sentido no século XIX, não no mundo interdependente em que vivemos hoje. O respeito pelas soberanias deve, no entanto, ser um princípio fundamental para a ordem mundial actual, mas esse princípio deve ser acompanhado de regras básicas (como permitir ajuda internacional em caso de uma tragédia como a que se vive na Birmânia) que os próprios Estados devem respeitar.

17 abril 2008

Internacionalização da Amazónia

A questão da internaiconalização da Amazónia é deveras pertinente. Se o Brasil não pode ou não consegue evitar que se continue a destruir aquela floresta, como é que a comunidade internacional pode intervir, uma vez que a Amazónia é património de toda humanidade e a sua destruição tem impacto directo sobre toda comunidade internacional? Evidentemente, este é assunto tabú para o Governo brasileiro, em qualquer tipo de fórum internacional, por isso mesmo o seguinte discurso do ex-Ministro da Educação brasileiro Cristovam Buarque foi censurado.
Buarque participava num Congresso numa Universidade norte-americana, quando um jovem fez-lhe a pergunta, especificando que queria a resposta do humanista e não do brasileiro.

"'De facto, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.
Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do Mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de comer e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"
(não tenho informação da data exacta deste discurso, mas pela referência ao Fórum do Milénio, diria que é de 2000)

15 abril 2008

Brasil: O outro lado do sonho

O Brasil é um país riquíssimo em todos os sentidos. Durante muito tempo os brasileiros não souberam capitalizar as grandes vantagens daquele territótio, mas agora o cenário começa a mudar. Mas essa mudança na prespectiva da União Europeia, é difícil de lidar.

A nossa negociação está num momento difícil, devido, em grande parte, ao Brasil. As razões são várias, mas partem sempre do mesmo pressuposto: as matérias em que o Brasil tem problemas graves, não devem simplesmente ser tratadas, por serem de dominio interno. Os exemplos vão desde a luta contra a droga, o derrube ilegal de árvores, a inclusão social, a migração. Na maior parte destas áreas, a vasta maioria dos restantes países do grupo América Latina e Caraíbas tem opiniões diferentes da brasileira, mas a posição oficial do grupo como um todo é que prevalece e aí o poder e a riqueza brasileira, mais os diferentes aliados que tem nas diferentes áreas, fazem a diferença. E a embaixadora brasileira junto da UE sabe dessa força e usa-a de forma implacável. Um verdadeiro osso duro de roer. E com a recente notícia da descoberta de um campo gigantesco de petróleo na Baía de Santos, o Brasil é cada vez mais um dos principais actores no cenário internacional.

Internacionalização da Amazónia?

05 março 2008

O Factor Chávez

Aparentemente a DG das Relações Externas (DG RELEX) é das mais interessantes onde trabalhar na UE. Mas neste momento é ainda mais, especialmente na Unidade onde estou, South America's Horizontal Mathers. A crise que se tem vindo a desenvolver na Colombia é a principal razão. Hoje, esteve na DG RELEX o vice-presidente colombiano a dar a sua versão dos acontecimentos. Segundo Santos, a razão do escalar da crise tem um nome: Hugo Chávez. A Venezuela nem estava directamente envolvida no caso (incursão de militares colombianos no Equador, em perseguição das FARC, que valeu a morte do nº2 daquele movimento e o encontrar de discos rígidos com registos de conversas entre Chávez e as FARC), mas decidiu, num acto provocatório, mandar tropa para a fronteria com a Colombia. Ainda segundo Santos, a Colombia não vai reagir, enviando tropa para a fronteira.

23 fevereiro 2008

Kosovo - O Precedente


A UNPO (Organização de Nações e Povos Não-Representados) está, acima de todos, muito atenta ao precedente que foi a independência do Kosovo. Entre a Abkhazia e Zanzibar estão 67 outros membros que também acham ter as "condições especiais" do Kosovo, e devem ter razão.

11 fevereiro 2008

Paradiplomacia na UAç


O debate que a UAç vai organizar de 20 a 26 de Junho próximo, sobre as "Relações Externas das autonomias regionais na Europa", será deveras interessante. O Professor Carlos Amaral, director do curso e do núcleo de Estudos Europeus e Política Internacional da nossa Universidade, há muito que compreendeu a importância da paradiplomacia para as regiões.

Paradiplomacia é um conceito relativamente recente nos estudo das Relações Internacionais. Regiões e municípios, devido à deficiência dos Estados centrais em corresponder às suas necessidades e expectativas no domínio das Relações Externas e também, no caso europeu, devido aos próprios princípios que norteiam a União Europeia, criam este novo canal de diálogo com o resto do mundo.

Já justifiquei aqui e aqui a necessidade que os Açores têm de abrir um gabinete fixo em Bruxelas. Na verdade, somos a única região da Europa que ainda não tem. É exactamente no contexto da paradiplomacia que esta opção é urgente para o futuro dos Açores.

Espera-se que este debate ajude a abrir os horizontes.

09 fevereiro 2008

Voos CIA



É incompreensivel o alarido em torno desta questão. A base das Lajes está cedida aos americanos e os açorianos não têm como investigar todos os aviões que por lá passam. Talvez Carlos César pudesse ter "fugido" à questão, mas uma vez que decidiu responder, não há outra forma de encarar o problema; não há provas concretas que o transporte tenha acontecido, mas perante todas as interrogações que se têm levantado sobre o assunto, se de facto há prisioneiros em Guantanamo provenientes de Leste, há uma grande probabilidade de terem parado nos Açores.

A prisão de Guantanamo é um mal necessário, na luta global contra o terrorismo. A forma com tem sido gerida, é que deve ser alvo de reestruturação. A tortura leva a desinformação e atrasa as investigações na guerra que está a ser travada. Se há provas que um individuo está envolvido numa organização que tem como objectivo realizar ataques terroristas contra civis, então deve ser encaminhado para uma prisão com condições especiais. Se isso implica ter que passar nos Açores para abastecer, que seja.

28 janeiro 2008

Suharto, Ford e Kissinger


A propósito da morte de Suharto, deixo um excerto de um documento que foi recentemente tornado público. Trata-se de uma reunião entre o então Presidente dos EUA, Gerald Ford e Suharto, onde também estiveram presentes o Secretário de Estado, Kissinger e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Indónesia, Malik. Este encontro teve lugar a 6 de Dezembro de 1975.


Na página 8 do documento, Suharto levanta o "problema de Timor" porque a FRETILIM havia declarado independência unilateralmente e pergunta ao Presidente americano se se opõe a uma "rápida ou drástica acção". Ford diz que compreende o problema. Kissinger, por seu lado, levanta o problema de não serem utilizadas armas de fabrico americano. Mais adiante, Ford pergunta se há hipótese de uma guerrilha de longo prazo, Suharto confirma que deverá haver guerrilha porque os soldados da FRETILIM estão impregnados de comunismo, tal como o exército português.


Mais informação sobre todo o processo, aqui.

28 novembro 2007

Annapolis: Supera Baixas Expectativas e Frustra Quem Esperava Avanços


O encontro em Annapolis entre o Primeiro Ministro de Israel e o Presidente da Autoridade Palestina marca o reinício de conversações entre os dois líderes, desde o fracasso de Camp David.

Além das fotografias e discursos de ocasião e do sempre enervante ar de "tipo-que-não-percebe-nada-do-assunto-mas-que-age-como-se-dominasse-tudo" do Bush, fica a promessa de ambas as partes de se sentarem para falar sobre o problema.

Também é importante realçar o facto de todos os países da Liga Árabe terem marcado presença. O mais certo é que cada um desses países tenha ido, para depois não ser acusado, na eventualidade de mais um fracasso. Neste contexto, a presença da Síria é importante, porque é um país acusado pelos EUA de patrocinar terrorismo, mas mesmo assim fez-se representar pelo vice-chanceler, em troca os sírios pediram que a questão dos Montes Golã, fosse incluída nos trabalhos. Parece evidente a estratégia norte-americana de tentar isolar o Irão.

Aliás, o principal objectivo deste encontro terá sido exactamente a luta contra o Irão. Porque, na realidade, tanto Abbas como Olmert são líderes enfraquecidos e com pouca capacidade de negociar. Olmert devido à desastrosa guerra contra o Hezbollah no Líbano há pouco mais de um ano. E Abbas porque perdeu grande parte do controlo do território palestiniano para o Hamas.

Não se podia esperar muito deste encontro, mas foi um encontro entre os dois líderes e pode marcar o recomeço de conversações que levem a uma melhoria das relações entre os dois povos. E marca também uma estratégia diferente dos EUA em relação ao Irão, que pode vir a dar resultados.

10 outubro 2007

A Guerra ao Serviço de Putin

Um dos maiores receios da EU actualmente chama-se Rússia. A democracia musculada de Putin é mesmo motivo de grande preocupação para a Europa, desde logo para a Alemanha, que depende do gás russo. Quando acontecem disputas entre russos e ucranianos, a primeira acção de Putin é fechar a “torneira” do gás, o que acaba por afectar os alemães.

Mas, neste momento, a sucessão de Putin levanta um problema de muito maior grandeza, pois ao que parece este quer suceder a si próprio. Assim surgem duas soluções para o actual presidente russo; a primeira é seguir como primeiro-ministro, mas como se sabe, tendo a Rússia um sistema presidencialista, o primeiro-ministro não tem os poderes que Putin deseja manter. A segunda hipótese é bastante preocupante, é que a única forma de um presidente russo se manter em funções, além do tempo estabelecido por lei, é se houver um “estado de emergência”. Ora, as recentes notícias de um início de conflito entre a Rússia e a Geórgia, pode servir perfeitamente os interesses de Putin, pois se a guerra estalar, há mesmo o tal “estado de emergência”. Para se ver como o caso é sério, a Rússia mandou regressar todo o corpo diplomático destacado na Geórgia e respectivas famílias.