06 dezembro 2009

Coup d'Etat

O Canal 1 da RTP apresentou um documentário sobre a morte de Francisco Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa que revelou a todos os portugueses aquilo que a VIII Comissão Parlamentar de Investigação sobre este assunto, liderada por Nuno Melo (CDS-PP), já tinha concluído: um engenho explosivo de baixa capacidade esteve na base da queda do avião em Camarate.

Segundo essas mesmas conclusões, Sá Carneiro foi apenas um dano colateral, pois o atentado era dirigido a Amaro da Costa. Sobre toda a conspiração, que envolve tráfico internacional de armas, um suicídio (quiçá provocado) dum jornalista da TVI já em 2000 e muitas outras peripécias, é bom consultar este site.

Apesar do caso estar arquivado, apesar de não parecer, pois ninguém fala no assunto, a verdade é que tudo indica que o Primeiro Ministro de Portugal foi assassinado no ano de 1980. Tal como Kennedy nos EUA, pode-se apenas especular sobre como seria Portugal hoje caso Sá Carneiro não tivesse morrido.

2 comentários:

José Gonçalves disse...

Embora no início da adolescência, ainda me lembro, como se fosse hoje, do choque sofrido lá em casa, quando se soube da notícia.
Ao longo da década de 80, acompanhei, a par e passo, nos semanários, a história, as várias pistas, os nomes, as comissões parlamentares, a coragem de Vera Lagoa em não deixar a história morrer, lutando contra os poderes instalados. Li tudo o que se escreveu, até os despachos judiciais, e lembro-me de achar estranho como todos se afastaram do essencial e se centraram numa divisão ideológica. Para a esquerda, era acidente; para a direita, atentado. Lembro-me, até,de que houve uma comissão parlamentar (salvo o erro a IV) que, por unanimidade, chegou à conclusão de que fora um atentado e, aquando da apresentação do relatório, a direcção de, pelo menos, um partido ter obrigado o(s) deputado(s) a mudar(em) o sentido de voto.
Lembro-me dos vários entraves que vinham a público para impedir o apuramento da verdade, sempre na ânsia da prescrição.
Lembro-me, também, do sentimento popular e da sua convicção maioritária.
Hoje, trinta anos depois, mesmo não sabendo o que teria acontecido ao país se Sá Carneiro e Amaro da Costa anda fossem vivos, não tenho qualquer dúvida de que estamos a falar de homens e políticos íntegros, com uma coragem inabalável e um sentido de Estado acima de qualquer mesquinhice pessoal. Exactamente o contrário do que vivemos actualmente. Os políticos actuais, especialmente os que exercem o poder, deveriam olhar para trás e, ao menos uma vez na vida, pensarem no exemplo que estes dois Homens lhes oferecem. Ainda por cima, é gratuito.

* Hoje, lucidamente, acho que foram assassinados, por muitas teses aeronauticas que me apresentem, e o motivo já era falado na época

Rui disse...

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