Mostrar mensagens com a etiqueta História dos Açores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta História dos Açores. Mostrar todas as mensagens

12 setembro 2009

De regresso aos arquivos NARA e à FLA

No dia 19 de Maio de 1975, o Cônsul dos EUA em Ponta Delgada envia um relatório a Washington, onde dá conta dum encontro com o "engenheiro civil, António Manuel Gomes de Menezes"”, onde este mostrou a sua intenção de vir a fazer um pedido oficial ao governo norte-americano para apoiar os movimentos separatista açoriano. Apesar de receber de bom grado qualquer apoio, Menezes prefere que os EUA dêem apoio diplomático nas Nações Unidas, a favor dos Açores, para forçar Portugal a fazer um referendo sobre a independência das ilhas. Menezes disse acreditar que mais de 80% dos açorianos votariam a favor da independência. Gomes de Menezes avisou ainda que, caso o referendo não fosse em frente com alguma brevidade, “moderados”, como o próprio, não poderiam segurar mais os “extremistas”, que já pediam medidas violentas. Confirmou ainda que a FLA e o MIRA são a mesma organização e que foram responsáveis por alguns incêndios ocorridos anteriormente.

06 junho 2009

06061975


*Informação dada pelo Consulado dos EUA em Ponta Delgada para a Secretaria de Estado, no dia 6 de Junho de 1975.
** Foto: contracapa da separata da Revista Atlântida, vol. XLVI (2001) "Caminhos Cruzados - O Processo Democrático e a Deriva Independentista dos Açores", de Saes Furtado.

15 março 2009

Os Açores como Paraíso da Máfia. O que poderia ter acontecido.

Segundo Saes Furtado, em Caminhos Cruzados, O Processo Democrático e a Deriva Independentista dos Açores, separata da revista Atlântida, a partir de Março de 1975, José de Almeida está nos EUA a reunir apoios para a causa que defendia. A agitação nos EUA era feita pelo Comité Açoriano de 75, organização que integrava membros da FLA vindos dos Açores e emigrantes há muito naquele país. Para dar “perícia para outros voos”, passaram a confiar em estrangeiros como Jean Bletiére, Jean-Denis Raingeard e Rainer Daenhardt para “contactos internacionais para apoios à luta armada”. Bletiére era “miltante do OAS, organização de extrema-direita francesa nascida para combater a independência na Argélia, implicada em tentativas de assassinato do General DeGaulle e habituada a recrutar mercenários e a fornecer armamento a grupos da direita radical”.

“Recusado o apoio oficial dos EUA […] a FLA e os companheiros terroristas do OAS tentaram outras vias de apoio. […] Estabeleceram-se contactos com fornecedores de armas na Nicarágua e com a comunidade cubana em Miami. Mais tarde até com a Líbia e a Argélia. Eventualmente, alguns destes esforços deram frutos. Luís Franco […] garante que várias toneladas de armamento estiveram prontas para embarcar para o arquipélago. Mas como para comprar armas era preciso dinheiro, havia que obtê-lo primeiro. O custo de um campanha da FLA contra Lisboa, levada até às últimas consequências, poderia atingir os três milhões de dólares […] Foi para obter esse dinheiro que foi marcada uma reunião no Hotel Raphael em Paris, em Setembro de 1975. Jean Bletiére […] José de Almeida […] Carlos Peixoto, o principal dinamizador dos independentistas na ilha Terceira. Do lado dos potenciais financiadores estavam presentes Edwars Meadows e Victor Fediay, ambos com ligações a figuras da Máfia de Nova Iorque. Presentes estavam ainda sheiks árabes. O emigrante António Matos […] assegura «com certeza absoluta» que o negócio era mesmo para obter armas, mas acrescenta que «eles estavam a pedir muitos dos Açores». […] As condições apresentadas pelos potenciais financiadores, quase todas relacionadas com facilidades para investimentos em casinos, jogos e lavagem de dinheiro no arquipélago, acabaram por se tornar insuportáveis para os açorianos envolidos. José de Almeida rasgou o acordo. […] Para José de Almeida tratava-se de um acordo que previa a «prostituição dos Açores»”

07 março 2009

A Junta vista pelos Americanos

A propósito do lançamento do livro Carlucci vs. Kissinger e porque é um tema do nosso interesse, apresentamos um relato da autoria do Cônsul em Ponta Delgada para o Secretário de Estado norte-americano, datado de 25 de Novembro de 1975 sobre a Junta Regional dos Açores [que se perdoe a tradução feita em cima do joelho]. O documento original pode ser visto aqui.

“1. Sumário. A Junta Regional dos Açores foi criada em Agosto sem poderes definidos, desde essa altura desenvolveu-se num Governo Autónomo Popular. Fim de sumário.

2. A Junta foi criada após decreto em 21 Agosto com o fim de ser um governo de transição, encarregue ao mesmo tempo de escrever um Estatuto de Autonomia para os Açores, uma espécie de Constituição para um Governo Autonómico. O Decreto era vago, não concedia à Junta muitos poderes, ficando directamente dependente do Primeiro-Ministro. A Junta é composta por 7 pessoas, um Presidente, o Governador Militar dos Açores e seis membros, dois de cada um dos três distritos dos Açores. O General Magalhães, Governador Militar dos Açores, com base em recomendações feitas pelos Partidos políticos e outros, escolheu os seis membros, dando ao PPD quatro lugares e ao PS dois lugares, basicamente segundo os resultados das eleições. Há indicações que nem todas as primeiras escolhas aceitaram servir a Junta. Cada um dos seis membros está responsável por vários sectores de governo, de acordo com os seus interesses e experiência.

3. Membros
A. Presidente: Gen Altino Pinto de Magalhães é natural de Trás-os-Montes e chegou aos Açores ainda como um jovem oficial. Tornou-se Governador Militar em Janeiro de 75 e tem tido um papel político importante desde as manifestações de 6 de Junho. É fortemente anti-comunista e um moderado que simpatiza com as aspirações açorianas pela Autonomia, mas é contra a independência. O General orgulha-se das suas capacidades negociais e encanta [palavra é charms] a maioria das pessoas com quem fala, com a sua simplicidade e cordialidade. Embora nem todos concordem com as suas opiniões, é respeitado por todos pela sua integridade e capacidade de trabalho.
B. Dr. António de Albuquerque Jácome Correira, nomeado pelo PPD do distrito de Ponta Delgada, responsável pela Agricultura, Pescas e Indústria. Dr, Jácome Correia, que foi recentemente eleito vice-presidente da Junta, é Veterinário, com ligações à sociedade de São Miguel. É independente politicamente, com posições entre o CDS e o PPD. Nas outras ilhas criticam-no por pensar só em São Miguel.
C. Dr. Henrique de Aguiar Oliveira Rodrigues, membro do PPD, de Ponta Delgada, responsável pelos Assuntos Sociais, Saúde, Trabalho e Emprego e Emigração. O Dr. Aguiar é cardiologista nos seus trinta e muitos anos, que está a sacrificar a sua vida profissional para servir na Junta. Em contraste com o Dr. Jácome Correia, tem uma perspectiva geral dos problemas dos Açores.
D. Dr. José Adriano Borges de Carvalho, membro do PPD do distrito de Angra, responsável pelas Finanças e Coordenação Económica. José Adriano anunciou a sua retirada da Junta, um facto que a maioria atribui à sua imaturidade [tem 24 anos] e personalidade problemática. O PPD de Angra nomeará um substituto para o seu lugar.
E. Eng. Leonildo Garcia Vargas, membro do PS do distrito de Angra, responsável pela Administração Local, Pessoal e Ambiente. Vargas é Engenheiro Eléctrico e é considerado capaz e recatado que não impõe a posição socialista.
F. José Pacheco de Almeida, membro do PPD, do distrito da Horta, responsável pelo Turismo, Comércio, Transportes e Comunicações. Almeida, em muito um “selfmade”, tem a reputação na sua ilha de ser um lutador. Trabalhou no passado nas primeiras tentativas para criar um plano geral económico para o arquipélago.
G. José Martins Goulart, membro do PS, da Horta, responsável pela Educação, Investigação Científica, Cultura e Comunicação Social. Goulart tem 27 anos e passou sete anos em Universidades a estudar Engenharia Eléctrica. È o porta-voz dos socialistas na Junta. É controverso e admite ferver em pouca água [a palavra é “excitable”] e ser um mau político.

4. Como funciona?: O Decreto que estabeleceu a Junta diz que tem os poderes que o Governo da Republica delegar nela. Mas na verdade a Junta, desde o começo, assumiu cada vez mais responsabilidades para o governo dos Açores. Como disse um membro, a Junta consulta com o Governo quando este mostra-se cooperante, de outra forma a Junta decide e depois informa Lisboa. Os membros da Junta tomaram gradualmente a gerência de cada uma das áreas por que cada um é responsável, das Juntas Gerais de cada distrito que, antes, decidia directamente com Lisboa. A Junta tem várias reuniões por semana para discutir as políticas e os problemas que precisam da atenção geral. Porque a Junta tornou-se num Governo Regional, um problema sério surgiu: a Junta não tem nem pessoal, nem condições para operar convenientemente. Cada membro da Junta tem um assistente com quem partilha um escritório. Para além disso, há alguma assistência secretarial. Todos os membros afirmam não ter o tempo necessário para estudar os problemas que lhes são levantados, pelo que têm que tomar decisões rápidas. Estão tentando encontrar gente qualificada para servir como “secretários de Estado” para cada um dos sectores de Governo, de forma a permitir aos membros concentrarem-se nas políticas.

4. Recursos. O Governo Central deu à Junta quatro milhões de dólares, além do dinheiro já colocado à disposição dos Açores, que a Junta está a usar para uma série de projectos, sendo o mais espectacular a criação de uma Universidade dos Açores.

5. Autonomia: Está claro que a Junta acha-se um Governo Autónomo. Talvez a melhor forma de ilustração desse facto, será a forma como Goulart nos disse que quanto a Junta preparou a sua declaração de 15 de Novembro, rejeitou cuidadosamente qualquer linguagem que indicasse que a Junta estivesse sujeita ao Governo de Lisboa. Espera-se, nos próximos dias, que a Junta evolua para um Governo Autónomo, após deliberação ministerial.

6. Comentários: A Junta Regional dos Açores é o primeiro Governo Regional nos Açores. Está tentando traçar novas direcções para os Açores, enquanto está a tentar tratar dos problemas diários da governação. Após algum cepticismo inicial público, tem ganho apoio, particularmente depois devido à forte posição que tomou no 15 de Novembro.

PFEIFLE
CONFIDENCIAL”

06 fevereiro 2009

Pedaços da Nossa História #2








Mais algumas digitalizações da Revista Açores, abrangendo também o Faial e a Terceira.

27 janeiro 2009

Pedaços da Nossa História













Algumas digitalizações da edição de Março de 1933 da Revista Insula e da edição de Junho de 1925 da Revista Os Açores. Outras serão aqui publicadas no futuro.
(clicar nas imagens para ver melhor)

21 novembro 2008

Uma invasão virtual dos Açores

Não resisto em deixar mais uma passagem do livro de memórias de George Kennan. Kennan, nascido em 1904, era nesta altura um jovem diplomata sem qualquer influência na desorganizada política externa norte-americana de 1943. Mais tarde, porém, Kennan veio a revelar-se um dos principais ideólogos durante a Guerra Fria, com o célebre artigo assinado na Foreign Affairs, sob o pseudónimo "X" e com a teoria do containment.

O relato que Kennan faz a seguir é de meados de Outubro de 1943, alguns dias antes da entrada oficial dos ingleses na Terceira. Algumas facções norte-americanas defendiam que Kennan (que era o chargé d'affaires em Lisboa desde a morte do Embaixador) deveria solicitar a Portugal uma série de facilidades nos Açores.

"A list of facilities several times more pretencious than all that the British, even invoking their ancient alliance, had ever dreamed of requesting: a naval base, a seaplane base, bases for landbased aircraft on three different islands, cable and communications systems, observation posts, radar, facilities for accommodation of American naval vessels in each of the Azores ports, etc. It was clear that facilities of these dimensions would simply sink the economy and administration of the islands under their own weight. (...) The primary economy of the islands would be debauched by the amount of outside money brought in and expended. The islanders themselves, heretofore self-respecting people, would inevitably be moved to abandon their humble farms and other pursuits and to embrace, for the superior remuneration involved, the status of servicing personnel for the bases. It was idle to pretend that this represented anything other than a virtual takeover of the islands by our armed forces for the duration of the war and he ruination of the culture and traditional mode of life of the inhabitants."

15 novembro 2008

Momentos da História da Aviação nos Açores

Duas digitalizações do interessante livro Apontamentos para a História da Aviação nos Açores, de C. R. Silveira e F. Faria, de 1986.
- Passagem do Graf Zeppelin sobre a Horta (1930)
- Recepção a Charles Lindbergh (1933)



clicar nas imagens para ver melhor