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06 maio 2011

Obviamente, demita-se.

O Correio dos Açores publica hoje uma preciosa entrevista com a Presidente da ATA (Associação do Turismo dos Açores), Luísa Schanderl. Uma entrevista bastante clara, em que se nota a cumplicidade que há entre os dois intervenientes. É quase como que uma conversa de amigos.
Diz a senhora Luísa Schanderl que "no preço final (das passagens aéreas nos Açores) temos que ter em conta o número de passageiros potenciais e nós temos uma falta de massa crítica, quer interna, quer externa, para preencher os voos, o que nos penaliza, traduzindo-se no preço das passagens".
À primeira, à segunda, à terceira vista podem parecer apenas palavras soltas sem qualquer conexão entre elas, mas não deve ser, porque, que diabo, esta é a Presidente da ATA! Isto tem que fazer sentido. Vamos reflectir...

Adiante.
A entrevista trata de assuntos de grande importância para os Açores, aborda-se o tema do Turismo numa prespectiva macro. Daí não haver necessidade de se falar naquele pormenor de somenos que é a página visitazores.com (ou .org). Realmente, não faz qualquer sentido a senhora Presidente da ATA nos explicar porque razão adjudicou por ajuste directo a prestação de serviços de produção do site oficial do Turismo dos Açores à empresa Icom Medialab, por 150 mil euros em Fevereiro de 2010, para já este ano, em Março de 2011, ter adjudicado o mesmo serviço à empresa Pangemédia do ex-líder da Juventude Socialista, Nuno Tomé, por 176 mil euros. Aliás, a senhora Presidente até pensa que explica, quando afirma "que não é correcto dizer-se que a construção do sítio custou à região mais de 320 mil euros, uma vez que a verba é comparticipada pelo Proconvergência, ou seja, por fundos comunitários". Ou seja, não faz mal!A sério, Senhora Luísa Schanderl, eu não sei que qualidades tem para ocupar esse(s) lugar(es), mas com base naquilo que diz publicamente, fico muito preocupado por ser uma pessoa assim a gerir os milhões que a ATA gasta na "promoção turística dos Açores".

03 janeiro 2010

Era uma vez 700 Milhões de Euros

A propósito do editorial de hoje de Paulo Simões, no AO, recordei-me de um post que publiquei neste blogue no passado dia 8 de Novembro de 2006 e que passo a transcrever algumas partes.
Bem, o valor não foi bem corrigido, segundo Paulo Simões, os Açores "não viram sequer a cor" desse dinheiro. Entretanto, o golfe nos Açores e tudo o que isso representa em termos de turismo de qualidade, deu um passo de gigante ... de caranguejo.
Bom Ano.

16 dezembro 2008

Portas do Mar. Que Turismo para os Açores?

Foto "roubada" ao Fiat Lux.

O prémio que a obra das Portas do Mar recebeu serve de motivo para fazer uma pequena reflexão sobre o estado do turismo em São Miguel e nos Açores.

Como já foi amplamente dito, as Portas do Mar foi uma obra avultada. Decidiu-se investir muitos milhões no turismo de cruzeiros, o que, à primeira vista, é uma boa opção, pois os Açores estão no meio do Atlântico e podem ser facilmente incluídos em várias linhas existentes.

Há alguns pontos porém que queria explorar. É sabido que os pacotes de cruzeiros trazem tudo incluído, sendo por isso compreensível que os turistas de cruzeiros prefiram comer a bordo, saindo apenas para comprar alguma lembrança ou alguma compra de supermercado. Por outro lado, regra geral, o turista de cruzeiro é abastado, sendo também expectável que gaste algum dinheiro quando visita Ponta Delgada. Com isto quero dizer que a aposta no turismo de cruzeiro acarreta algum risco, mas tem condições para gerar alguma riqueza.

Parece-me, no entanto, que não se está a aproveitar os nossos recursos. A pergunta que deve ser colocada é: que temos nós que nos difere dos outros destinos turísticos? Quais são as nossas principais atracções turísticas? A resposta é evidente: a Natureza. Cada uma das nossas ilhas é diferente, cada uma tem pontos de beleza natural únicos no mundo e portanto é aí que se deve investir. Ora, um turista de cruzeiros não tem, de forma alguma, tempo para visitar e apreciar essa beleza natural. Pela simples razão que um cruzeiro fica apenas umas horas em cada destino. E a verdade é que a nossa beleza natural exige tempo, exige calma, exige paz de espírito. E por esse mundo fora são locais como estes que são cada vez mais procurados, por serem cada vez menos, porque se distinguem dos outros, porque são locais onde se pode verdadeiramente retemperar forças.

Desta forma e ressalvando que esta é apenas a opinião de um observador, que não tem qualquer formação na área de turismo, parece-me que o investimento deve ser feito principalmente em três vertentes. Desde logo, preços de passagens aéreas competitivos, que permitam aos Açores colocarem-se definitivamente como uma opção para muitos e preços de passagens inter-ilhas, seja de barco, seja de avião. Muitas vezes ouvi europeus de diversas origens dizerem que sim, que os Açores parecem ser fantásticos, mas por aquele preço visitam três ou quatro países. Neste ponto, que acaba por tocar também directamente aos açorianos, torna-se necessário investir na tal relação com a EU, mas isso é outra conversa. Depois, promoção como sendo esse destino de local de paz, onde há tempo, onde se pode até meditar, fazer passar essa mensagem de forma convidativa é essencial. E finalmente as condições, onde os grandes hotéis não parecem ser a melhor opção, mas sim com locais característicos com contacto humano, conjugado com serviço de excelência e apoiado por várias opções de actividades (trilhos, passeios de barco, etc.)

Dito isto, convém esclarecer que me parece que as Portas do Mar são uma obra bonita que embelezou Ponta Delgada e que o investimento estando feito é essencial agora rentabiliza-lo.

01 maio 2007

Guias

O investimento no turismo é uma engrenagem muito grande, que começa com as infra-estruturas, passa pela promoção e acaba com os guias turísticos, que são a face visível daqueles que visitam as nossas ilhas. Se a intenção é fazer com que os turistas fiquem com uma boa imagem dos Açores, não só para voltarem, mas também para fazerem, eles próprios, promoção, então é da maior importância que os guias turísticos sejam pessoas capazes e bem formadas. Não é admissível que se vejam pessoas a desempenhar essa vital função, para o bom funcionamento da economia ligada ao turismo, que não têm nenhuma qualidade, a não ser a de serem amigos, ou familiares de alguém que decide, ou porque têm um carro.

Novamente, é preciso investir na formação e, neste caso, regulamentar esta situação, para que, apenas pessoas dotadas de uma carteira profissional, possam receber e informar os que nos visitam.