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20 outubro 2009

Da Justiça e da Frontalidade

João Miguel Tavares, colonista do DN, escreveu no passado dia 3 de Março que “Ver José Sócrates apelar à moral na política é tão convincente quanto a defesa da monogamia por parte de Cicciolina. (…) ultrapassa todos os limites da cara de pau. A sua licenciatura manhosa, os projectos duvidosos de engenharia na Guarda, o caso Freeport, o apartamento de luxo comprado a metade do preço e o também cada vez mais estranho caso Cova da Beira não fazem necessariamente do primeiro-ministro um homem culpado aos olhos da justiça. Mas convidam a um mínimo de decoro e recato em matérias de moral.”

Vai daí, o Primeiro-por-pouco-tempo-Ministro, na sua linha de lidar mal com a livre expressão, instaurou um processo ao colonista. Ora, fica-se a saber hoje que Sócrates perdeu e que o processo foi arquivado, uma vez que o artigo em causa traduzia “uma manifestação legítima de opinião”. Caso fechado. Conclusão: a verdadeira face de Sócrates, apesar de muita maquilhagem e golpes de rins, continua bem visível.

Há, no entanto, um paralelismo a ser feito entre esta situação e aquilo que se assiste actualmente nos jornais açorianos. É que, João Miguel Tavares chamou as coisas pelo nome, disse o que achava, sem meios-termos, sem se refugiar em artigos de opinião, disfarçados de literatura de trazer por casa. E isto revela o tipo de pessoas com que lidamos. São pessoas incapazes de expressar uma opinião abertamente, são pessoas que falam em código para uma pequeníssima minoria, são pessoas que agem sempre na base da dissimulação, são pessoas que se escondem em esquinas a conspirar, são pessoas perigosas e são o tipo de pessoas que dão má reputação à política, que afastam os eleitores da política, porque falam entre si, não dizem absolutamente nada à população. No fundo, é uma espécie que se alimenta de veneno e que, por via disso, vai ficando cada vez mais doente até ao dia em sucumbe. É triste e é uma pena!

18 outubro 2009

Uma Análise de Verdade a "Uma Análise Realista"

Sobre um artigo que saiu ontem (Sábado) no Açoriano Oriental que dizia que Berta Cabral venceu todas as eleições em que participou como cabeça de lista, colocando-se, assim, estrategicamente, para bater qualquer que seja o adversário do PS em 2012, disseram-me que não era bem assim, que em 2008, nas Legislativas Regionais a actual Presidente da Câmara de Ponta Delgada foi cabeça de lista por São Miguel.

Ora bem, de facto Berta Cabral foi a cabeça de lista por São Miguel nas Legislativas Regionais de 2008 ganhas pelo PS de Carlos César. No entanto, convém esclarecer que, do ponto de vista do eleitor micaelense – ou, já agora, do ponto de vista dos eleitores de cada ilha – a escolha que lhes era colocada, nessas eleições, não era entre os cabeça de lista de ilha, mas sim entre o projecto de governo liderado por César e o projecto de governo liderado por Costa Neves. Nas Legislativas temos apenas um boletim de voto, para escolher o partido que irá governar, pelo contrário, nas Autárquicas temos três boletins de voto, da Câmara, da Assembleia Municipal e da Assembleia de Freguesia. Aquilo que conclui, ao analisar os resultados do Concelho de Ponta Delgada, é que Berta Cabral e o seu projecto venceu, mesmo nas Freguesias onde o PSD não venceu.

Ou seja, efectivamente, como é dito no referido texto, sempre que ao eleitorado é colocada uma escolha entre Berta Cabral e outro candidato, a actual líder social-democrata vence. E este é um capital político que poucos têm.

Já agora, à luz desse capital político, compreende-se o ataque cerrado que os socialistas têm feito à liderança social-democrata. É que, como bem se sabe, o principal objectivo de quem está no poder é reter esse mesmo poder e aumentá-lo, se possível. Ora, tendo em vista em princípio, analisem-se todos os artigos dos socialistas nesta semana que passou e chega-se à conclusão que Berta Cabral representa, para o PS, uma enorme ameaça para 2012. Doutro modo, pouco interessaria escrever sobre a Presidente da CMPD. Os estrategas do PS sabem bem que, de facto, Berta Cabral venceu todas as eleições que se apresentou como cabeça de lista e, tendo como objectivo a retenção do poder em 2012, tentam retirar o crédito político da líder laranja. Aos sociais-democratas cabe, pelo contrário, proteger esse capital político.

17 outubro 2009

BB e as "Putas"

Este artigo de Baptista Bastos é uma pérola que desperta, em quem o lê, os mais variados sentimentos. BB dedica esta coluna d"O Jornal de Negócios" ao Prós e Contras em que José Manuel Fernandes e João Marcelino esgrimiram argumentos sobre a questão das escutas em Belém. E é a estes dois que o maõs-largas BB dá carinhosas prendas. No fundo, o artigo de BB é um elogio aos jornalistas de desporto, em oposição aos outros dois.

No entanto, nada disto me faria gastar estes minutos. O que me fez salientar o artigo do BB foi o seu final, que passo a transcrever na íntegra: «Ouvi, na segunda-feira, com surpresa e nojo, designarem-se, uns e outros, por "colegas." Quando entrei nos jornais ensinaram-se o seguinte: "Jornalistas são camaradas e tratam-se sempre por tu. Colegas são as putas." Ficou-me para sempre

E assim, dum momento para o outro, passamos a apreciar, em todo o seu virtuosismo, pequenas peças jornalísticas como: "Linda jovem de 50 anos. Meiga. Depravada. Beijos naturais. Peludinha. 35 rosas. 91*****25".

Quem diria?

09 julho 2009

O "X" Marca a Qualidade (ou não)

Com o começo do mês de Julho, assistimos às televisões generalistas inaugurarem as suas grelhas de Verão. Na mesma linha, talvez, o jornal Açoriano Oriental decidiu alterar o layout das páginas destinadas à opinião, numa espécie de baralhar e voltar a dar, só que empacotando tudo na mesma página. O resultado é deveras constrangedor; além do efeito visual maçudo e complicado, os textos tiveram de passar por uma dieta rigorosa - certamente para seguir a moda de Verão -, o que os torna praticamente inúteis, dado o pouco espaço para desenvolver ideias que é reservado aos autores.

Ora bem, deverá ser por estas razões que vamos encontrando pérolas dignas de registo no espaço de opinião diário do AO. Pois então, na passada terça-feira, o twiter Repórter X fazia uma comparação verdadeiramente descabida entre a Câmara Municipal de Ponta Delgada e o Governo Regional (através da Direcção Regional de Cultura) sobre os montantes dos apoios atribuídos a agentes culturais. Será (quase) escusado dizer que a capacidade financeira dessas duas entidades não é comparável. Depois, a crónica parte para o obrigatório juízo de valor. Assim, sentencia o Repórter X que os eventos culturais promovidos pela CMPD são nivelados por baixo e populistas e não têm um factor qualitativo e inovador, aludindo certamente àqueles do Teatro Micaelense.

Então o que é qualidade e inovação? E o que é populista e nivelado por baixo? Como se consegue catalogar cultura desta forma? Será que qualquer evento que esteja apinhado de gente é populista e não presta? Haverá um número máximo de espectadores para um evento ser considerado inovador e com qualidade? Não haverá aí influência partidária no meio desse catalogar em série por parte do X?

23 junho 2009

O Balão Furado de Mariana Matos

Alguém que assina como Mariana Matos, no jornal Açoriano Oriental, escreve um autêntico tratado de traulitada político-partidária, do pior que se tem visto nos Açores nos últimos tempos, mas revelador, muito revelador, do estado de nervosismo e de divisão que se vive para os seus lados.

Antes de mais, uma frase que vai ficar nos anais das tontices: “voto obrigatório, nos Açores, como forma de proteger a nossa democracia”. Esta enormidade só pode ser explicada porque certas pessoas entendem a democracia mesmo como sendo deles.

Depois, é muito engraçado o facto de estarem a fazer o papel do defensores do debate. Ora, pergunto eu, que contributo foi dado, até ao momento, por estes cronistas de trazer por casa, para o debate sobre a abstenção? Diz Matos que outros “não estão disponíveis para discutir ou debater nada que não esteja relacionado com as suas intenções”. Bom, resta saber quem são “eles”, porque exactamente acima do conjunto de palavras reunidos por Matos no Açoriano Oriental, há um artigo, bem fundamentado, defendendo o voto facultativo, em oposição ao obrigatório. Portanto, além da ausência de argumentos apresentados por Matos, o timing não podia ter sido pior.

De resto, não vale a pena sequer escrever muito mais sobre aquele conjunto de palavras de Matos, mas só para que fique bem claro o que está a passar, cá vai: 1) César disse, na noite da derrota nas Europeias, que Manuela Ferreira Leite ia ser o alvo dos socialistas, numa espécie de paga pelo que foi dito sobre Vital Moreira (bem dentro do estilo e linha revanchista deste PS) e 2) esta súbita e mal disfarçada preocupação com a abstenção, não passa de um mal-estar do PS com a própria população, como ficou provado com a afirmação da “estupidez dos que não votam”, porque enquanto a abstenção serviu os seus interesses, nunca se falou no assunto. E que melhor maneira que tratar dos “estúpidos” que não votaram, do que os obrigar a votar?

O debate sobre o desinteresse da população nos assuntos políticos, que se reflecte depois na abstenção, é que deve ser feito e sobre esse assunto convém aos responsáveis governativos olharem para dentro, antes de lançaram ideias típicas de regimes totalitários, como é o caso do “voto obrigatório”. A população está arredada da política, em muito, devido a este tipo de conjunto de palavras que Matos publicou.

17 junho 2009

Paulo Mendes e a (não) Defesa do Voto Obrigatório

Um cronista que assina como Paulo Mendes defende o voto obrigatório no AO. Parece-me muito bem que o faça e parece-me muito bem que não ache “lunática” a ideia levantada pela “ave rara” César. *


No entanto, a forma como Mendes argumenta em favor da sua causa é que me parece pouco consistente. Cá estão, então, os seus argumentos:


- “outros países têm voto obrigatório”. Ora, se nalguns funciona, noutros nem por isso e todos (principalmente aqueles onde não é um desastre) têm realidades sociais muito diferentes da nossa.


- “Pervenche Bérez, Presidente da Comissão Económica e Monetária defendeu a necessidade de se abrir a discussão sobre o voto obrigatório”. Muito bem, eu também quero debater o assunto. E?


- No fim, Mendes afirma que é “ilusão pensar que o voto obrigatório pode tornar o indivíduo politicamente activo e participativo (…) mas pode contrariar os actuais níveis de abstenção”.
Ou seja, seguindo este argumento de Mendes, o importante seria mascarar os números da abstenção. No fundo, fazer de conta que está tudo bem, pois segundo esta tese, teríamos elevados níveis de participação, mas que, de todo, corresponderiam à realidade. Onde é que já vimos isso?


No entanto, verdade seja dita, o grosso do artigo baseia-se exactamente no reconhecimento que o voto obrigatório não serve de nada, apresentando o autor outras vias para melhorar os níveis de participação. Por isso, à primeira vista, não se compreende a clara e – aparentemente – propositada contradição. Deveremos ler a explicação nas entrelinhas? Talvez. Não sei.


*Entre aspas termos usados pelo próprio Mendes.