Quando se começa a estudar relatórios e estudos relativos às alterações climáticas, é impossível não ficar com um nó no estômago. A situação, como se sabe, não é irreversível e tal como o
Relatório Stern mostrou, há até hipótese de retirar dividendos económicos da situação, se se souber agir em conformidade e a tempo. Uma coisa esse Relatório provou: sairá muito mais caro a não tomada de acções para reverter a situação ambiental.
Posso apenas comentar a situação na América Latina e Caraíbas, que apesar de ser da maior importância e merecer da Comissão bastantes recursos, não é, no entanto, a prioridade. A prioridade é
Copenhaga.
Em 2007, o
Painel Intergovernamental para Alterações Climáticas indentificou uma série de ameaças-chave: atlerações nos padrões de precipitação; o desparecimento de glaciares na América Latina que afectam significativamente os recursos de água para consumo humano, para a agricultura e para gerar energia. Mas também há que contar com a diminuição das colheitas agrícolas e de criação de gado, que terão consequências para as capacidades de exportação daqueles países, bem como para a segurânça alimentar e há ainda elevados riscos de perda de biodiversidade, devido à extinção de espécies nas zonas tropicais da América Latina.
Nas Caraíbas mais de 50% da população vive a menos de 1.5km da costa, o aumento do nível do mar, levará a inundações, tempestades, erosão e outros perigos para as zonas costeiras, afectando assim as infraestruturas e os ecossistemas, ameaçando os recursos piscatórios, que são o suporte de vida de comunidades inteiras. Nas Caraíbas também se sofrerá a falta de água, que será insuficiente nas épocas de seca.
Todos estes fenómenos terão um forte impacto nas economias, sendo as principais vitímas as populações mais vulneráveis, o que afectará definitivamente os esforços políticos que têm sido feitos para o desenvolvimento daquelas sociedades e para a irradicação da pobreza.
Os resultados das avaliações que a Comissão Europeia tem financiado mostram que a primeira área a trabalhar é a de ajudar as populações locais a encontrarem formas sustentáveis de utilização dos recursos naturais. Por outro lado, há a necessidade de assegurar que os Governos locais incluem completamente as questões ambientais nas suas estraégias e políticas relativas à redução da pobreza.
Esta é a realidade naquela parte do mundo apenas. Uma realidade comprovada com estudos e relatórios. A vontade da União Europeia em trabalhar conjuntamente com os países em questão é inegável e pode ser observada na quantidade de programas que são financiados, tanto na ajuda directa às populações, como na construção de infra-estruturas e na pesquisa.
Agora, há uma questão deveras importante: nós não podemos estudar os dossiês nos dias em que o
Conselho reúne. O vai e vem de carros e motos da Polícia com as sirenes a abrir caminho para os líderes europeus, só levam à desconcentração. Sugeria que se reunissem no deserto e nos deixassem trabalhar em paz.