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09 maio 2009

Isto ainda vai acabar mal

Rua dos Mercadores. Não se trata de estar a favor desta ou daquela opinião. Mas o que lá se está a passar é a pura anarquia: peões sem passeios, automóveis sem faixa de rodagem, carrinhas e outros estacionados por tempo indeterminado (não há parquímetros, nem sinais de estacionamento proibido).
Passeiem pela baixa. Vejam com os vossos olhos. Exija-se bom senso.
Rua dos Mercadores. Não será irónico?

24 março 2009

Pequenas Contradições #2

No passado dia 7 de Fevereiro, fiz aqui, publicamente, algumas considerações sobre uma conferência que teve lugar na Universidade dos Açores. Porque foi um texto curto, passo a transcrever na íntegra:

“Numa conferência pública (mas pouco) sobre terrorismo internacional, organizada pelo MP Paulo Casaca e com a presença de uma representante da Embaixadora da União Indiana em Portugal e do meu estimadíssimo Professor Luís Andrade, discutia-se as origens daquele problema, as suas implicações, formas de combate, etc.Entre traduções próprias da Conferência de Berlim, sai uma questão/afirmação de uma deputada à ALRA que, por estar à minha frente, não pude identificar, uma vez que só lhe via a nuca. Dentro do espírito humanista que certa esquerda gosta tanto de apregoar, a questão/afirmação explicava que as origens do terrorismo no sub-continente indiano poderiam estar directamente ligadas ao modelo ocidental democrático que foi para aquela zona importado. Ora, analisando a questão num âmbito geográfico mais largo do que a União Indiana, poder-se-á discutir se o modelo anterior daria ou não azo a actos terroristas, mas certo é que era um modelo onde, por definição, os cidadãos (se é que se pode chamar isso) não eram todos iguais perante a Lei e onde o conceito de Liberdade era necessariamente diferente do actual.”

No dia seguinte, na caixa de correio deste blogue entrou uma mensagem de Piedade Lalanda, identificando-se como a pessoa que tinha feito a pergunta. Nesta mensagem, a srª. acusa-me de falta de frontalidade, porque não fiz o contraditório “olhos nos olhos” e explica que o terrorismo actual poderá ser o resultado das intervenções dos povos ocidentais na era dos descobrimentos.

Ora, porque raramente consultamos aquela caixa de correio e porque a minha frontalidade não se fica por emails privados, passo a explicar agora e publicamente, como sempre faço, as minhas posições:

1) Não faria qualquer sentido nem intervir na dita conferência sobre este assunto, nem interpelar a srª depois, como é sugerido no mail privado. Por um lado, porque as traduções estavam a ser ridiculamente lentas, uma intervenção da minha parte para contrapor o argumento da srª., iria demorar uma eternidade. Depois, o centro das atenções era a representante da Embaixada da União Indiana, não me parece correcto que dois membros do público entrassem num diálogo. Finalmente, como disse no post público original, não conheço a srª., nem, muito menos, a identifiquei na altura, apenas soube que era membro da ALRA porque Paulo Casaca assim o disse quando deu a palavra.

2) Em relação ao conteúdo da questão, que como se vê, foi o que abordei, exclusivamente, no post público original, aceitar aquele argumento é desculpabilizar o terrorismo e colocar a culpa apenas no Ocidente. Não posso aceitar isso. Todas as sociedades, em todos os tempos, cometeram atrocidades, a diferença é que os povos ditos colonizadores exportaram os valores por que hoje nos regemos, de liberdade, de democracia, de igualdade. E desta parte do nosso passado devemo-nos orgulhar. Erros e crimes foram cometidos, certamente que sim, mas imaginemos que todos os povos do mundo lembram-se cobrar, através de actos cobardes terroristas, o que, em dada altura da História, outro povo lhes fez? Tantas razões existem para explicar o terrorismo actual, umas mais simplistas, outras mais elaboradas, porquê colocar o acento tónico sempre nesta?

3) A minha frontalidade está aqui, neste espaço público, aberto a quem o quiser ler. Não envio mails privados, quando há caixas de comentários para esse fim. Como diz a srª. na sua mensagem, “há muito contraditório na blogosfera” e que “são os efeitos da modernidade”. Utilize-se, então, esta nova ferramenta de discussão e troca de argumentos, mas que seja de forma aberta e frontal.

23 março 2009

Coisas que aborrecem

Já há muito tempo que estou para escrever sobre este assunto: passadeiras rolantes no Parque Atlântico.

Não tanto como os chicos-espertos que estacionam indevidamente nos lugares destinados a pessoas com deficiência, o uso das passadeiras rolantes no centro comercial é sintomático da forma de estar na vida do nosso povo. Desde logo, o facto de se chegar à passadeira e parar é o cúmulo do comodismo. No entanto, admito que assim se faça, aliás pouco me diz, pessoalmente. Agora, é inadmíssivel quando as pessoas colocam-se lado a lado, ocupando o espaço de passagem para aqueles que têm mais que fazer. É um exemplo acabado do "quero lá saber dos outros". Noutros países, não diria mais evoluídos, mas diferentes, há o hábito das pessoas encostarem-se a um dos lados. Será necessário o João Catatau escrever um Código para o uso de passadeiras/escadas rolantes?

Noutra ocasião veremos o sundaydriverismo...

10 fevereiro 2009

Curar o Sistema

Confrontados com os casos BPN e Freeport, nós não sabemos bem como reagir, porque no fundo a responsabilidade é nossa, de cada cidadão. O sistema está a cair de podre e nós, a contar os tostões, nem temos tempo para nos darmos conta disso. Preferimos tapar o sol com a peneira, fazer de conta que está tudo bem, porque não queremos, nem podemos, enfrentar a realidade, uma vez que estamos todos envolvidos no sistema, seja por via dos créditos à habitação, seja por via do emprego que, de uma forma, ou de outra, está dependente do Estado, em particular, ou do sistema, em geral. E se esse sistema cair, nós tememos pelas nossas escassas garantias e pelas nossas famílias. Não nos podemos dar ao luxo de enfrentar o sistema.

Somos responsáveis porque, para o bem e o para o mal, vivemos numa democracia, onde as vontades das maiorias são vinculativas. E o problema é de cidadania e de participação, ou melhor, da ausência destas. O sistema é partidário, por isso essa participação tem que passar pelos partidos políticos, não se pode permitir que hordas de burlões assumam lugares de destaque nas cúpulas partidárias, porque, evidentemente, irão desvirtuar o sistema e em vez de servirem os partidos e o bem comum, servem-se eles próprios dos partidos e dos bens comuns. Repare-se que o denominador comum de cada um dos escândalos que assistimos são os partidos políticos. As pessoas a que me refiro raramente assumem as lideranças partidárias, preferem ficar em posições de chefia, mas com menor exposição. Neste contexto, o caso de Sócrates é uma excepção que pode ser explicada pela sua excessiva vaidade.

Por estas razões, acredito, cada vez mais, que a participação activa ao nível partidário terá que ser a reacção de todos os que se sentem afectados pelo estado de coisas a que se chegou. E se isso não for possível, pelo menos que se vote. Este ano há três actos eleitorais, usemo-los. Não é preciso ir tão longe como Manuela Ferreira Leite, ao ponto de só com seis meses sem democracia a coisa ir ao lugar, para curar a democracia, bastam bons anti-corpos. É possível, portanto, enfrentar o sistema, mas por dentro.

30 setembro 2007

Animais


Uma pessoa que tem um cão – ou um gato, ou seja lá o que for – durante uma série de anos e de um momento para o outro deixa de lhe achar piada e simplesmente o abandona à sua sorte numa estrada qualquer, devia ir parar à prisão. É revoltante.

11 setembro 2007

Um Exemplo a Seguir


No Concelho do Nordeste todas as casas têm ecopontos familiares e é realizada uma recolha selectiva do lixo. E o mais importante é que todas as pessoas respeitam e cumprem.

24 agosto 2007

Discuta-se o novo Estatuto

A revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores, que tanto consenso gerou, está pronta já há alguns meses. Estamos, actualmente, numa fase de debate público, em que se pretende “a recolha, análise e consideração de contributos”. Parece-me, no entanto, que a blogosfera açoriana passou um pouco ao lado desta discussão, de uma forma um tanto incompreensível.

A luta será em Lisboa, onde não será fácil fazer aprovar um Estatuto que confere, por exemplo, o Princípio da Preferência do Direito Regional (em legislação não reservada aos Órgãos de Soberania).

18 agosto 2007

Festa de poucos, martírio de muitos

Ao ler o post "De que serve legislar e fechar os olhos à lei? ", no Fôguetabraze, lembrei-me das raves que tiveram lugar no areal da Praia Grande do Pópulo, nos últimos anos, e sobre as quais não tive a oportunidade de escrever na altura. A questão que levanto é muito simples: em nome de quê, permite-se fazer essas raves, sabendo-se que a música (se é que se pode chamar música) vai tocar altíssima, violando todas as leis do ruído e, nalguns casos, obrigando os moradores a passarem aquelas noites fora, para poderem dormir?

06 agosto 2007

Estado Natureza...no Pópulo II

Eu detesto ser chato e estar sempre a insistir no mesmo assunto, mas é que a situação está cada vez pior, cada vez mais descontrolada e só quando acontecer alguma desgraça na praia, que obrigue a entrada de uma ambulância, é que se vai tratar do assunto. É sempre a mesma coisa, espero que impere o bom-senso e que se trate do assunto, antes...

Como se pode aferir nestas fotografias, há dias (como os fins-de-semana) em que já nem se pode transitar no Largo da Praia Pequena. Os banhistas, ao constatarem que não há quaisquer sinais de trânsito, estacionam onde bem entendem.


Por outro lado, a Canada do Borralho (que fica do lado nascente da Praia Pequena) fica todos os dias de tal modo congestionada que leva a situações destas.


Eu já nem falo nos incómodos para os moradores, falo nos incómodos para todos que vão àquela praia, é que é muito frequente ouvirmos uma buzina colada, querendo dizer que mais um carro está bloqueado.

E a solução para estes problemas é muito simples. Antes de mais, é preciso reconhcer que há um problema, para depois se poder partir para a sua resolução. Depois, é pintar lugares de estacionamento, colocar alguns sinais de trânsito e fazer com que a Canada do Borralho tenha apenas um sentido.

Eu detesto ser chato, mas não vou descansar enquanto enquanto não se fizer alguma coisa em relação a esta situação.

02 julho 2007

Estado Natureza...no Pópulo




Os autores contratualistas deram a definição de Estado Natureza, para podermos entender a sociedade civil. Thomas Hobbes foi o primeiro a estabelecer essa definição, na obra O Leviatã, como qualquer situação onde não há um governo que estabeleça a ordem, onde todos estão em guerra contra todos. Com o Contrato Social todos os homens delegam o seu poder numa entidade superior que fica encarregue de estabelecer a ordem necessária. Essa entidade foi o Estado.

Ora, tudo isto parece ser apenas teoria, que serve para entendermos os modelos estatais actuais e que o tal Estado Natureza não existe, pelo menos numa região como os Açores. Pois desenganem-se. Hoje em dia, em plena Praia do Pópulo, vive-se um autêntico Estado Natureza, onde não há regras e impera a lei do mais forte. Aqui ficam dois exemplos, que espero servirem para, pelo menos, alertar a esta situação.